As hostilidades diplomáticas se intensificaram antes da cúpula do G7, que começou em 15 de junho na cidade francesa de Évian. O presidente Donald Trump, ao longo dos meses recentes, proferiu uma série de ataques verbais contra grande parte dos chefes de estado do grupo, o que não só reavivou velhas rusgas com figuras antes consideradas aliadas, mas também gerou novos atritos significativos.
O motivo central do atual mal-estar diplomático está na recusa dos dirigentes globais em se aliar aos Estados Unidos e Israel em um conflito militar contra o Irã. Esse ponto de discórdia sublinha uma divisão fundamental que vai além de meras desavenças comerciais, impactando diretamente a capacidade do G7 de atuar como uma frente unida em questões cruciais de segurança global. A expectativa é que essa postura de não envolvimento, em conjunto com o recente acordo com o Irã anunciado por Trump no último fim de semana, domine as discussões durante a cúpula.
No entanto, os atritos entre Donald Trump e os demais integrantes do G7 não são um fenômeno recente; o histórico de tensões já se manifestava em cúpulas anteriores, desde seu primeiro mandato presidencial. Embora, no passado, os líderes mundiais frequentemente tentassem ignorar as críticas do presidente americano, a postura atual revela uma mudança, com alguns deles começando a reagir publicamente.
Relação com o presidente francês Emmanuel Macron fica mais complexa
O vínculo mais duradouro de Trump dentro do grupo é com o presidente da França, Emmanuel Macron, que atualmente preside o Congresso. Isso torna a dinâmica entre os dois uma das mais intrincadas. Em um momento, Trump expressa consideração; no seguinte, ele faz comentários jocosos sobre a vida pessoal de Macron. O líder francês, que já se gabava de sua habilidade em manejar a relação com Trump, hoje demonstra sinais crescentes de exaustão.
O atrito crescente com o primeiro-ministro canadense Carney
A relação entre Trump e o primeiro-ministro do Canadá, Carney, parecia promissora no ano anterior, especialmente quando comparada aos desentendimentos com o ex-primeiro-ministro Justin Trudeau. Contudo, desavenças comerciais e um discurso contundente de Carney em Davos, no início deste ano, alteraram drasticamente a visão de Trump. Após Carney sugerir que o Canadá poderia se tornar o 51º estado americano, Trump passou a se referir publicamente a ele como “Governador Carney”.
Primeiro-ministro britânico Starmer recebe desprezo de Trump
Provavelmente, nenhum outro chefe de governo europeu empenhou-se tanto em desenvolver uma conexão com o presidente Trump quanto o primeiro-ministro do Reino Unido, Starmer. Por grande parte do ano passado, a interação entre eles parecia estável. No entanto, o relacionamento azedou quando Starmer declinou de apoiar uma ofensiva militar contra o Irã. Diante disso, Trump o menosprezou publicamente, afirmando que o premiê “não é Winston Churchill”.
Chanceler alemão Merz sai da lista de favoritos do presidente
O chanceler da Alemanha, Merz, inicialmente conquistou Trump ao visitar a Casa Branca e apresentar a certidão de nascimento do avô de Trump, que possuía raízes alemãs. Contudo, suas dúvidas sobre uma ação militar contra o Irã e a declaração de que os Estados Unidos estavam sendo “humilhados pela liderança iraniana” resultaram na perda de seu status como um dos líderes europeus preferidos de Trump.
Primeiro-ministro italiano Meloni e a reação à fúria de Trump
Mesmo o primeiro-ministro da Itália, Meloni, antes considerado o mais próximo de Trump na Europa, enfrentou a fúria presidencial após se recusar a aderir a uma campanha militar contra o Irã. Posteriormente, Meloni classificou o ataque de Trump ao Papa Leão XIV como “inaceitável”, o que provocou uma resposta crítica e contundente do presidente americano. Este episódio demonstrou que nem mesmo um apoiador leal como Meloni estava imune às represálias de Trump.
Primeira-ministra japonesa Sanae Takaichi tenta evitar tensões
A primeira-ministra do Japão, Sanae Takaichi, a mais recente adição ao G7, conseguiu, até este momento, escapar dos ataques de Trump. Takaichi dedicou-se a construir uma relação pessoal estreita com o presidente americano, utilizando como base os laços compartilhados com o ex-primeiro-ministro Shinzo Abe, falecido em um assassinato. No entanto, Trump já expressou descontentamento com a não participação do Japão em uma guerra contra o Irã e, no início deste ano, em um encontro no Salão Oval, proferiu uma piada insensível sobre o ataque a Pearl Harbor, causando desconforto no Japão.

