Cientistas propõem que Sol teve quinta gigante ejetada que salvou luas de Júpiter

    Categories: Ciência
Terra, sol, espaço

Terra, sol, espaço -buradaki/shutterstock.com

Uma instabilidade grave marcou os primeiros estágios da formação do Sistema Solar. Planetas gigantes mudaram de posição há cerca de 4 bilhões de anos. Esse rearranjo gerou aproximações perigosas entre eles. Os satélites regulares de Júpiter e de Urano corriam risco real de destruição durante o processo.

Pesquisadores americanos simularam milhares de cenários para entender como as luas sobreviveram. Os resultados mostram que a presença de um planeta extra, depois removido, foi decisiva. Sem ele, as órbitas circulares e alinhadas dos grandes satélites dificilmente teriam se mantido.

Aproximações entre gigantes ameaçavam sistemas de luas

As planetas gigantes se formaram mais próximas umas das outras do que estão hoje. Durante a instabilidade, elas passaram a distâncias inferiores a 15 milhões de quilômetros em muitos casos. Essa proximidade gerava forças gravitacionais que perturbavam as órbitas dos satélites próximos.

Os quatro principais satélites de Júpiter — Io, Europa, Ganimedes e Calisto — orbitam entre 400 mil e 2 milhões de quilômetros do planeta. Uma perturbação externa forte podia alongar essas trajetórias. O resultado seriam colisões, quedas na atmosfera ou expulsões para o espaço interestelar.

Situação parecida valia para as luas regulares de Urano. Suas órbitas também são circulares e equatoriais. Qualquer desequilíbrio grave comprometeria a configuração atual.

Simulações testaram 122 cenários de migração planetária

A equipe liderada por Matthew Clement, da Universidade Johns Hopkins, selecionou 122 trajetórias que reproduzem a posição atual dos planetas. Em seguida, rodou 1.464 simulações detalhadas do comportamento dos satélites sob influência gravitacional.

O supercomputador Frontera, no Texas, processou cada caso durante dois a três meses. Os cálculos incluíam interações com o Sol e os demais corpos.

  • Probabilidade de sobrevivência das luas de Júpiter ficou abaixo de 15% na maioria dos cenários
  • Chance similar, inferior a 15%, para as luas de Urano
  • Probabilidade conjunta de sobrevivência dos dois sistemas caiu para cerca de 1%

Distâncias críticas foram identificadas. Aproximações de Urano a menos de 3 milhões de quilômetros de outro gigante de gelo levavam à destruição total. Contatos com Júpiter ou Saturno abaixo de 15 milhões de quilômetros também resultavam em perda completa.

Cenário com seis planetas mostrou maior estabilidade

Apenas dois cenários completos permitiram a sobrevivência simultânea das luas de Júpiter e Urano. Ambos incluíam uma quinta gigante de gelo, com massa entre seis e oito vezes a da Terra.

Essa planeta adicional alterou a dinâmica de migração. Ela evitou que Urano se aproximasse demais de outros corpos em momentos críticos. Júpiter, por sua vez, acabou ejetando o intruso para fora do Sistema Solar com um empurrão gravitacional forte.

O planeta perdido provavelmente vaga hoje no espaço interestelar. Sua saída não foi o que salvou as luas diretamente. A presença dele antes da ejeção estabilizou os movimentos o suficiente para que as órbitas regulares resistissem.

Como as luas atuais de Urano se formaram

As simulações também ajudaram a explicar a configuração das luas uranianas. O impacto que inclinou o eixo de Urano ocorreu em período compatível. A presença temporária da quinta gigante reduziu o número de colisões destrutivas posteriores.

Os satélites regulares se mantiveram em órbitas estáveis após o caos inicial. Isso reforça a ideia de que o Sistema Solar atual é resultado de um equilíbrio delicado, influenciado por um membro que não existe mais.

Implicações para modelos de formação planetária

Os achados reforçam a validade da chamada Modelo de Nice, que descreve a migração dos gigantes. Eles também indicam que sistemas com cinco ou seis planetas gigantes iniciais se encaixam melhor nos dados observados.

Pesquisas futuras podem buscar evidências indiretas do planeta ejetado. Objetos transnetunianos com órbitas peculiares ou anomalias no cinturão de Kuiper são alvos potenciais.

A equipe publicou os resultados em artigo científico revisado. Os cálculos detalhados estão disponíveis em repositório aberto para verificação por outros grupos.

Veja Também