UBS prevê Selic a 12,75% em 2026 sob dois cenários fiscais distintosPor Beatriz
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A instituição financeira UBS projeta que a taxa básica de juros, a Selic, deve encerrar o ano de 2026 em 12,75%. Apesar de ser uma das estimativas mais conservadoras entre os grandes bancos, o economista-chefe do UBS BB para o Brasil, Alexandre Ázara, ressalta que esse valor não reflete o desfecho que o banco considera mais provável para o país.
Em uma entrevista concedida na terça-feira, 21 de julho de 2026, Ázara explicou que a taxa de 12,75% representa apenas uma média estatística. Ela foi calculada a partir de duas direções econômicas muito diferentes que o Brasil pode tomar após as próximas eleições: uma que prevê um ajuste nas contas públicas e outra que não. Essa nuance é o que realmente importa para a política monetária.
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Na prática, o economista pontua que a Selic dificilmente estacionará exatamente nesse patamar. Caso o mercado financeiro perceba um esforço crível para o reequilíbrio fiscal, o Banco Central teria maior liberdade para intensificar os cortes de juros. Por outro lado, a ausência de uma correção fiscal robusta levaria à interrupção do processo de redução da taxa.
“O cenário-base é a média de dois cenários possíveis. Se você me disser quem ganha a eleição, eu te digo qual é o cenário”, declarou Ázara, enfatizando a dependência da política fiscal.
Segundo o especialista, a exigência do mercado por um número único para o final do ano justifica a projeção agregada, mas internamente o UBS opera com a perspectiva de dois percursos econômicos bastante distintos.
O UBS argumenta que o principal fator que dita a política monetária brasileira não é mais a inflação ou o nível de atividade econômica. Agora, a decisão crucial recai sobre a maneira como o próximo governo conduzirá a política fiscal.
“Não são inflação nem crescimento que vão determinar o caminho da Selic depois da eleição. É a decisão de fazer ou não fazer um ajuste fiscal”, afirmou o economista Alexandre Ázara, sublinhando a mudança de prioridade.
Um cenário onde o ajuste fiscal não ocorre, segundo Ázara, resultaria na paralisação dos cortes de juros pelo Banco Central. Isso viria acompanhado de uma desvalorização da taxa de câmbio, um aumento nas expectativas de inflação e uma potencial entrada do país em recessão.

Em contraste, um ajuste fiscal que seja suficientemente sólido permitiria ao Banco Central promover cortes mais substanciais na Selic, podendo inclusive chegar a 0,50 ponto percentual por reunião.
Para que o cenário de cortes intensos se concretize, o economista detalhou que seria necessário alcançar um superávit primário de aproximadamente 1,5% do Produto Interno Bruto (PIB). No entanto, ele ponderou que ainda não é possível determinar como tal resultado seria alcançado ou qual governo teria o respaldo político para implementá-lo de fato.
No horizonte mais próximo, o UBS ainda prevê espaço para mais dois cortes de 0,25 ponto percentual na Selic. Contudo, para o período seguinte, a avaliação do banco é que o destino dos juros estará muito mais ligado às decisões fiscais que forem tomadas após a definição do novo governo do que aos indicadores econômicos imediatos.















