Argentina e Áustria adotam legislações divergentes para a proteção de glaciares em meio ao aquecimento global
Nesta segunda-feira (22), Argentina e Áustria se enfrentam em campo na cidade de Arlington, no Texas, Estados Unidos, em partida válida pela segunda rodada do Grupo J da Copa do Mundo de 2026.
Entretanto, fora dos gramados, a marcante geografia montanhosa de ambos os países é palco de uma outra forma de embate, focado na salvaguarda das vastas geleiras que cobrem suas cadeias de montanhas.
O que são as massas de gelo conhecidas como glaciares e sua formação
Glaciares, também chamados de geleiras, representam gigantescas acumulações de gelo que se formaram ao longo de milênios, resultado do acúmulo contínuo de neve que se compacta e se transforma em gelo denso.
Conforme explica Jefferson Cardia Simões, professor de Glaciologia e Geografia Polar da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e fundador do Centro Polar e Climático (CPC), essas massas geladas funcionam como depósitos naturais de água, liberando o recurso de forma constante ao longo do ano, mesmo em períodos de seca.
Apesar da aparência estática, essas formações se movem lentamente sob a influência da gravidade, agindo como verdadeiros rios de gelo. Essa característica as posiciona entre as maiores reservas de água doce do nosso planeta.

Atualmente, porém, os dois países adotam abordagens quase antagônicas no que diz respeito à defesa dessas valiosas reservas de gelo.
Em 2010, a Argentina implementou a primeira legislação global especificamente voltada para a preservação de glaciares e também do ambiente periglacial. Essa área circundante ao gelo visível armazena água congelada no subsolo, funcionando como um reservatório essencial para o abastecimento de rios em estações de pouca chuva.
O princípio central da legislação argentina era simples: proteger automaticamente todas essas zonas, agindo de forma preventiva, sem a necessidade de comprovação individual da importância de cada local.
Contudo, neste ano, o governo argentino promoveu uma alteração nessa norma que modifica esse princípio. Essa mudança na legislação, que visa flexibilizar regras para atividades econômicas como a mineração, reverte a abordagem cautelar anterior ao abrir precedentes para projetos que podem impactar diretamente essas reservas naturais.

















