Projétil misterioso cai em território polonês durante ofensiva russa intensificada na UcrâniaPor Bruna
5 min de leitura
![]() |
Um artefato de origem desconhecida atingiu uma localidade na Polônia, a aproximadamente 95 quilômetros da fronteira com a Ucrânia, nas primeiras horas de 30 de julho de 2026, provocando uma detonação. A informação foi confirmada por autoridades polonesas, em um momento em que a Rússia conduzia uma série de ataques em larga escala contra alvos ucranianos.
O objeto caiu próximo à pequena comunidade de Tarnawa-Kolonia, na região de Lublin, de acordo com um comunicado do Exército polonês. A polícia do país acrescentou que moradores da área reportaram ter escutado uma forte explosão durante a madrugada.
Anteriormente, a Polônia já havia acionado caças em resposta à intensa campanha de bombardeios russos sobre a Ucrânia. Os ataques atingiram vastas áreas do território ucraniano, resultando na morte de pelo menos sete pessoas, incluindo crianças, e deixando diversas vítimas presas sob os escombros.
Essa recente onda de ataques ocorreu um dia depois de o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, encontrar-se com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, na Casa Branca. Na ocasião, Zelensky reiterou seu pedido por sistemas adicionais de defesa antiaérea para seu país.
Em nota oficial divulgada pelo Telegram, o Ministério da Defesa da Rússia declarou ter realizado um “ataque em massa com armas de precisão de longo alcance”, lançadas por terra, ar e mar, além do emprego de drones, mirando instalações militares em toda a Ucrânia.
Os bombardeios recentes se deram em um período crítico, com a Ucrânia registrando o maior número mensal de vítimas civis desde o início da invasão em grande escala, em 2022. Pelo menos uma pessoa perdeu a vida na capital, Kiev, segundo informações das autoridades locais.
No sul da Ucrânia, na cidade de Kryvyi Rih, seis pessoas morreram após um míssil balístico atingir uma residência onde morava uma família grande, conforme relatou Oleksandr Vilkul, chefe da administração militar da cidade, também via Telegram. Entre os falecidos estavam duas meninas, de 5 e 12 anos. Vilkul descreveu a madrugada como “sombria”.
Pelo menos outras oito pessoas ficaram feridas, e Vilkul alertou que o número de mortos ainda pode aumentar, enquanto as equipes de resgate prosseguem com a remoção dos escombros.
Equipes de emergência também trabalhavam para resgatar indivíduos soterrados após um ataque em Lviv, cidade próxima à fronteira com a Polônia. O prefeito Andriy Sadovyi informou sobre a situação, e o chefe da administração militar local confirmou que mais de dez pessoas sofreram ferimentos.
Cenas de desespero e busca por abrigo em áreas atingidas
A Força Aérea da Ucrânia havia alertado, nas primeiras horas daquele 30 de julho, que a Rússia estava lançando sucessivas levas de mísseis contra o país, intensificando a situação.
Registros em vídeo compartilhados em redes sociais mostraram diversas famílias buscando refúgio em estações de metrô superlotadas em Kiev. Algumas pessoas se protegiam no chão, usando cobertores ou pequenas barracas improvisadas.
As imagens mais impactantes dos ataques vieram de Kryvyi Rih, cidade natal do presidente Zelensky.
Registros feitos na vila vizinha de Radushne revelaram corpos espalhados entre os destroços de um edifício completamente destruído, enquanto ainda havia focos de incêndio no local.
Em meio à destruição, a voz de duas mulheres pôde ser ouvida em conversa, embora elas não apareçam nas imagens.
“Conseguimos tirar uma criança. Ainda há outras ali”, disse uma delas, expressando a gravidade do momento.
“Há crianças aqui. Muitas crianças”, respondeu a outra, reforçando o desespero com a situação.
Horas antes da ofensiva, o presidente Zelensky já havia recebido um relatório da Força Aérea indicando que a Rússia preparava um “ataque em massa” contra todas as regiões da Ucrânia, antecipando a escalada.
“Há uma grande probabilidade de que o ataque aconteça esta noite”, alertou o presidente ucraniano na ocasião.
Incêndio em grande depósito após ataque ucraniano em Penza
No mesmo 30 de julho, um centro de distribuição da empresa varejista russa Wildberries pegou fogo na cidade de Penza, no oeste da Rússia. O incidente ocorreu após um ataque com drones ucranianos, conforme informado no Telegram pelo governador regional Oleg Melnichenko.
Uma pessoa ficou ferida no incidente, e aproximadamente 200 foram retiradas do local do incêndio, segundo o governador.
A Ucrânia tem direcionado ataques repetidamente contra centros de distribuição da Wildberries, varejista vista como o equivalente russo da Amazon. Essas ações têm o objetivo de levar os impactos da guerra para o território russo, afetando a rotina e os meios de subsistência da população.
Kiev justifica que as instalações da Wildberries são alvos militares legítimos, argumentando que elas abastecem as tropas russas que estão em combate na linha de frente na Ucrânia. Moscou, por sua vez, nega essa alegação.







