Estudo internacional identifica alterações no DNA de crianças amamentadas com leite materno

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Modelo de DNA

Modelo de DNA - LightHard/shutterstock.com

Um estudo internacional analisou amostras de sangue de mais de 3.400 crianças em 11 países. Os pesquisadores compararam aquelas amamentadas exclusivamente por pelo menos três meses com as que não receberam esse tipo de alimentação. As diferenças apareceram em marcas epigenéticas chamadas metilação do DNA. Essas alterações surgiram após o nascimento e não estavam presentes no sangue do cordão umbilical.

Os resultados foram publicados na revista Clinical Epigenetics. O trabalho envolveu instituições como o Barcelona Institute for Global Health, a University of Exeter e a University of Bristol. As mudanças se concentraram em genes relacionados ao sistema imunológico e ao desenvolvimento. Os cientistas conseguiram distinguir, anos depois, quais crianças haviam sido amamentadas exclusivamente apenas pela análise do DNA.

Alterações surgem após o nascimento

A metilação do DNA funciona como um interruptor que regula a atividade dos genes sem modificar o código genético. No estudo, as marcas apareciam apenas nas amostras de sangue coletadas na infância. Isso indica que o processo ocorreu devido à amamentação e não por fatores hereditários.

Os pesquisadores destacam a consistência dos achados apesar da diversidade geográfica dos participantes. Ainda assim, eles alertam que o tamanho da amostra, embora grande, pode não representar todas as populações humanas. Mais pesquisas são necessárias para confirmar os padrões em grupos diferentes.

Mudanças se concentram em genes de imunidade

As diferenças epigenéticas se acumularam principalmente em regiões do genoma ligadas ao funcionamento do sistema de defesa do organismo. Outros pontos afetados envolvem processos de desenvolvimento infantil.

  • Metilação mais elevada em genes imunológicos em crianças amamentadas exclusivamente
  • Ausência das mesmas marcas no sangue coletado ao nascer
  • Possibilidade de identificar histórico de amamentação por exame de DNA anos depois
  • Foco em amamentação exclusiva de no mínimo três meses
  • Resultados consistentes em coortes de 11 países diferentes

Esses pontos resumem os principais achados da análise epigenômica ampla. A equipe usou dados do consórcio Pregnancy And Childhood Epigenetics (PACE).

Benefícios conhecidos da amamentação seguem válidos

A amamentação reduz riscos de asma, obesidade, diabetes tipo 1, infecções de ouvido, doenças respiratórias graves e síndrome da morte súbita do lactente. Os dados vêm do Centers for Disease Control and Prevention (CDC) dos Estados Unidos.

Para as mães, o aleitamento materno associa-se a menor chance de câncer de mama, câncer de ovário, diabetes tipo 2 e hipertensão. Quanto mais tempo dura a amamentação, maiores tendem a ser esses efeitos protetores. O novo estudo epigenético oferece uma possível explicação molecular para parte desses benefícios observados há décadas.

Limites da pesquisa e recomendações médicas

Os autores do estudo evitam afirmar que as alterações epigenéticas melhoram diretamente a imunidade ou o desenvolvimento. Eles classificam os resultados como associativos e pedem investigações maiores para ligar as marcas de metilação a desfechos clínicos concretos.

Pediatras reforçam que a decisão sobre amamentar é pessoal e envolve múltiplos fatores. Capacidade física, demandas de trabalho, saúde mental e preferências individuais pesam na escolha. Muitas mulheres não conseguem amamentar ou optam por não fazê-lo.

O CDC recomenda amamentação exclusiva nos primeiros seis meses, com introdução gradual de alimentos sólidos e continuidade até um ano ou mais. A Academia Americana de Pediatria e a Organização Mundial da Saúde apoiam a prática até os dois anos ou além, sempre que possível.

Impacto para pais que usam fórmula

Pais que optam por fórmula não devem ver o estudo como motivo de preocupação. Os próprios pesquisadores afirmam que ainda falta conectar as mudanças epigenéticas a resultados específicos de saúde. A nutrição infantil representa apenas um dos muitos elementos que influenciam o desenvolvimento.

Condições ambientais, estilo de vida e fatores sociais também moldam a trajetória das crianças. O principal recado da pesquisa é que a biologia da alimentação precoce revela mais complexidade do que se imaginava antes.

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