Ator Ranveer Singh abandona elenco de Don 3 e provoca crise milionária com produtora indianaPor Carolina Costa
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O ator Ranveer Singh tomou a decisão de abandonar o papel principal no longa-metragem Don 3 em dezembro de 2025. A saída abrupta aconteceu poucas semanas antes do início oficial das filmagens principais, que estavam rigorosamente programadas para começar em janeiro de 2026. A equipe de produção já trabalhava no projeto há meses e havia empenhado recursos significativos na fase inicial.
A desistência gerou um embate direto com a produtora Excel Entertainment, comandada pelos executivos Farhan Akhtar e Ritesh Sidhwani. O caso rapidamente escalou para uma das disputas mais complexas dos bastidores do cinema indiano recente, mobilizando grandes nomes da indústria para tentar um acordo. O impasse financeiro e criativo expôs fragilidades nos contratos de pré-produção de grandes blockbusters asiáticos.
Detalhes do cronograma de preparação e o cancelamento de última hora
A relação entre o artista e a empresa começou de forma promissora com o anúncio oficial em agosto de 2023. Naquela ocasião, a Excel Entertainment divulgou o primeiro visual de Ranveer Singh caracterizado como o icônico personagem. O documento formal de intenções, conhecido no meio corporativo como term sheet, recebeu as assinaturas apenas um ano depois, em agosto de 2024. A produtora enviou a versão mais atualizada do roteiro em março de 2025, estabelecendo as bases para o trabalho prático.
O planejamento logístico avançou significativamente no segundo semestre. Em agosto de 2025, a equipe de direção compartilhou o cronograma completo de treinamentos físicos, provas de figurino e as datas exatas de gravação, que se estenderiam de janeiro a julho de 2026. O cronograma exigia dedicação exclusiva do protagonista durante os meses de preparação.
- Ranveer Singh concluiu um ciclo intensivo de treinamento de ação entre os dias 3 e 12 de novembro de 2025, com todos os custos cobertos pela produção.
- Os ensaios práticos de cenas de risco, agendados para 17, 18, 23 e 24 de novembro, acabaram cancelados pela equipe pessoal do artista.
- O protagonista compareceu a uma sessão de prova de figurino no dia 27 de novembro.
- As leituras conjuntas de roteiro com o diretor Farhan Akhtar e o elenco principal ocorreram normalmente nos dias 15 e 16 de dezembro.
A situação sofreu uma reviravolta definitiva na terceira semana de dezembro. Um teste final de câmera e visual, marcado para o dia 17, sofreu cancelamento de última hora. Três dias depois, em 20 de dezembro, Ranveer Singh telefonou para os produtores e comunicou oficialmente que não participaria mais do filme. O momento coincidiu com o excelente desempenho nas bilheterias de outro projeto do ator, o longa Dhurandhar, que já acumulava números expressivos de arrecadação.
Divergências financeiras e alegações sobre o roteiro da obra
O conflito exigiu a criação de sessões de mediação privadas, conduzidas por figuras de alto escalão de Bollywood. As primeiras reuniões aconteceram sem a presença do protagonista e reuniram cerca de 25 profissionais experientes do setor, incluindo astros como Salman Khan, Hrithik Roshan, Karan Johar e Aamir Khan. Posteriormente, uma sessão conjunta contou com a participação direta de Ranveer Singh. O ator compareceu com anotações manuscritas e discursou ininterruptamente por aproximadamente 90 minutos para expor suas queixas.
Durante a mediação, o artista listou uma série de insatisfações técnicas e financeiras. Ele apontou problemas estruturais no roteiro e criticou a indisponibilidade prolongada do diretor Farhan Akhtar para discutir ajustes criativos. O ponto central da reclamação envolveu a parte econômica do projeto. Segundo o ator, houve uma redução drástica no orçamento total do filme, que teria despencado de uma previsão inicial de 300 a 350 crore para cerca de 150 crore. Essa alteração impactou negativamente o valor do seu cachê previamente negociado.
A Excel Entertainment apresentou uma defesa baseada em documentos e registros de comunicação. Os produtores exibiram históricos de mensagens no aplicativo WhatsApp que comprovavam reações extremamente positivas do ator às versões anteriores do texto. Para quantificar o prejuízo, a empresa contratou uma auditoria independente de grande porte, sem qualquer vínculo anterior com as partes. O relatório final calculou os gastos de pré-produção em impressionantes 45 crore. O montante englobava despesas com viagens internacionais de reconhecimento de locações, custos de desenvolvimento de roteiro, testes de elenco secundário e contratos firmados com mais de 200 profissionais técnicos.
Tentativas de acordo e intervenção de sindicatos do cinema
Diante do impasse documentado, Ranveer Singh formalizou uma proposta de acordo financeiro para encerrar a disputa. O ator ofereceu o pagamento imediato de 10 crore como compensação, além de garantir um desconto de 25% em seu cachê padrão para um eventual projeto futuro em parceria com a Excel Entertainment. A produtora recusou a oferta prontamente. Após a negativa, as comunicações diretas entre as partes cessaram. O artista viajou para os Estados Unidos logo em seguida, e as tentativas subsequentes de contato por parte do estúdio não obtiveram qualquer resposta.
A gravidade da situação levou o caso às instâncias sindicais da indústria cinematográfica indiana. A Federation of Western India Cine Employees (FWICE) analisou a denúncia e emitiu uma diretiva oficial de não cooperação no mês de maio. A medida funcionava como um boicote, orientando todos os técnicos e trabalhadores filiados a não prestarem serviços em projetos que envolvessem o ator até que a dívida fosse quitada. Ranveer Singh reagiu com o envio de uma notificação legal rigorosa, contestando a validade da decisão imposta pela federação.
A pressão jurídica e institucional alterou o cenário no mês seguinte. Em junho, a FWICE decidiu revogar a diretiva de não cooperação. A suspensão do boicote ocorreu após intervenções diretas de outras entidades de peso do setor, como a IMPPA, a Producers Guild of India e a CINTAA. Apesar da liberação para o trabalho, o impasse financeiro central entre o protagonista desistente e a Excel Entertainment permanece sem uma solução definitiva nos tribunais ou em câmaras de arbitragem. Nenhuma das partes envolvidas concedeu declarações públicas recentes sobre os desdobramentos do litígio.
Impacto na indústria e o futuro da franquia de ação
O episódio sem precedentes reacendeu debates urgentes sobre a segurança jurídica nos bastidores do cinema asiático. Produtores que participaram das rodadas de mediação destacaram a necessidade iminente de criar diretrizes contratuais mais rígidas por parte da Producers Guild. O prejuízo milionário serviu como um catalisador para discussões profundas sobre o desequilíbrio de poder entre grandes estrelas de bilheteria e os estúdios financiadores. Especialistas do mercado apontam que prazos de desistência precisarão ser revistos em futuras superproduções para evitar o colapso de orçamentos inteiros.
Enquanto a disputa corre nos bastidores, o projeto Don 3 permanece paralisado e sem um novo protagonista definido para assumir o papel principal. A franquia carrega um peso histórico imenso na cultura pop indiana. A saga de ação criminal teve início no ano de 1978, estrelada pela lenda Amitabh Bachchan. Décadas depois, o diretor Farhan Akhtar reiniciou a marca com sucesso estrondoso em 2006, trazendo Shah Rukh Khan no papel do anti-herói. A continuidade da história ocorreu em 2011 com o lançamento de Don 2, consolidando a marca como uma das propriedades intelectuais mais valiosas do cinema local.







