Chuvas torrenciais na Costa do Marfim e em Gana provocam 72 mortes e intensificam alertas climáticos na África OcidentalPor Bruna
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As fortes chuvas que atingem a Costa do Marfim desde maio já provocaram a morte de 59 indivíduos, conforme revelado pelas autoridades em Abidjan. Somando os 13 óbitos registrados em Gana, o total de vítimas fatais na região da África Ocidental chega a pelo menos 72 pessoas devido às enchentes recentes.
O ministro Amadou Coulibaly expressou preocupação com a possibilidade de um agravamento no balanço de vítimas. As operações de busca e salvamento prosseguem intensamente, enquanto a temporada de chuvas, que se estende de maio a julho, ainda está em curso na região.
As fatalidades recentes somam-se a uma série de eventos climáticos severos que assolaram o oeste africano, caracterizado por precipitações incessantes e de alto risco. Há uma expectativa oficial de que as condições meteorológicas adversas possam piorar nos próximos dias, com registros visuais nas plataformas digitais mostrando extensas áreas urbanas completamente alagadas e a população buscando refúgio.
Em Gana, país fronteiriço, o corpo de bombeiros confirmou o resgate de mais de 400 pessoas e um mínimo de 13 mortes confirmadas até a última terça-feira. O presidente John Mahama, em comunicado nas redes sociais, destacou que o volume de chuva alcançou cerca de 140 milímetros, superando drasticamente o recorde anterior de 56 milímetros para um único dia, registrado no ano anterior.
Representantes governamentais apontam que a intensidade letal das inundações está diretamente ligada ao aumento da frequência e severidade de fenômenos climáticos extremos, impulsionados pelas mudanças climáticas. A Organização Meteorológica Mundial reforça que, embora a África tenha uma participação reduzida na emissão de gases de efeito estufa, o continente exibe uma fragilidade acentuada frente a essas ocorrências.
Contudo, a gestão ineficiente de resíduos e o crescimento desordenado das cidades, que sobrecarrega as infraestruturas já existentes, também são identificados como contribuintes para a magnitude dos desastres.
Depois de inspecionar as regiões atingidas por via aérea na segunda-feira, o presidente Mahama elucidou que a capital Accra foi erguida entre a cordilheira de Akwapim e o Oceano Atlântico. Essa localização, que antes não representava um desafio para uma cidade de menor porte, agora se mostra crítica.
O mandatário observou que a expansão populacional e a edificação de novas residências têm restringido progressivamente o fluxo dos rios em direção ao Atlântico. Ele também criticou a conduta da população, que descarta detritos em sistemas de drenagem e em áreas úmidas, prática observada até mesmo durante o sobrevoo.
As cidades de Accra e Tema, próximas uma da outra, viram suas edificações e vias de acesso ficarem submersas, interrompendo o trânsito. Em vários pontos, as inundações provocaram curtos-circuitos em instalações elétricas, resultando em focos de incêndio.
Outras nações como Benim, Togo e Nigéria também foram afetadas pelas enchentes, embora não haja relatos de vítimas fatais nessas localidades. Na capital nigeriana, Lagos, a interconexão de ilhas com a massa continental foi severamente impactada, resultando na paralisação de uma subestação elétrica e na interrupção do serviço para diversas comunidades.
A Agência Meteorológica da Nigéria (NiMet) havia emitido previsões de precipitações “acima da média” para este ano, abrangendo Abuja e nove estados, incluindo regiões ao norte do país que, no ano anterior, registraram a mais grave inundação em seis décadas. Adicionalmente, entre dezembro passado e fevereiro, vastas áreas do sul e norte africano já haviam enfrentado eventos de inundações catastróficas.







