Corpo de fotógrafa que sumiu em trilha no Paraná é resgatado após cinco dias de buscas intensas
O desfecho trágico para o desaparecimento da jovem de 29 anos, Ana Paula Silveira Cardoso, foi confirmado pelas autoridades paranaenses nesta terça-feira, 30 de julho de 2026. Após cinco dias de angústia e mobilização intensa de equipes de resgate, a profissional de fotografia foi localizada sem vida no poço de uma queda d’água situada no município de Sapopema. A informação oficial partiu do coronel Hudson Leôncio Teixeira, atual secretário de Segurança Pública do Estado do Paraná, que acompanhou de perto os desdobramentos da operação na região de mata nativa.
Operação complexa para a remoção da vítima no interior paranaense
Retirar a vítima do local de difícil acesso exigiu um planejamento minucioso das equipes especializadas. Segundo o comando da Secretaria de Segurança Pública, a estimativa inicial apontava que os trabalhos de içamento e transporte pela trilha levariam pelo menos três horas ininterruptas, devido à topografia extremamente acidentada do terreno. A confirmação preliminar da identidade da jovem ocorreu por meio de registros de imagem capturados pelas equipes de rapel que desceram até o poço profundo onde ela estava submersa.
Cobertura completa: Últimas Notícias
Como ocorreu a tragédia durante a travessia do rio Lajeado Liso
O incidente que culminou na morte da moradora de Londrina, cidade localizada no Norte do Estado, teve início na tarde de 25 de julho de 2026, durante uma visita turística ao Salto das Orquídeas. Acompanhada de uma colega, a vítima explorava as belezas naturais da região quando ambas decidiram acessar um mirante estratégico. Para alcançar o ponto de observação, era estritamente necessário cruzar o curso d’água utilizando um sistema de cordas de apoio instaladas no trajeto.
O cenário, no entanto, era amplamente desfavorável para a prática de ecoturismo naquele momento específico. As precipitações recentes que atingiram o Norte Pioneiro do Paraná alteraram drasticamente o volume e a força do rio. Durante a tentativa de travessia manual, Ana Paula perdeu a aderência, escorregou nas pedras úmidas e acabou sendo arrastada pela força implacável da correnteza, desaparecendo rapidamente em meio às corredeiras violentas.
Sobrevivência extrema e o resgate da segunda turista envolvida
O instinto de solidariedade quase resultou em uma dupla fatalidade no interior da floresta. Ao perceber que a amiga estava sendo levada pelas águas turbulentas, Ana Carolina Camilo tentou intervir imediatamente para puxá-la de volta a uma margem segura. Nesse esforço físico desesperado, ela também perdeu o equilíbrio e despencou no leito do rio, sendo igualmente arrastada por alguns metros antes de conseguir uma chance real de sobrevivência.
Conforme relatos detalhados compartilhados por Valdir Camilo, pai da sobrevivente, a jovem demonstrou uma resistência física e mental impressionante ao conseguir se agarrar firmemente a uma formação rochosa que despontava acima do nível da água. Ferida e impossibilitada de caminhar, ela permaneceu completamente isolada na mata fechada, a cerca de meio quilômetro do ponto inicial da queda. O calvário durou dezoito horas ininterruptas, estendendo-se das 15h do dia 25 de julho até aproximadamente as 9h da manhã do dia seguinte.
Acompanhe: tudo sobre Acidente Em Cachoeira
A salvação de Ana Carolina chegou quando um funcionário do complexo turístico do Salto das Orquídeas realizava a sua rotina matinal de medição do nível da água e ouviu os pedidos de socorro ecoando pelo vale. Com o apoio tático imediato de dois agentes da Polícia Militar, ela foi extraída do local inóspito e encaminhada às pressas para uma unidade hospitalar no município de Cornélio Procópio. Exames clínicos de imagem confirmaram que o impacto da queda causou uma fratura grave em sua coluna vertebral, mantendo-a sob cuidados médicos rigorosos e observação constante.
Desafios geográficos e a força-tarefa montada pelas autoridades
A geografia de Sapopema é amplamente reconhecida no circuito nacional de turismo de aventura por seus cânions estreitos e vales profundos, o que torna qualquer operação de salvamento um verdadeiro desafio logístico. O Corpo de Bombeiros destacou que o trecho do rio Lajeado Liso onde o acidente aconteceu é repleto de obstáculos naturais severos, incluindo três quedas d’água sucessivas e poços escuros cercados por mata ciliar densa. Para agravar a situação das buscas, o volume hídrico estava 40 centímetros acima da cota normal, um reflexo direto do acúmulo de chuvas nas cabeceiras, que aumenta a turbidez da água e anula a visibilidade dos mergulhadores.
Diante da complexidade extrema do cenário, o Estado mobilizou uma estrutura robusta para varrer a área de ponta a ponta. O contingente contou com a participação ativa de aproximadamente 30 profissionais, divididos estrategicamente para cobrir todos os ângulos possíveis do terreno acidentado. A operação multidisciplinar foi estruturada com os seguintes recursos operacionais:
- Equipes terrestres divididas em duas frentes simultâneas, patrulhando exaustivamente tanto a montante quanto a jusante do curso do rio.
- Veículos aéreos não tripulados (drones) equipados com câmeras de alta resolução para mapear fendas, paredões e poços inacessíveis a pé.
- Uma aeronave de asa rotativa fornecendo suporte aéreo tático, transporte rápido de equipamentos e visão panorâmica de toda a bacia hidrográfica.
- Voluntários da comunidade local com vasto conhecimento empírico das trilhas e do comportamento imprevisível das águas na região.
Próximos passos da investigação e exames periciais no Instituto Médico Legal
Com a localização e a extração da vítima concluídas pelas equipes de salvamento, o foco das autoridades estaduais se volta agora para a elucidação técnica e científica do óbito. O corpo da fotógrafa foi devidamente acondicionado e encaminhado ao Instituto Médico Legal (IML) da região, onde passará por exames de necropsia detalhados. O secretário Hudson Leôncio Teixeira enfatizou publicamente que a perícia será fundamental para determinar a dinâmica exata dos momentos finais da jovem no leito do rio.
Os laudos médicos oficiais deverão apontar com precisão se o falecimento ocorreu exclusivamente por asfixia mecânica decorrente de afogamento nas águas turbulentas, ou se houve algum traumatismo craniano ou lesão letal provocada pelo choque violento contra as pedras durante a queda nas corredeiras. A Polícia Civil do Paraná instaurou um procedimento investigativo padrão para documentar todas as circunstâncias do acidente, colhendo depoimentos técnicos dos envolvidos no resgate e aguardando a estabilização do quadro de saúde da sobrevivente para que ela possa prestar sua versão formal dos fatos.














