Polícia vietnamita prende quadrilha e salva centenas de felinos do abate ilegal em Ho Chi MinhPor Luís Henrique Costa
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Uma força-tarefa montada pelas autoridades de segurança da Cidade de Ho Chi Minh, no Vietnã, evitou que centenas de animais de estimação tivessem um destino trágico nos matadouros clandestinos. Agentes interceptaram um esquema ilícito de fornecimento de carne e conseguiram recuperar mais de quinhentos felinos, retirados à força de suas famílias e que estavam a poucos instantes de serem mortos. A ação bem-sucedida ocorreu após meses de rastreamento minucioso contra os atravessadores que dominam o submundo do tráfico de pets na região asiática.
O trabalho de inteligência policial resultou na queda de um grupo criminoso altamente organizado que agia em todo o território nacional há pelo menos trinta e seis meses. Durante a ofensiva tática, nove suspeitos acabaram levados sob custódia para interrogatório. Segundo os investigadores do caso, o bando aproveitava a madrugada para capturar os bichos nas ruas ou invadir quintais na metrópole de quatorze milhões de moradores, estendendo os crimes também para os distritos vizinhos. Após o sequestro, os lotes vivos seguiam para galpões de triagem escondidos, onde eram repassados para donos de restaurantes e abatedouros irregulares que pagavam pelo peso da carga.

Legislação asiática e o mercado gastronômico de animais domésticos
Diferente da realidade ocidental, a ingestão de cães e gatos não configura crime no território vietnamita, onde pratos do tipo, frequentemente chamados de “pequeno tigre”, são servidos sob a crença popular de que trazem sorte e benefícios à saúde. No entanto, o poder público exige regras rígidas sanitárias e comerciais. Para vender esse tipo de alimento, os donos de estabelecimentos precisam obrigatoriamente exibir notas fiscais e laudos de criadouros certificados pelo governo, provando que a matéria-prima não tem origem ilícita ou proveniente de furtos.
Cenário de horror em estacionamento revela a dimensão do tráfico
Mesmo com vias legais para a comercialização, a rede de contrabando movimenta cifras milionárias e cresce sem qualquer controle fiscal. A primeira batida policial ocorreu em um pátio de veículos, onde os oficiais localizaram um cenário desolador que dimensionou o tamanho da operação criminosa. O inventário da apreensão registrou os seguintes dados durante as buscas:
- Quarenta e cinco gaiolas abarrotadas com cerca de quatrocentos bichanos vivos e assustados.
- Quatro caixas térmicas de isopor que escondiam oitenta carcaças já abatidas e resfriadas para transporte.
- Mais de uma centena de pets adicionais encontrados em endereços secundários ligados à quadrilha nos dias seguintes.
O sumiço de mascotes para abastecer a culinária local gera revolta frequente na Ásia, a exemplo de um episódio recente ocorrido em solo chinês. Chutou, um cão de oito anos de idade que pertencia a um influenciador digital com mais de um milhão e meio de fãs, foi furtado e servido como refeição em um comércio local, provocando uma onda de protestos nas redes sociais contra a falta de proteção aos animais de companhia.
Táticas noturnas usadas pelos criminosos para invadir residências
Os inquéritos detalham que as capturas acontecem com extrema violência, sempre no período de maior escuridão, pouco antes do nascer do sol. Os assaltantes utilizam laços, iscas envenenadas e ferramentas de arrombamento enquanto as vítimas dormem. Comandantes da polícia local alertam que essa modalidade de furto destrói a sensação de segurança nos bairros residenciais e só continua existindo porque há quem pague pelo produto final. Agora, o foco das autoridades é prender quem compra, quem transporta e quem lucra com o descarte dos restos mortais, mapeando toda a cadeia logística.
Orientações de proteção e o reencontro emocionante com as famílias
Diante da onda de sequestros, os moradores da Cidade de Ho Chi Minh foram aconselhados a trancar seus bichos de estimação dentro de casa ao anoitecer e a instalar câmeras ou cadeados extras nos portões. Qualquer desaparecimento suspeito deve ser notificado imediatamente nas delegacias para facilitar o rastreio. Em meio ao trauma, uma notícia trouxe alívio para a comunidade: a entidade não governamental Humane World for Animals confirmou que quarenta dos felinos recuperados na batida policial já voltaram para os braços de seus verdadeiros donos após a verificação de microchips e fotos.






