Estudante de educação física foge após assediar moradora em academia

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Homem é denunciado por importunação sexual em Feira de Santana — Reprodução/Redes Sociais Foto: Homem é denunciado por importunação sexual em Feira de Santana — Reprodução/Redes Sociais

A rotina de exercícios de uma moradora de Feira de Santana, no interior da Bahia, foi interrompida por um crime que mobilizou as forças de segurança locais no dia 19 de julho de 2026. A Polícia Civil do estado realiza buscas intensivas para localizar Pedro Henrique Sales, um estudante de educação física de 21 anos. O rapaz foi flagrado cometendo atos de importunação sexual dentro da academia do condomínio onde ambos residiam, localizado no bairro SIM. Após a descoberta do delito, o suspeito evadiu-se do local e permanece foragido das autoridades.

O caso ganhou notoriedade pela forma como a infração foi descoberta, evidenciando a vulnerabilidade feminina mesmo em ambientes considerados seguros e de acesso restrito. A vítima, uma mulher de 35 anos, só tomou conhecimento da gravidade da situação momentos depois de encerrar sua atividade física, graças à tecnologia de seu aparelho celular, que captou toda a movimentação no ambiente compartilhado.

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Câmera de celular registrou a ação criminosa durante o treino

Como é um hábito frequente entre criadores de conteúdo para plataformas digitais, a moradora costumava filmar suas séries de exercícios para acompanhar sua evolução física. Antes de iniciar sua caminhada na esteira, ela posicionou o smartphone estrategicamente para capturar o movimento de frente. O vídeo, que possui cerca de dois minutos de duração, acabou se tornando a principal prova material do crime. Durante o processo de edição do material audiovisual, a mulher percebeu uma movimentação estranha ao fundo da imagem.

Ao analisar a gravação com mais atenção, a vítima constatou que o estudante estava posicionado logo atrás dela, praticando atos libidinosos enquanto a observava fixamente. A constatação gerou repulsa imediata. Sem hesitar, a mulher interrompeu o treino, saiu do espaço de convivência e acionou uma guarnição da Polícia Militar. Ela permaneceu em um local seguro nas dependências do residencial aguardando a chegada dos agentes de segurança para registrar a ocorrência inicial.

A percepção do suspeito sobre a gravação parece ter sido o estopim para a sua fuga. Segundo os relatos prestados às autoridades, Pedro Henrique demonstrou um comportamento extremamente agitado logo após a mulher deixar o recinto de forma abrupta. A saída rápida da vítima provavelmente sinalizou ao agressor que sua conduta ilícita havia sido descoberta através da lente do celular.

Suspeito abandona residência e passa a ser procurado pela Justiça

As câmeras do circuito interno de segurança do condomínio registraram os passos seguintes do estudante. Em vez de retornar para o seu apartamento, ele se dirigiu diretamente para a portaria principal, cruzou os portões e desapareceu pelas ruas do bairro SIM. Desde aquele domingo, o indivíduo não retornou ao endereço, o que levou a Polícia Civil a classificá-lo oficialmente como foragido do sistema de justiça baiano.

As investigações estão sob a responsabilidade da Delegacia Especial de Atendimento à Mulher (Deam) de Feira de Santana. Os investigadores já colheram o depoimento detalhado da vítima e realizam diligências contínuas em possíveis endereços ligados ao suspeito e a seus familiares. Até o momento, as incursões policiais não obtiveram sucesso na captura do jovem, mas o cerco continua fechado com o apoio de denúncias anônimas e rastreamento de informações digitais.

Entenda o enquadramento legal da importunação sexual no Brasil

O episódio ocorrido na Bahia joga luz sobre a aplicação da Lei nº 13.718, sancionada em 2018, que tipificou o crime de importunação sexual no Código Penal Brasileiro. Antes dessa legislação, atos obscenos em público muitas vezes eram tratados apenas como contravenções penais de menor gravidade, resultando em impunidade. Hoje, a prática de ato libidinoso contra alguém e sem a sua anuência, com o objetivo de satisfazer a própria lascívia ou a de terceiros, resulta em penas severas e prisão em regime fechado.

A pena prevista para quem comete esse tipo de crime varia de um a cinco anos de reclusão, caso o ato não constitua um crime mais grave, como o estupro. Especialistas em segurança pública orientam que, em situações de assédio ou importunação em ambientes compartilhados como academias, transporte público ou elevadores, as vítimas devem seguir um protocolo rigoroso para garantir a punição do agressor e a preservação das evidências.

  • Preservar qualquer tipo de prova documental, como vídeos de celular, áudios ou mensagens que comprovem a presença do agressor no local do fato.
  • Solicitar imediatamente à administração o bloqueio e a preservação das imagens das câmeras de segurança do estabelecimento ou condomínio.
  • Acionar as forças policiais no momento exato do flagrante, ligando para o número 190, para que a prisão possa ser efetuada antes da fuga.
  • Procurar a Delegacia da Mulher mais próxima para formalizar a denúncia e receber o acolhimento psicológico e jurídico necessário oferecido pelo Estado.
  • Identificar possíveis testemunhas que estavam no ambiente e que possam corroborar a versão apresentada às autoridades durante o inquérito.

Impactos psicológicos e o posicionamento da administração do condomínio

As consequências de um crime de natureza sexual ultrapassam a esfera jurídica e afetam profundamente a saúde mental da vítima. A mulher de 35 anos relatou aos investigadores da Deam que sua rotina foi drasticamente alterada pelo medo constante. O receio de um encontro inesperado com o agressor foragido fez com que ela modificasse seus horários de trabalho e evitasse circular sozinha pelas áreas comuns do residencial, evidenciando o trauma gerado pela invasão de sua privacidade em um momento de lazer.

Diante da gravidade dos fatos, a administração do condomínio emitiu um comunicado oficial para os moradores e para a imprensa local. A gestão confirmou que tomou todas as medidas cabíveis assim que foi notificada do ocorrido pela moradora. Além de registrar um Boletim de Ocorrência institucional em nome do residencial, o síndico disponibilizou a íntegra das gravações do sistema de monitoramento para auxiliar o trabalho dos peritos da Polícia Civil na montagem da linha do tempo do crime.

A nota divulgada pela administração também reforçou o repúdio a qualquer forma de violência, assédio ou desrespeito dentro das dependências do residencial. O condomínio garantiu que está prestando suporte integral à moradora afetada desde os primeiros minutos após o flagrante e que manterá sigilo absoluto sobre informações sensíveis para não atrapalhar o andamento do inquérito policial. A comunidade local aguarda agora o desfecho das buscas e a consequente responsabilização do estudante perante o sistema judiciário baiano.

Luís Henrique Costa é jornalista formado pela FMU, editor-chefe e fundador do Mix Vale, portal de notícias em atividade desde 2013. Responde pela direção editorial do veículo, que cobre Brasil e mundo em economia, benefícios sociais, esportes, tecnologia, ciência e entretenimento. Atua na área há mais de 15 anos e lidera uma equipe de cerca de 15 colaboradores.

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