Ataque com explosivos em Damasco perto de hotel de Macron, presidente da França, deixa 18 feridos durante visita presidencial na SíriaPor Luís Henrique Costa
Atualizado 5 min de leitura
![]() |
Duas detonações foram registradas em Damasco, a capital síria, na terça-feira (7), nas imediações do hotel que hospeda o presidente francês Emmanuel Macron. O episódio resultou em 18 pessoas feridas, conforme informações divulgadas pelo governo da Síria.
Representantes da presidência francesa confirmaram que o líder está em segurança e não percebeu os estrondos. Macron, em uma visita oficial ao país, teve um encontro com o presidente sírio, Ahmed al-Sharaa, pouco após os acontecimentos.
Até o momento da publicação desta matéria, não havia confirmação sobre a possível conexão entre as explosões e a agenda diplomática de Macron.
A agência oficial síria informou que dois artefatos explosivos foram detonados em uma via de grande movimento na capital, situando-se entre o Ministério do Turismo e o museu nacional da Síria, e nas proximidades do hotel Four Seasons, local de hospedagem de Macron. Entre os 18 feridos contabilizados pelas explosões, quatro eram policiais.
Os incidentes destacam a complexidade dos desafios de segurança que persistem na Síria no período que se seguiu ao regime de Bashar Al-Assad. A visita de Macron é notável por ele ser o primeiro chefe de Estado de uma nação proeminente da União Europeia a ir ao país desde que insurgentes, sob a liderança de Sharaa, depuseram o ex-ditador sírio em 2024. Este gesto diplomático, que sinaliza o restabelecimento de laços, contrasta com a persistente instabilidade que os ataques revelam, evidenciando as tensões latentes apesar da transição política.
O primeiro dos artefatos explodiu minutos depois que a comitiva de Macron partiu do local, seguindo em direção ao palácio presidencial.
Registros visuais de uma agência de notícias internacional revelaram labaredas e fumaça densa emergindo de um contêiner de lixo, enquanto uma segunda explosão era capturada por câmeras a poucos metros dali. A segunda detonação ocorreu junto a uma ambulância que estava estacionada no local, onde aproximadamente vinte indivíduos haviam se aglomerado.
Uma área próxima a estabelecimentos comerciais ao fundo exibia chamas e uma espessa fumaça escura, enquanto equipes de socorro se empenhavam em controlar o fogo.
Filmagem de uma agência internacional de notícias registrou o comboio presidencial percorrendo uma rodovia em direção ao palácio presidencial, antes das explosões – o percurso entre o hotel e o palácio é de aproximadamente 7 quilômetros. Fotografias posteriores documentaram o presidente francês ao lado de Sharaa e em reuniões com outros representantes do governo e oficiais militares sírios.
A polícia síria deu início a operações de busca para localizar os autores dos ataques, conforme noticiado por uma emissora estatal, que citou uma fonte ligada à segurança. Uma autoridade local revelou que ruas foram interditadas e providências de segurança adicionais foram postas em prática depois dos eventos explosivos.
O gabinete presidencial da França declarou que os ruídos das explosões não foram percebidos pelo comboio de Macron, e um repórter de uma agência de notícias que acompanhava o presidente tampouco ouviu as detonações ou notou qualquer alteração na normalidade dos compromissos matinais.
A assessoria de Macron informou que o chefe de Estado francês tinha a intenção de prosseguir com a agenda planejada para o dia, ignorando os incidentes.
Horas depois das detonações e do encontro com Al-Shaara, Macron utilizou suas plataformas digitais para comunicar que sua visita à Síria seria mantida, embora não tenha feito referência direta aos incidentes.
“Nesta manhã, deparei-me com a Síria em sua vasta diversidade. Testemunhei dignidade, bravura e resiliência. (…) Nada será capaz de calar o anseio do povo sírio por uma nação plenamente soberana, segura, pluralista e unida”, declarou o presidente.
Os desafios da transformação política na Síria
A pauta da visita de Macron visava evidenciar as mudanças políticas na Síria sob a liderança de Al-Sharaa, figura que construiu relações mais estreitas com nações ocidentais e do Oriente Médio, que anteriormente mantinham um isolamento em relação a Assad.
O atual governo sírio também está empenhado na recuperação de um país arrasado por 13 anos de conflito. Ao longo da guerra civil síria, diferentes facções militantes, como o Estado Islâmico, estabeleceram uma forte presença territorial.
No decorrer da semana anterior, um atentado a bomba em uma cafeteria de Damasco causou a morte de nove pessoas e deixou outras 20 feridas. Até o momento, nenhuma organização reivindicou a autoria do ataque.
O grupo extremista Estado Islâmico assumiu a responsabilidade por múltiplos ataques dirigidos às forças governamentais na Síria desde fevereiro, ocasião em que a organização jihadista declarou o início de uma nova fase de ofensivas contra a administração de Sharaa.
Sharaa, que pertence à maioria muçulmana sunita da Síria, havia prometido estabelecer uma nova ordem mais inclusiva no país, após o fim de mais de cinco décadas de domínio autoritário da família Assad. Contudo, essa promessa tem sido posta à prova por recorrentes episódios de violência, envolvendo confrontos entre forças leais ao governo e integrantes de minorias religiosas e étnicas, resultando em centenas de mortes no ano anterior.








