Estudo identifica micróbios metabolicamente ativos nos restos congelados de Ötzi

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múmia Ötzi - Divulgação/Museu de Arqueologia do Tirol do Sul

múmia Ötzi - Divulgação/Museu de Arqueologia do Tirol do Sul

Pesquisadores detectaram micróbios que podem estar metabolicamente ativos nos restos de Ötzi, o Homem do Gelo. A múmia de 5300 anos foi descoberta em 1991 numa geleira dos Alpes, na fronteira entre Áustria e Itália. Análises recentes encontraram bactérias do intestino dele e fungos adaptados ao frio que colonizaram o corpo depois da morte.

O material foi estudado em condições controladas. Parte dos micróbios ainda apresenta indícios de atividade mesmo sob temperatura de -6°C na câmara de conservação do museu.

Bactérias intestinais revelam microbioma antigo

As amostras de tecidos internos mostraram bactérias anaeróbias típicas do intestino humano. Gêneros como Romboutsia, Clostridium e Ruminococcus apareceram com padrões de DNA compatíveis com material antigo.

Essas bactérias se assemelham às encontradas em populações humanas que ainda seguem estilos de vida tradicionais. Ötzi viveu entre 3350 e 3120 a.C. na região alpina. Ele tinha tatuagens, pele escura e foi atingido por uma flecha no ombro.

  • Bactérias intestinais preservadas desde a Idade do Cobre
  • Comparação com microbiomas de populações não industrializadas
  • Amostras coletadas em 1992, 2010 e 2019
  • Frio e baixa oxigenação ajudaram na preservação
  • Nenhum dano visível à múmia até o momento

A descoberta ajuda a entender como a dieta e o ambiente influenciavam a saúde intestinal há mais de cinco mil anos. Estudos anteriores já haviam detalhado a alimentação, as roupas e a causa provável da morte de Ötzi.

Fungos psicrófilos colonizam superfície da múmia

Na parte externa do corpo, predominam leveduras que toleram baixas temperaturas. Espécies como Glaciozyma watsonii e Mrakia robertii se desenvolveram ao longo do tempo. Algumas mostraram redução de danos no DNA entre amostras de 2010 e 2019.

Isso sugere que parte desses fungos continua ativa mesmo na câmara refrigerada do South Tyrol Museum of Archaeology, em Bolzano. Os organismos possivelmente vieram do ambiente glacial onde Ötzi foi encontrado ou se adaptaram durante a conservação.

Pesquisadores conseguiram cultivar algumas dessas leveduras em laboratório. O resultado indica capacidade metabólica sob condições extremas. No entanto, não há sinais de que estejam causando deterioração na múmia.

Conservação rigorosa mantém equilíbrio microbiano

A múmia permanece em uma câmara especial a -6°C com controle preciso de umidade. Técnicos monitoram constantemente os parâmetros para evitar qualquer alteração. O local replica as condições originais da geleira.

Equipe do Eurac Research Institute for Mummy Studies liderou o trabalho. Mohamed Sarhan coordenou a parte de microbiologia. Frank Maixner contribuiu com o conhecimento sobre a múmia. O estudo foi publicado na revista Microbiome.

A distinção entre micróbios internos antigos e colonizadores externos foi possível graças à metagenômica. Amostras de solo e gelo do local original serviram como referência para comparação.

Impacto da descoberta para estudos de microbiomas milenares

Ötzi oferece um raro registro de microbioma humano pré-histórico. A presença de bactérias intestinais antigas permite comparar com o microbioma atual, que perdeu diversidade em sociedades modernas. Os fungos friófilos mostram os limites da sobrevivência microbiana em ambientes gelados.

Pesquisadores planejam continuar as análises. O objetivo é verificar se há mudanças no perfil microbiano ao longo do tempo. O caso reforça a necessidade de protocolos rigorosos de conservação para artefatos biológicos antigos.

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