Canetas para emagrecer: as transformações corporais que vão além da balança e focam em recomposiçãoPor Carolina Costa
5 min de leitura
![]() |
As canetas emagrecedoras estão redefinindo a abordagem sobre o tratamento da obesidade e do sobrepeso, ao mesmo tempo em que provocam um debate intenso sobre os impactos do emagrecimento acelerado. A ampla divulgação desses fármacos por celebridades e figuras públicas, que discutem abertamente suas jornadas de perda de peso e as mudanças em seus corpos, trouxe à tona preocupações como flacidez, excesso de pele e a diminuição da massa muscular em diversas plataformas e consultórios. Atualmente, a prioridade não se restringe apenas à redução de gordura, mas também abrange estratégias para a preservação e recuperação dos músculos ao longo desse processo.
Apesar de os medicamentos análogos de GLP-1 representarem um avanço significativo no manejo da obesidade por controlarem o apetite e facilitarem a redução de peso, especialistas advertem que o processo de emagrecimento rápido pode resultar na perda de massa magra.
“O emagrecimento rápido, contudo, pode vir acompanhado de uma consequência notável: a redução da massa muscular. Essa diminuição da massa magra é uma questão que tem crescido em importância, uma vez que os músculos desempenham papéis cruciais no organismo, incluindo a manutenção do metabolismo, a estabilidade articular, a proteção óssea e o controle da glicemia. Por essa razão, as abordagens para manter ou restaurar a musculatura são cada vez mais debatidas no contexto da perda de peso induzida por medicamentos”, explica a cirurgiã plástica Heloise Manfrim.
Conforme a médica, a avaliação do tratamento da obesidade não deve se limitar ao peso indicado na balança, mas sim à análise da composição corporal. “Diminuir a gordura é importante, mas preservar os músculos é vital para a saúde metabólica e a funcionalidade do corpo”, complementa.
A perda de volume muscular durante o emagrecimento acelerado ocorre com maior frequência em indivíduos sedentários ou que consomem proteínas de forma insuficiente. Por isso, a principal orientação continua sendo a combinação de uma dieta balanceada com exercícios de força, que estimulam a hipertrofia, ajudam a conservar a massa magra e melhoram a sensibilidade à insulina.
Mesmo com essas recomendações, nem todos conseguem restaurar o volume muscular apenas com exercícios e alimentação. “Nesse cenário, a atividade física, especialmente o treinamento de força, permanece como a ferramenta mais eficaz para estimular o crescimento muscular. A prática regular contribui para a manutenção da massa magra, aprimora a sensibilidade à insulina e promove um emagrecimento mais saudável. No entanto, alguns pacientes encontram dificuldades em recuperar o volume muscular apenas com treino e dieta, e, nesses casos, intervenções médicas são aconselháveis”, afirma o cirurgião plástico Carlos Manfrim.
Entre as opções disponíveis nos consultórios, destacam-se aparelhos que utilizam campo eletromagnético focado de alta intensidade (HIFEM), capazes de gerar contrações musculares intensas e involuntárias. Segundo o dermatologista Abdo Salomão Jr., essas tecnologias complementam o tratamento, mas seus resultados dependem diretamente da adoção de hábitos saudáveis.
“As tecnologias de estímulo muscular são fundamentais para esses pacientes, que necessitam ajustar a alimentação para favorecer o desenvolvimento dos músculos. Procedimentos como o T Sculptor Plus, por exemplo, promovem 70 mil contrações em uma sessão de 30 minutos. Em termos práticos: é como exercitar-se de forma muito mais intensa do que seria possível voluntariamente e sem esforço físico”, detalha o especialista.
De acordo com o médico, o estímulo gera contrações repetitivas que podem contribuir para o aumento do volume e da força muscular, além de auxiliar na redução de gordura devido ao maior gasto energético. Contudo, ele enfatiza que o método não substitui a prática de atividade física regular.
Na área da cirurgia plástica, uma das alternativas é a lipoenxertia intramuscular, também conhecida como UGraft. Essa técnica envolve a coleta de gordura do próprio paciente, que é então aplicada em músculos específicos para aprimorar o contorno e a definição corporal.
“O procedimento consiste na retirada de gordura de determinadas áreas do corpo do paciente, seguida pela purificação desse material e sua aplicação controlada diretamente no interior de músculos específicos, com o propósito de aumentar o volume e melhorar o contorno corporal”, explica o Dr. Carlos.
Celebridades optam pelo uso de medicamentos como o Ozempic
A técnica do UGraft, por ser indicada em casos selecionados, pode ser uma alternativa para quem enfrenta perda de massa muscular associada ao emagrecimento, ao processo de envelhecimento ou a condições clínicas como sarcopenia, sarcobesidade e lipedema. A escolha do tratamento, entretanto, exige uma avaliação individualizada para cada paciente.
“A técnica não substitui a importância de hábitos saudáveis e deve ser integrada como parte de uma abordagem mais abrangente de saúde. Nenhum procedimento cirúrgico pode substituir o exercício físico. O ideal é que o paciente esteja inserido em um programa de atividade física, alimentação equilibrada e acompanhamento médico contínuo. A cirurgia e a aplicação de equipamentos de eletroestimulação muscular podem complementar esse processo em situações específicas”, afirma a Dra. Heloise.
Para os profissionais da saúde, o conceito que ganha cada vez mais relevância é o da recomposição corporal, que foca não apenas na redução de gordura, mas no equilíbrio ideal entre massa magra e tecido adiposo.
“Atualmente, o diálogo sobre recomposição corporal está cada vez mais presente. O objetivo principal não é apenas perder peso, mas sim otimizar a proporção entre gordura e músculo, garantindo simultaneamente saúde, funcionalidade e estética”, conclui o Dr. Carlos.







