Peru descobre batatas liofilizadas incas de 500 anos em excelente estado de conservação

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Batatas liofilizadas foram encontradas no sítio arqueológico de Tambo Viejo - Reprodução/ Lidio Valdez Arqueologo Foto: Batatas liofilizadas foram encontradas no sítio arqueológico de Tambo Viejo - Reprodução/ Lidio Valdez Arqueologo

Arqueólogos no Peru fizeram uma descoberta notável recentemente: batatas liofilizadas que precedem em séculos a formação dos Estados Unidos.

Batizadas de chuño, essas batatas foram localizadas no sítio arqueológico de Tambo Viejo, situado no Vale de Acarí, na região sudoeste do Peru. O achado teve sua publicação recente no periódico Journal of Field Archaeology.

A datação indica que as batatas têm aproximadamente 500 anos, período correspondente ao Império Inca.

Imagens do alimento ancestral revelam duas batatas liofilizadas de tonalidade marrom, com uma aparência enrugada, mas que mantêm notavelmente sua forma e cor, assemelhando-se de forma surpreendente a produtos agrícolas contemporâneos.

A conservação das batatas é considerada “excelente”, afirmou Lidio Valdez, professor de arqueologia na Universidade de Calgary e líder da escavação.

Valdez mencionou que as duas batatas liofilizadas encontradas exibem semelhanças notáveis.

“A única distinção é que as amostras descobertas são pequenas; parece que, com o passar do tempo e a aridez da área, seu tamanho original diminuiu”, explicou. “Não há como determinar sua idade avançada apenas pelas amostras.”

A relevância da descoberta, segundo Valdez, reside em demonstrar a capacidade dos Incas de transportar alimentos por grandes distâncias.

“Batatas liofilizadas só podem ser produzidas em altitudes elevadas”, esclareceu. “Posteriormente, o chuño era armazenado em depósitos estatais, muitos dos quais também construídos em grandes elevações.”

“Visto que o estado inca executava inúmeros projetos por todo o império, essas empreitadas envolviam milhares de trabalhadores, que precisavam ser alimentados pelo estado. Dessa forma, é provável que oficiais do governo mobilizassem grandes quantidades de chuño dos depósitos, transportando-os em caravanas de lhamas.”

No sítio de Tambo Viejo, as batatas eram então colocadas em recipientes de cerâmica e guardadas no subsolo para prevenir o desperdício alimentar.

As batatas possuem um elevado teor de água, acrescentou Valdez, o que as impede de durar muito “na maioria dos locais”, tornando os métodos de conservação incas particularmente notáveis.

“Deixe uma batata em sua cozinha por apenas um mês e observe o que acontece”, sugeriu. “Em regiões com chuva e umidade, as batatas apodrecem rapidamente. Por isso, a liofilização era e continua sendo um método eficaz para preservá-las e armazená-las por longos períodos.”

“Parece que, durante o período Inca, grandes volumes de batatas eram cultivados e liofilizados, para então serem guardados em armazéns sob controle estatal.”

Embora as batatas liofilizadas possam parecer um ingrediente especial, Valdez explicou que os Incas as consideravam um alimento básico essencial.

“Aqueles que ergueram o império palácios, estradas e tudo mais que admiramos, como Machu Picchu dependiam do chuño para sua subsistência”, afirmou. “Tudo indica que, na era Inca, imensas quantidades de batatas eram cultivadas e liofilizadas, sendo depois armazenadas em depósitos gerenciados pelo estado.”

O arqueólogo revelou que sua expectativa inicial era aprofundar os conhecimentos sobre o sistema de registro Inca, conhecido como khipus, uma vez que Tambo Viejo funcionava como um centro administrativo. Contudo, a descoberta de métodos de conservação alimentar antigos superou suas expectativas.

Batatas liofilizadas foram encontradas no sítio arqueológico de Tambo Viejo - Reprodução/ Lidio Valdez Arqueologo
Batatas liofilizadas foram encontradas no sítio arqueológico de Tambo Viejo – Reprodução/ Lidio Valdez Arqueologo

Beatriz Lima é colaboradora da redação do Mix Vale, portal de notícias com cobertura de Brasil e mundo. Produz conteúdo nas editorias de economia e benefícios, com foco em informação de serviço para o leitor brasileiro. Escreve para o portal desde 2024.

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