Mulher descobre 38 parasitas no cérebro após retornar de viagem de férias na ÍndiaPor Beatriz
6 min de leitura
![]() |
A história de Lowri Denman, que veio à tona nesta sexta-feira, 11 de julho de 2026, no País de Gales, detalha uma descoberta assustadora: a presença de um parasita de um metro de comprimento em seu corpo. Ela descreveu a solitária como “totalmente nojenta, parecendo uma fita crepe com pequenas cristas”.
Este foi o primeiro sinal da neurocisticercose, uma infecção que resultou em 38 parasitas no cérebro da mulher de 42 anos, provocando fortes dores de cabeça, convulsões e episódios de psicose. No Reino Unido, essa condição cerebral, causada por larvas da tênia do porco, é diagnosticada em pouquíssimos indivíduos, tornando o caso de Lowri bastante raro.
Após anos de luta para recuperar a saúde, Denman agora busca transformar sua experiência em algo positivo, aumentando a conscientização sobre a doença.
A viagem à Índia e a provável origem da infecção
Em 2007, Denman fez uma viagem de três meses pela Índia, local onde, segundo seu médico, Brendan Healy, especialista em doenças infecciosas e microbiologia, ela provavelmente contraiu a infecção.
Apesar de ter evitado carne durante a viagem para prevenir intoxicações alimentares, Healy acredita que Lowri pode ter ingerido carne de porco contendo ovos microscópicos de tênia sem saber.
Somente três anos mais tarde, em 2010, a moradora do País de Gales descobriu a tênia. Ela procurou um médico, mas os exames de fezes não mostraram anormalidades e, como se sentia bem, ela seguiu com sua rotina.
Um ano depois, em 2011, Denman começou a sofrer com dores de cabeça intensas, culminando em sua primeira convulsão. Ela relata que passou a ter dificuldades para encontrar palavras e, de repente, se viu em uma ambulância, confusa sobre o que havia acontecido.
Após ser internada, passar por uma ressonância magnética e uma tomografia computadorizada, Lowri foi chamada para receber os resultados dos exames.
“O médico fez com que eu me sentasse e disse que havia encontrado 38 parasitas no meu cérebro”, ela recorda. A notícia deixou Lowri e sua mãe perplexas, sem entender o que aquilo significava.
Inicialmente, a família pensou em toxoplasmose, uma infecção associada ao contato com fezes de gatos. Contudo, a mãe de Lowri questionou se a convulsão poderia estar relacionada à tênia descoberta um ano antes.
Novas investigações levaram ao diagnóstico final de neurocisticercose. Denman conta que havia muitas perguntas na época, pois elas não sabiam o que aconteceria com sua saúde.
Como a neurocisticercose é transmitida e seus riscos
A Taenia solium, conhecida como tênia do porco, é encontrada em diversas partes do mundo, sendo mais comum em regiões da América Latina, sul e sudeste da Ásia, e África subsaariana. A falta de saneamento básico contribui para a proliferação do parasita, especialmente em áreas onde humanos e porcos vivem em proximidade, conforme apontado pelos Centros de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos (CDC).
A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que até 8,3 milhões de pessoas globalmente sofram de neurocisticercose, apresentando ou não sintomas. A doença é uma das principais causas de epilepsia em regiões endêmicas e pode ser prevenida, destacando a importância do saneamento e da higiene pessoal.

É possível contrair a tênia adulta ao comer carne de porco crua ou mal cozida, mas essa forma de contaminação não provoca diretamente a neurocisticercose.
Uma pessoa infectada com o parasita pode expelir ovos microscópicos nas fezes. Se a higiene das mãos for inadequada após o uso do banheiro, esses ovos podem contaminar água ou alimentos e serem ingeridos por outras pessoas.
Dentro do corpo humano, os ovos se transformam em larvas, que são capazes de formar cistos em diversos órgãos, como músculos, coração e olhos. Este processo é denominado cisticercose.
Quando esses cistos se desenvolvem no cérebro ou na medula espinhal, a condição evolui para a neurocisticercose, que é a manifestação mais grave da doença.
Denman permaneceu internada por duas semanas, recebendo medicamentos antiparasitários e esteroides, um tratamento que inicialmente trouxe bons resultados.
Ela conseguiu manter uma boa saúde por vários anos, até que desmaiou no trabalho. Exames de imagem subsequentes revelaram inchaços consideráveis no cérebro, ao redor dos parasitas.
Após o desmaio, ela passou a sofrer de confusão, dormência e formigamento pelo corpo. Acabou deixando o emprego e se mudando para a casa de seu pai.
O uso de esteroides causou mudanças em sua aparência e, com a vida mais limitada, Lowri começou a sentir-se desanimada, culminando em um colapso da saúde mental. Ela descreveu o surgimento de paranoia, psicose, forte ansiedade e ataques de pânico.
Lowri Denman passou seis semanas em um hospital neuropsiquiátrico. Ela relatou ter se sentido fora de controle, com sua família profundamente preocupada com a escalada da situação.
O caminho para a recuperação foi longo, e ela só conseguiu retornar ao trabalho em 2022.
O médico Brenan Healy descreveu Lowri Denman como uma paciente singular em sua carreira, cujo caso foi amplamente discutido pelos principais especialistas do Reino Unido e dos Estados Unidos.
Healy ressaltou a extrema raridade do caso, afirmando que muitos especialistas em doenças infecciosas jamais verão um paciente com uma condição semelhante.
Após anos de acompanhamento médico, os parasitas no cérebro de Lowri Denman calcificaram, eliminando a necessidade de cirurgia para sua remoção física.
Healy explicou que o tratamento foi focado em “matar todos os ovos e, felizmente, eles agora parecem ter saído pelo outro lado”.
A última convulsão de Denman ocorreu em 2017, mas ela precisará de medicação contínua para epilepsia pelo resto de sua vida.
Lowri Denman expressou sua determinação em criar algo positivo a partir de sua provação. “O que quero, agora, é progredir na vida e difundir o conhecimento sobre esta doença”, afirmou ela.
“Estou feliz por estar viva, saudável e novamente em boa forma. E nunca me esqueço de valorizar isso”, concluiu.







