Espermidina, presente em alimentos, eleva resposta imune a vacinas em idosos
Um composto natural, a espermidina, encontrado em alimentos comuns como cogumelos e queijos curados, demonstrou potencial para reforçar a resposta de vacinas em adultos mais velhos. Pesquisadores observaram que a substância pode mitigar os sinais biológicos do envelhecimento do sistema imunológico, conhecido como imunossenescência, conforme estudo divulgado na revista *Aging Cell* na segunda-feira, 20 de julho de 2026. A descoberta sugere um caminho promissor para aprimorar a proteção contra doenças em uma parcela da população mais vulnerável.
O declínio gradual da eficácia do sistema imunológico com a idade impacta diretamente a capacidade do corpo de combater infecções e responder de forma plena às vacinas. Esta diminuição da resposta, ou imunossenescência, pode levar a uma menor proteção após a imunização, conforme observado em vacinas contra a COVID-19 e a gripe, por exemplo. A espermidina, produzida naturalmente pelas células humanas, já havia sido associada a mecanismos de manutenção celular que se tornam menos ativos com o envelhecimento.
Como a espermidina age para melhorar a imunidade na velhice
A pesquisa, liderada pela Dra. Katja Simon, do Centro Max Delbrück de Medicina Molecular, e pela Dra. Ghada Alsaleh, da Universidade de Oxford, investigou o impacto da espermidina na resposta imune. Os resultados indicam que a suplementação diária com o composto aprimorou diversos indicadores de imunidade após a vacinação contra a COVID-19 em idosos. Este efeito é atribuído à capacidade da espermidina de reduzir marcadores associados à imunossenescência e de aumentar a autofagia, um processo vital de reciclagem celular.
A autofagia permite que as células eliminem componentes danificados, mantendo seu funcionamento ideal. Com o envelhecimento, essa função se torna menos eficiente, levando ao acúmulo de células danificadas ou envelhecidas que param de operar normalmente. Ao otimizar a autofagia, a espermidina pode reverter parcialmente esse processo, fortalecendo a capacidade do sistema imunológico de montar uma defesa robusta contra patógenos.
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Resultados positivos em participantes com baixa resposta à vacina
Para conduzir o estudo, Simon e sua equipe recrutaram 40 adultos saudáveis com 65 anos ou mais. Após receberem a terceira dose da vacina contra a COVID-19, os participantes foram divididos em grupos, recebendo seis miligramas de espermidina ou um placebo diariamente por 13 semanas. Surpreendentemente, cerca de um quarto dos voluntários apresentava respostas de anticorpos muito fracas, mesmo após três doses, e suas células imunológicas mostravam sinais claros de envelhecimento biológico, incluindo danos ao DNA.
Entre os participantes que inicialmente tiveram uma resposta insatisfatória à vacina e receberam espermidina, houve uma melhora significativa nos indicadores de imunidade. Eles desenvolveram níveis mais altos de anticorpos contra o SARS-CoV-2 e exibiram maior atividade neutralizante contra diversas variantes virais. Além disso, o suplemento se mostrou seguro e bem tolerado, sem efeitos adversos relatados pelos pesquisadores.
Fontes naturais de espermidina e a necessidade de novos estudos
A espermidina é um composto que pode ser encontrado em uma variedade de alimentos que fazem parte da dieta diária. Entre as principais fontes naturais, destacam-se:
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- Gérmen de trigo: Parte interna do grão de trigo, rico em nutrientes.
- Cogumelos: Várias espécies, incluindo champignon e shiitake.
- Queijos curados: Como o parmesão e o cheddar, que passam por um processo de maturação.
Embora o suplemento tenha mostrado resultados promissores, os pesquisadores alertam que o estudo foi um ensaio piloto com um número limitado de participantes. A Dra. Katja Simon enfatiza a necessidade de ensaios clínicos maiores para confirmar se a espermidina pode melhorar consistentemente as respostas às vacinas e se efeitos semelhantes seriam observados com outras imunizações, como as contra a gripe sazonal. A pesquisa atual abre portas para futuras investigações sobre como otimizar a proteção vacinal em idosos.
Desafios da vacinação em idosos e o futuro da pesquisa
A pandemia de COVID-19 evidenciou a crucial importância da vacinação na prevenção de casos graves e mortes, especialmente entre idosos. No entanto, é um fato conhecido que esta faixa etária frequentemente desenvolve menos anticorpos protetores e células T após a vacinação, um padrão também observado com a vacina da gripe. Esta menor eficácia compromete a saúde pública e a proteção individual.
O projeto que investigou a espermidina contou ainda com a participação de pesquisadores do Oxford Vaccine Group e da Universidade de Cardiff. A possibilidade de um composto simples, presente na alimentação, poder modular a resposta imune em idosos representa um avanço significativo. Se estudos maiores confirmarem esses achados, a espermidina poderá se tornar uma ferramenta complementar importante para fortalecer a proteção em populações vulneráveis, garantindo que as vacinas atinjam seu potencial máximo de defesa contra doenças infecciosas.
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