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Desafios do rodízio em São Paulo: eletrificação veicular pressiona política de 30 anos

Trânsito em São Paulo, rodízios de carros
Foto: Trânsito em São Paulo, rodízios de carros - Ronaldo_Silva/ Shutterstock.com
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O rodízio de veículos em São Paulo, medida que restringe a circulação de automóveis em horários de pico, celebra 30 anos de implementação em agosto de 2026. Criada para mitigar o trânsito intenso e a poluição na capital paulista, a política tem sua eficácia questionada atualmente devido ao aumento expressivo da frota e à crescente presença de carros eletrificados, que são isentos da restrição. A discussão sobre o futuro da medida ganha força à medida que a eletrificação avança, impondo novas considerações sobre o controle do fluxo veicular.

Estratégias dos motoristas para evitar a restrição de circulação

Ao longo das três décadas de existência, o sistema de rodízio perdeu parte de sua força original, pois muitos moradores de São Paulo desenvolveram táticas para contornar a proibição. Entre as abordagens comuns estão a aquisição de um segundo veículo com placa de final diferente, a alteração dos horários de deslocamento, o uso de aplicativos de transporte, a opção por motocicletas ou a reestruturação da jornada de trabalho para se adequar aos períodos de restrição.

Gabriel França, advogado especialista em Gestão e Direito de Trânsito, explica que essas adaptações resultam em uma simples mudança de horário ou meio de transporte para as viagens, em vez de eliminá-las por completo. Apesar dessa diminuição na eficácia, especialistas alertam que a liberação total dos veículos nos horários de pico causaria um colapso imediato no tráfego, especialmente nas vias já saturadas da cidade. França reforça que, mesmo com a eficácia reduzida, o rodízio ainda é um fator que restringe parte significativa da circulação.

A controvérsia dos carros elétricos e híbridos no sistema de rodízio

O avanço da frota de veículos eletrificados introduziu uma nova camada de complexidade ao sistema de rodízio. Carros elétricos e híbridos foram inicialmente isentos da restrição com o objetivo de incentivar a adoção de tecnologias menos poluentes. Atualmente, o estado de São Paulo conta com mais de 235 mil veículos eletrificados, a maioria concentrada na capital, segundo dados da Associação Brasileira do Veículo Elétrico.

O que muda para você, motorista paulistano, é que, apesar do benefício ambiental, a crescente quantidade de carros isentos interfere diretamente na capacidade do rodízio de diminuir o número de veículos nas ruas. Embora um automóvel elétrico não emita gases poluentes pelo escapamento, ele ocupa o mesmo espaço físico nas vias que um carro a combustão. André Garcia, advogado especializado nas áreas Ambiental e ESG, questiona a manutenção de uma isenção tão abrangente e permanente. Para ele, o incentivo poderia ser justificado quando a eletrificação ainda buscava escala, mas não deve transformar esses veículos em exceções definitivas às políticas de controle de congestionamento.

Diferenças entre modelos eletrificados na política de isenção

Outro ponto de debate reside no tratamento uniforme concedido a diferentes tipos de tecnologias eletrificadas. Atualmente, veículos elétricos puros, híbridos plug-in, híbridos convencionais e até híbridos leves desfrutam do mesmo benefício de isenção, embora apresentem distintos níveis de emissão e de utilização do motor elétrico. Um detalhe importante é que os híbridos representam cerca de 75% dos veículos eletrificados no estado de São Paulo.

    Gabriel França defende uma regra que considere essas disparidades. Eletrificados se dividem em:

  • Elétricos puros: Não possuem emissões locais pelo escapamento.
  • Híbridos plug-in: Capacidade de percorrer trajetos significativos em modo totalmente elétrico.
  • Híbridos convencionais: Dependem predominantemente do motor a combustão.
  • Híbridos leves: Reduzem as emissões em apenas 10% a 20%.

Uma solução intermediária, conforme sugerem os especialistas, seria retirar gradualmente a isenção do rodízio, mas manter outros estímulos para a compra de carros menos poluentes. Essa abordagem incluiria incentivos tributários, benefícios fiscais, descontos em estacionamentos ou regras temporárias, que seriam revistas periodicamente conforme a frota eletrificada crescesse.

O futuro do rodízio na capital paulista

Especialistas em trânsito e mobilidade consultados entendem que, embora o rodízio tenha perdido sua eficácia inicial para reduzir o número de carros, ele ainda impede que a situação do trânsito piore consideravelmente. Yuri Elias, advogado especialista em Direito de Trânsito, aponta que o rodízio hoje funciona mais como uma ferramenta de gestão de tráfego do que como uma solução definitiva para a mobilidade.

Apesar de o avanço dos veículos eletrificados questionar a justificativa ambiental da restrição, ele não elimina o problema fundamental que sustenta o rodízio: há um número excessivo de automóveis para o espaço disponível nas ruas da cidade. Portanto, a discussão sobre o rodízio não deveria se limitar a sua manutenção ou extinção. A prioridade, segundo os especialistas, deve ser a ampliação e melhoria do transporte público, garantindo que os moradores tenham alternativas viáveis ao carro particular.

Somente após o fortalecimento do transporte público, seria possível considerar medidas mais abrangentes, como pedágio urbano, restrições de circulação por regiões, aumento da cobrança por estacionamentos e expansão das áreas com controle de acesso. Aos 30 anos, o rodízio não pode sozinho resolver os desafios de mobilidade de São Paulo, mas sua remoção sem alternativas criaria um cenário ainda mais crítico. A eletrificação dos carros desafia a lógica das isenções ambientais, mas o crescimento da frota reforça a necessidade contínua de restrições, independentemente do tipo de motorização.

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