Astrônomos identificaram um sistema estelar triplo que produz eclipses simultâneos entre suas três componentes. A descoberta veio da missão TESS, da NASA. O sistema fica a 3.080 anos-luz da Terra e se destaca pela configuração quase perfeita.
O conjunto reúne duas estrelas quase idênticas ao Sol em órbita binária. Uma terceira estrela maior, com 1,7 massa solar, orbita o par. Todas se movem no mesmo plano e o alinhamento permite que uma eclipse as outras do ponto de vista terrestre.
Curva de luz revela padrão distinto de cabeça e ombros
A sonda TESS registrou variações no brilho do sistema TIC 295741342. O padrão forma uma curva com quedas características. Duas quedas menores ocorrem quando as estrelas do binário se eclipsam entre si. Uma queda mais profunda acontece quando a estrela externa passa na frente do par.
Essa configuração gera o formato de “cabeça e ombros” na curva invertida. O fenômeno permite medir com precisão o brilho e o tamanho relativo de cada estrela. A estrela gigante contribui com cerca de 95% da luz total na banda observada pelo TESS.
O binário interno tem período orbital de 4,75 dias. A estrela externa completa uma volta em torno do par a cada 412,8 dias. As medições vieram de observações detalhadas em vários setores da missão.
Alinhamento coplanar torna o sistema incomum
Poucos sistemas triplos conhecidos apresentam órbitas tão alinhadas. No caso de TIC 295741342, as três estrelas orbitam praticamente no mesmo plano. Esse alinhamento edge-on facilita a observação dos eclipses triplos.
- As duas estrelas internas são estrelas de sequência principal semelhantes ao Sol em massa e tamanho
- A estrela terciária tem raio cerca de 10,6 vezes maior que o Sol e temperatura efetiva de 4.839 K
- A inclinação mútua entre as órbitas é uma das menores registradas em sistemas com gigante terciária
- O sistema permite modelagem espectrofotodinâmica precisa com dados de velocidade radial
A formação provavelmente ocorreu a partir da fragmentação de um disco protoestelar. Esse processo explica a coplanaridade observada, diferente de sistemas onde uma estrela é capturada gravitacionalmente depois.
Astrônomos acompanharam o sistema com 48 espectros de velocidade radial ao longo de quatro anos. Os dados ajudaram a resolver os movimentos das três componentes. Modelos evolutivos indicam que a estrela gigante está em fase avançada e pode interagir com o binário no futuro.
Estrela gigante pode levar a fusão ou transferência de massa
A terciária de TIC 295741342 já saiu da sequência principal. Ela pode estar subindo o ramo gigante vermelho ou no ramo horizontal. Em ambos os cenários, ela deve encher seu lobo de Roche e iniciar interação com o binário interno.
Essa evolução pode resultar em transferência estável de massa ou em um envelope comum. O desfecho inclui possibilidade de ejeções ou fusão das estrelas. Os modelos preveem o próximo eclipse externo principal para 1º de setembro de 2026.
Observações adicionais nessa janela podem refinar os parâmetros do sistema. O evento permite medir com maior exatidão os raios e contribuições de luz de cada estrela. Equipes já planejam monitoramento com telescópios terrestres e espaciais.
Importância para estudos de formação estelar
Sistemas triplos coplanares como este ajudam a entender como discos de gás e poeira se fragmentam. Centenas de triplos foram encontrados por missões como Kepler e TESS, mas poucos recebem caracterização tão detalhada. O baixo ângulo de inclinação de TIC 295741342 destaca o caso.
Pesquisadores liderados por Brian P. Powell, do Centro de Voos Espaciais Goddard, publicaram os resultados. O trabalho combina fotometria de TESS, espectroscopia e modelagem dinâmica. A análise confirma a raridade do alinhamento em sistemas amplos.
O estudo abre caminho para previsões mais precisas sobre a evolução futura do sistema. Ele também serve como laboratório natural para testar teorias sobre dinâmica estelar múltipla. Novas observações devem ocorrer nos próximos meses.
O alinhamento permite que os eclipses revelem detalhes difíceis de obter em outros sistemas. Cientistas continuam a monitorar variações no brilho para mapear órbitas com mais exatidão. O caso reforça o valor da missão TESS para fenômenos estelares além de exoplanetas.

