Réu admite assassinato de mulher e ocultação de corpo em cisterna durante julgamento em Belo HorizontePor Beatriz
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Gilmar Pereira Calmos admitiu ter assassinado Magna Laurinda Ferreira Pimentel, de 42 anos, e escondido o corpo em uma cisterna no bairro Candelária, situado na Região de Venda Nova, em Belo Horizonte. A confissão ocorreu durante o júri popular realizado nesta terça-feira (30) no Tribunal do Júri da capital mineira.
O homem, réu no processo, justificou sua decisão de confessar pelo reconhecimento da necessidade de arcar com as consequências de suas ações, ao mesmo tempo em que refutou a participação de sua mãe e irmãs no delito. Durante o julgamento, Gilmar optou por se manifestar exclusivamente para a defesa e os membros do júri.
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A promotoria indicou Gilmar como o responsável direto pela execução do assassinato, apontando sua mãe, Marluce Pereira dos Santos, como a suposta mandante. No entanto, o réu declarou aos jurados ter grande apreço pela genitora, descrevendo-a como “mãe e pai” em sua trajetória.
Todavia, o julgamento dos demais envolvidos no caso ainda não possui data definida, uma vez que o processo referente a eles aguarda a decisão de um recurso junto ao Tribunal de Justiça.
O relato de Gilmar Pereira Calmos sobre o dia do assassinato
Gilmar narrou que, na data do crime, 3 de agosto de 2024, estava realizando serviços de reforma nos fundos do terreno onde residiam os pais da vítima e os outros acusados. Após almoçar e descansar, ele retornou ao trabalho e afirmou não ter percebido a chegada de Magna ao local.
Posteriormente, o réu declarou ter presenciado a vítima proferindo ameaças contra sua mãe, Marluce. Em uma tentativa de intervir e compreender o motivo da altercação, Gilmar teria questionado a discussão, momento em que Magna arremessou uma xícara de café em sua direção.
Em seguida, conforme sua versão, a vítima perdeu o equilíbrio e caiu próximo a um balde, onde havia uma chave de fenda que teria sido utilizada para agredir Gilmar. Dominado pela emoção e pelo temor de perder a vida, ele então teria empunhado uma faca e desferido golpes no peito e no pescoço de Magna.
No Tribunal do Júri, o acusado assegurou que sua atitude não foi impulsionada pela raiva, mas sim pelo medo. Ele acrescentou que teve a intenção de se entregar, mas o receio de se afastar da família o levou a optar por ocultar o corpo na cisterna e cobri-lo com cimento.
Gilmar declarou que ignorava a existência de empréstimos e débitos que envolvessem sua mãe e irmãs. Acrescentou que, caso estivesse ciente da situação, teria se proposto a quitar os valores. Ao final, ele expressou seu pedido de perdão, reiterando que não desejava ter cometido o ato.

A apuração policial diverge da versão do réu
A narrativa apresentada pelas autoridades encarregadas da investigação diverge significativamente do depoimento do réu. A apuração policial indica que a causa do crime estaria ligada à descoberta de um esquema de fraude contra um idoso, perpetrado pela madrasta da vítima e seus filhos, uma motivação central que contrasta com a alegação de autodefesa do acusado.
O montante total do prejuízo, conforme as investigações, atingiu R$ 50 mil, dos quais aproximadamente R$ 9 mil foram utilizados no “jogo do tigrinho”. A polícia ainda revelou que os suspeitos realizaram um empréstimo em nome do idoso e o persuadiram a assinar um documento de doação da residência onde ele reside.
Conforme a denúncia, a vítima se dirigiu à casa do pai na expectativa de receber o dinheiro. Depois de comunicar que iria ao encontro dos familiares, ela desapareceu, levando seu marido a registrar o sumiço. O corpo de Magna foi localizado somente em 27 de agosto, em uma cisterna situada no quintal da residência de seu pai.















