Goleiro Vozinha, de Cabo Verde, teve nome inspirado em Josimar e Valdano em registro de 1986
O goleiro Vozinha já conquistou status de ícone para Cabo Verde na Copa do Mundo da FIFA 2026™. Contudo, quatro décadas antes de cravar seu nome na história do torneio, ele protagonizou, ainda bebê, um episódio inusitado que quase aproximou as seleções de Brasil e Argentina, inspirando seu nome em ex-jogadores como Josimar e Jorge Valdano. A história de seu batismo não só conecta dois gigantes do futebol, mas também ilustra o duradouro impacto dos heróis de Copas e a profunda relevância cultural de nomes ligados ao esporte através das fronteiras.
Embora mundialmente conhecido como Vozinha, o nome de batismo do atleta é Josimar, e por pouco não foi Jorge Valdano. O renomado arqueiro cabo-verdiano, que brilhou ao conter o ataque da Espanha em 15 de junho, na histórica estreia de seu país na Copa do Mundo FIFA™, foi o ponto de convergência, ainda na infância, entre as paixões futebolísticas brasileira e argentina. Curiosamente, a decisão final sobre sua certidão foi tomada por um oficial de cartório no ano de 1986.
“Dentro do universo do futebol, sou reconhecido como Vozinha”, declarou o guarda-redes à FIFA após a partida. “Mas aproveito para enviar um cumprimento especial a Jorge Valdano e a Josimar, que serviram de inspiração para a escolha do meu nome.”
Detalhes do confronto entre Espanha e Cabo Verde no Mundial 2026
Acompanhe os principais lances da partida entre Espanha e Cabo Verde, que ocorreu no Estádio de Atlanta na segunda-feira, 15 de junho, ao meio-dia (horário local).
Jogando ao lado de Diego Maradona na seleção argentina campeã de 1986, Jorge Valdano marcou quatro tentos durante o Mundial da FIFA™, assegurando a Chuteira de Bronze. Sua performance memorável cativou Zé Pedro, um cidadão cabo-verdiano, que tentou registrar o filho recém-nascido com o nome do atacante argentino.

Golo histórico de Jorge Valdano na final de 1986
A entidade máxima do futebol, a FIFA, havia contatado Jorge Valdano dias antes do primeiro jogo de Cabo Verde para compartilhar essa narrativa com o ex-atleta argentino. Somente então ele tomou conhecimento da curiosa história e expressou grande satisfação: “Quatro décadas após a minha participação na Copa do Mundo de 1986, sinto-me como se estivesse também no Mundial de 2026; não fisicamente, mas por meio de Vozinha como ‘Jorge Valdano’. Foi uma revelação extremamente gratificante.”
“Inicialmente, é um mistério. Por qual razão esse senhor considerou Jorge Valdano, havendo Diego Maradona?”, questionou Valdano. “No entanto, não poderia sentir maior orgulho. Enviei um caloroso abraço a Vozinha, ao seu pai, a Josimar e a todos os envolvidos nesta marcante história”, acrescentou o ex-jogador.
Uma fotografia antiga retrata Jorge Valdano, integrante da seleção argentina, em júbilo após marcar o segundo gol na final contra a Alemanha, em 29 de junho de 1986, no Estádio Azteca, na Cidade do México, onde a Argentina venceu por 3 a 2.
A entrada de Josimar na história do nome
O funcionário do cartório que recebeu Zé Pedro em Cabo Verde recusou o registro do bebê com o nome Jorge Valdano, alegando que era de origem estrangeira. Diante disso, o pai optou por um jogador de destaque no mesmo Mundial, mas de língua portuguesa: o brasileiro Josimar, responsável por dois belos gols na Copa de 1986, contra Irlanda do Norte e Polônia.
O gol de Josimar contra a Irlanda do Norte em 1986
“É comum para os cabo-verdianos torcerem por nações de idioma português, como o Brasil e Portugal”, explicou Vozinha à FIFA. “Meu avô, por exemplo, era um entusiasta do Brasil, movido pela admiração ao futebol e às suas seleções consistentemente poderosas. É a manifestação genuína da paixão pelo esporte.”
Outro lance memorável de Josimar contra a Polônia
Um fato curioso é que a avó do goleiro, Maria Senhorinha dos Santos, já falecida, costumava chamar o neto de “Dani” ao longo de sua vida, pois encontrava dificuldade em pronunciar “Valdano”. No entanto, foi a partir dessa mesma avó que Vozinha acabou por adotar o apelido que o identifica hoje em campo.
Vozinha assumiu seu famoso apelido por ter sido educado por seus avós, enquanto seu pai cumpria o serviço militar e sua mãe se dedicava a extensas jornadas de trabalho. Durante as partidas de futebol com jovens mais velhos na rua, o menino frequentemente recebia empurrões, mas detestava a derrota. Desse modo, seus colegas de infância costumavam comentar que ele “corria para a vózinha”.
“Eu apanhava bastante, e sempre que não conseguia revidar, voltava para casa com raiva, com uma expressão de descontentamento, e eles zombavam, dizendo que eu ia me queixar para meus avós”, relatou o guarda-redes de Cabo Verde à FIFA em junho de 2024, anos antes de se tornar o destaque em um confronto do Mundial de 2026.
Duas temporadas mais tarde, ao término do embate contra a Espanha, Vozinha dedicou a heroica igualdade no placar aos seus avós. “Meu agradecimento aos meus pais e aos meus avós, que hoje brilham como estrelas no céu. Minha avó nos deixou há dois anos, meu avô também, e fui criado por eles. Tenho certeza que, se estivessem aqui, sentiriam imenso orgulho do neto. Minha emoção brotou disso. É um feito que Cabo Verde almejou por toda a sua existência.”
Em um momento de celebração, Vozinha, goleiro de Cabo Verde, é visto abraçando seus companheiros de equipe em 15 de junho de 2026, conforme registro fotográfico de Patrick Smith, via FIFA e Getty Images.
Atualmente, para além da população cabo-verdiana, outras torcidas ao redor do globo demonstram apoio à equipe. A repercussão mundial foi tão expressiva que o número de seguidores de Vozinha disparou de 50 mil, no início da partida, para impressionantes 2,5 milhões no mesmo dia.
“É algo fabuloso, eu não contava com isso. No fim das contas, tudo é por Cabo Verde, é pela nossa gente. Expresso minha gratidão a todos os fãs, incluindo os brasileiros, por seu apoio massivo a todos os cabo-verdianos e à seleção. Isso representa Cabo Verde”, finalizou.

















