Mbappé critica extrema direita de Marine Le Pen e mobiliza jovens durante a Copa do Mundo 2026Por Maria
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A seleção francesa de futebol, com seu capitão Kylian Mbappé, avançou sem grandes dificuldades para a semifinal da Copa do Mundo e agora compete por uma vaga na decisão contra a Espanha, na terça-feira, 13 de julho de 2026.
Enquanto isso, a principal figura da extrema direita na França, Marine Le Pen, consolidou sua posição e está à frente nas pesquisas de intenção de voto. Ela obteve permissão para disputar as eleições presidenciais de abril de 2027 pela quarta vez, mesmo utilizando tornozeleira eletrônica.
Historicamente, a equipe nacional, conhecida como “Les Bleus”, e os líderes da extrema direita mantêm posições divergentes, o que gera um relacionamento tenso. A diversidade cultural da seleção, que alcançou as finais das duas últimas Copas, se choca com a mensagem anti-imigração difundida pelo partido Reunião Nacional (RN), comandado por Le Pen e seu vice, Jordan Bardella.
A composição do time espelha a realidade de uma nação construída pela imigração. Entre os 26 jogadores convocados, apenas três não são nascidos na França. A maioria possui raízes em antigas colônias e vem de regiões periféricas. O pai de Mbappé, por exemplo, é camaronês, e sua mãe é de ascendência argelina; contudo, o atacante destaca sua identidade como cidadão francês.
Por essa razão, antes do início da Copa do Mundo, Mbappé utilizou sua influência para encorajar os jovens a participar ativamente das próximas eleições. Em uma declaração, ele classificou o crescimento de movimentos de extrema direita como uma tragédia e advertiu que o destino da França estava em questão.
“Eu sei o que isso significa e que tipo de consequências pode ter para o meu país quando esse tipo de gente assume o controle. Então, somos cidadãos. Temos o direito de expressar nossa opinião como qualquer outra pessoa”, afirmou o jogador em sua manifestação.
Outros atletas, incluindo Ousmane Dembélé, Jules Koundé e Marcus Thuram, aderem ao posicionamento político do capitão, o que provoca a indignação de Le Pen e Bardella. No entanto, o excelente rendimento da equipe campeã torna difícil criticar abertamente seus principais talentos.
A atual extrema direita enfrenta barreiras para contestar publicamente a diversidade ou a identidade dos atletas, um contraste com a postura adotada por Jean-Marie Le Pen, pai de Marine, há cerca de trinta anos. Marine Le Pen, apontada como favorita para as eleições de abril, com o objetivo de suceder Emmanuel Macron, opta por caracterizar os jogadores como elitistas e distanciados da população, além de mirar no ativismo político.
“Essa tendência de atores, jogadores de futebol e cantores de dizer aos franceses como eles devem votar — principalmente aqueles que ganham 1.300 euros por mês, enquanto eles próprios são milionários ou até bilionários — está começando a ser mal-recebida em nosso país”, expressou Marine Le Pen.
Contudo, essa afirmação não condiz com a realidade. Os cidadãos franceses apoiam seus ídolos, especialmente em momentos de triunfo. O próprio Mbappé, ao jogar pela seleção, doa integralmente seus prêmios e bônus para instituições de caridade, reiterando: “Não preciso ser pago para defender as cores do meu país.”
Na visão do colunista Phillipe Bernard, a seleção da França serve como um lembrete ao país sobre sua diversidade e a “grande mistura” que caracteriza sua sociedade. Ele observou que o cruzamento entre futebol e a identidade francesa não é um fato inédito.
“Quanto mais Kylian Mbappé e seus companheiros de equipe acumularem sucessos na Copa do Mundo, mais a identificação da França com sua seleção, um coletivo etnicamente diverso e globalmente celebrado, deverá ser motivo de alegria. A discrepância entre uma França diversa e vitoriosa e as tristes paixões identitárias do partido de extrema-direita RN também deverá se tornar mais evidente”, analisou Bernard.
Le Pen e Bardella prefeririam que Mbappé e os demais jogadores se limitassem a jogar, permanecendo em silêncio e apolíticos, a exemplo de outras seleções. Contudo, na equipe francesa, o multiculturalismo é uma força, e a neutralidade é inviável. “Você pode ser um jogador, pode ser uma estrela internacional, mas acima de tudo, você é um cidadão”, confirmou o capitão Mbappé.







