Inflação de alimentos: quais itens subiram e quais baratearam no primeiro semestre
O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), considerado a inflação oficial do Brasil, registrou uma alta de 0,16% em junho, conforme dados divulgados na sexta-feira, 10 de julho de 2026, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Em um movimento de alívio para os consumidores, a inflação de alimentos teve uma queda de 0,24% no mesmo mês, exercendo o maior impacto negativo sobre o índice geral. No entanto, mesmo com essa desaceleração, o primeiro semestre do ano foi marcado por uma variação complexa nos preços, onde enquanto alguns produtos ficaram mais acessíveis, outros itens essenciais da mesa do brasileiro registraram altas expressivas.
Desempenho geral da inflação em junho e o papel dos alimentos
No panorama econômico de junho, o grupo Habitação se destacou com a maior alta de preços, exercendo a maior pressão sobre o índice inflacionário geral. Por outro lado, o setor de alimentos e bebidas apresentou uma variação negativa de 0,24%, contribuindo para a moderação do IPCA. Esta queda nos alimentos foi impulsionada, principalmente, pela redução nos preços de produtos consumidos em casa, após uma alta em maio.
Os preços dos alimentos para consumo doméstico caíram 0,39%, revertendo a tendência de alta anterior. A redução foi influenciada por itens como café moído, frutas e carnes, que tiveram suas cotações em queda. Em contraste, o feijão-carioca e a batata-inglesa registraram aumentos notáveis. Para a alimentação fora de casa, a alta foi de 0,15%, uma desaceleração em relação ao mês anterior.
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Alimentos que encareceram substancialmente no primeiro semestre
Apesar da deflação recente no setor alimentício, uma análise mais detalhada do primeiro semestre revela que muitos itens importantes para o dia a dia do brasileiro ficaram consideravelmente mais caros. Problemas climáticos e desafios na produção agrícola foram apontados como as principais causas por trás dessas elevações, afetando diretamente o custo de vida.
- Pepino: 155,47%
- Cenoura: 103,14%
- Tomate: 82,41%
- Batata-inglesa: 82,11%
- Morango: 60,97%
- Cebola: 53,34%
- Feijão-carioca (rajado): 52,82%
- Repolho: 29,79%
- Açaí (emulsão): 27,64%
- Abobrinha: 23,46%
- Feijão-preto: 22,62%
- Leite longa vida: 22,08%
- Couve-flor: 21,96%
- Brócolis: 19,72%
- Feijão-mulatinho: 19,22%
- Manga: 19,17%
- Couve: 17,73%
- Batata-doce: 15,92%
- Peito bovino: 13,02%
Produtos que ficaram mais acessíveis para o consumidor
Em contraste com os aumentos observados, alguns alimentos registraram quedas notáveis de preço no mesmo período. Essas reduções podem aliviar um pouco o orçamento das famílias, oferecendo alternativas para a composição da cesta de compras e permitindo maior poder de escolha ao consumidor.
- Abacate: -41,3%
- Laranja-baía: -32,81%
- Laranja-lima: -23,36%
- Banana-maçã: -18,9%
- Maracujá: -12,93%
- Café moído: -11,49%
- Maçã: -11,03%
- Açúcar refinado: -10,78%
- Limão: -9,45%
- Óleo de soja: -9,25%
- Banana-d’água: -8,31%
- Açúcar demerara: -8,23%
- Açúcar cristal: -7,77%
- Laranja-pera: -7,03%
- Azeite de oliva: -6,67%
- Carne de porco: -5,64%
- Farinha de trigo: -4,77%
- Pimentão: -4,73%
- Café solúvel: -4,34%
- Frango em pedaços: -4%
Impacto do clima no encarecimento das hortaliças
A elevação acentuada nos preços de hortaliças como pepino, cenoura e tomate não é aleatória e reflete desafios na cadeia produtiva. Relatórios setoriais indicam que fenômenos climáticos extremos e a diminuição da produtividade em fases cruciais da safra são os principais culpados por esses aumentos, impactando diretamente a disponibilidade e o custo no mercado.
O pepino, por exemplo, teve sua produção afetada pelo calor intenso nas principais regiões produtoras, especialmente em São Paulo e Minas Gerais. A alta temperatura reduziu a quantidade de colheita por hectare, resultando em menor volume disponível no mercado e consequente elevação dos preços para o consumidor.
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Já a cenoura enfrentou um excesso de chuvas em parte de sua safra, o que comprometeu a qualidade das raízes, levando a deformações e doenças. Isso diminuiu a quantidade de cenouras aptas para comercialização, impactando diretamente o valor final do produto.
Para o tomate, as variações de temperatura, com quedas e aumento da umidade, atrasaram o amadurecimento dos frutos. Além disso, as condições favoreceram a proliferação de fungos e bactérias nas lavouras, resultando em menor produtividade e, consequentemente, preços mais altos.
Outros fatores que influenciaram a inflação geral de junho
Além dos alimentos e da habitação, outros grupos também tiveram impacto no IPCA de junho. As Despesas Pessoais apresentaram a segunda maior alta, com reajustes em serviços como empregado doméstico e cabeleireiro, que registraram aumentos significativos.
Na categoria de Saúde e Cuidados Pessoais, houve um aumento puxado principalmente pelos artigos de higiene pessoal, com destaque para perfumes. Os planos de saúde também contribuíram para essa elevação, refletindo o reajuste anual autorizado pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), que passou a valer a partir de maio e impactou os segurados.
A energia elétrica residencial, embora tenha desacelerado em sua alta em comparação com o mês anterior, continuou sendo um dos itens de maior peso no grupo Habitação. A manutenção da bandeira tarifária amarela, que adiciona um valor extra por cada 100 kWh consumidos, seguiu pressionando o custo das contas de luz para as famílias brasileiras.

















