Chamada de baleia em frequência incomum persiste no Pacífico após 40 anos de rastreamento

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Baleia - Foto: Adel2024/Shutterstock.com

Cientistas acompanham há quase quatro décadas um sinal acústico singular no Norte do Pacífico. O chamado surge em 52 hertz, frequência bem acima do padrão de baleias-azuis e jubartes. Nenhuma espécie conhecida emite som nessa faixa exata. O animal nunca foi avistado, mas sua voz viaja por vastas distâncias submarinas e reaparece ano após ano.

O monitoramento começou ainda no final dos anos 1980. Técnicos da Estação Naval de Whidbey Island, nos Estados Unidos, captaram o sinal com o sistema SOSUS, rede de hidrofones originalmente projetada para detectar submarinos. Joe George, um dos analistas, identificou o padrão incomum em dezembro de 1992. Desde então, pesquisadores do Woods Hole Oceanographic Institution ampliaram os estudos com os dados liberados pela Marinha após o fim da Guerra Fria.

Sinal detectado em 1989 ganha explicações parciais

O primeiro registro ocorreu em 1989. Nos anos seguintes, o mesmo padrão reapareceu com regularidade sazonal, entre agosto e fevereiro. O animal percorre rotas amplas, que vão da costa da Califórnia até as ilhas Aleutas, no Alasca. Especialistas notaram semelhanças estruturais com o canto de baleias-azuis, mas a altura da frequência continua sem correspondência direta.

  • O chamado tem duração e repetição típicas de baleias de grande porte.
  • A intensidade permite que o som se propague por centenas de quilômetros.
  • Outras baleias conseguem escutar a faixa de 52 hertz, embora nenhuma cante nela.
  • O animal demonstra vitalidade, pois o sinal persiste por décadas.
  • Nenhum registro visual confirma a aparência ou o tamanho exato.

Christopher Clark, da Universidade Cornell, observou que o padrão vocal lembra o de uma baleia-azul, mas o tom difere. A discrepância levanta questões sobre isolamento ou características fisiológicas únicas.

Hipótese de híbrido ganha força entre pesquisadores

Uma possibilidade discutida envolve cruzamento entre baleias-azuis e jubartes. Populações de jubartes são mais numerosas em algumas regiões, o que poderia favorecer encontros entre espécies diferentes em tempos de mudanças ambientais. Biólogos da NOAA mencionam que fêmeas de baleias-azuis, menos abundantes, poderiam acasalar com machos de outras espécies quando a densidade de parceiros da mesma espécie cai.

O fenômeno ocorre em um oceano que sofre alterações rápidas. Aquecimento das águas, redução de presas e ruído antropogênico afetam a comunicação marinha. O canto em 52 hertz, mesmo incomum, mostra que o indivíduo mantém atividade vocal consistente, sinal de adaptação ou resiliência.

Tecnologia naval abre janela para mistérios do oceano profundo

O SOSUS permitiu que cientistas acessassem dados acústicos antes restritos. O sistema capta sons de baixíssima frequência que viajam longas distâncias. Baleias-azuis, por exemplo, produzem chamadas de até 188 decibels, mais altas que um motor a jato. O registro contínuo do animal de 52 hertz demonstra o valor dessas redes para pesquisa não militar.

Estudos publicados em 2004, baseados em 12 anos de dados, confirmaram que apenas uma fonte produzia aquele sinal específico a cada temporada. A constância ao longo das décadas reforça a ideia de um indivíduo ou de um grupo muito restrito. Pesquisadores continuam a analisar variações sutis no canto para entender comportamento e saúde.

Impacto do ruído humano e futuro do monitoramento

Atividades navais, navios comerciais e exploração offshore geram ruído que interfere na comunicação submarina. O animal de 52 hertz navega nesse ambiente há décadas. Seu chamado, embora diferente, persiste, o que sugere capacidade de coexistir com as pressões modernas. Equipes internacionais ampliam o uso de hidrofones autônomos e tags acústicas para mapear movimentos com maior precisão.

Documentários e reportagens popularizaram a história, mas o foco científico permanece na coleta de evidências. Nenhuma expedição conseguiu imagem clara do animal até o momento. O mistério alimenta pesquisas sobre diversidade de cetáceos e sobre como espécies se adaptam a um oceano em transformação.

Esforços de conservação se beneficiam de dados acústicos

O caso ilustra a importância de monitoramento passivo. Cientistas combinam registros antigos com novas tecnologias para avaliar populações de baleias grandes, muitas delas ameaçadas. A persistência do sinal de 52 hertz oferece dados valiosos sobre rotas migratórias e áreas de alimentação no Pacífico Norte. Organizações como a NOAA e instituições acadêmicas mantêm programas ativos de escuta submarina.

Especialistas planejam expandir as redes de sensores. O objetivo é detectar não apenas esse indivíduo, mas variações que possam indicar outros animais com características atípicas. O oceano ainda guarda muitos segredos, e cada sinal captado ajuda a preencher lacunas no conhecimento sobre vida marinha.

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