Inflação de julho registra quarta queda seguida e mantém acumulado do ano dentro da meta oficial
A inflação brasileira registrou sua quarta queda mensal consecutiva em julho de 2026, com o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) atingindo 0,07%. Este resultado, que representa uma desaceleração significativa em relação aos 0,16% de junho, posiciona o acumulado do ano e dos últimos doze meses dentro do limite superior da meta estabelecida pelo Banco Central, reforçando o cenário de controle inflacionário no país.
A performance do índice em julho foi impulsionada, principalmente, pela redução nos preços de alimentos e bebidas, que exerceram um impacto deflacionário relevante. Apesar de algumas pressões pontuais em setores como habitação e alimentação fora do domicílio, a tendência geral observada é de moderação nos custos para o consumidor, um sinal positivo para a estabilidade econômica.
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Desaceleração contínua e meta do Banco Central
O IPCA de julho marcou 0,07%, uma variação 0,09 ponto percentual inferior à de junho. Com este dado, o índice acumulou alta de 3,44% no ano e de 4,44% nos últimos 12 meses. Este patamar é crucial, pois se mantém abaixo do teto da meta de inflação do Banco Central para 2026, que é de 4,5% (com uma meta central de 3% e margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo).
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Desde março de 2026, o país tem observado uma sequência de recuos no índice mensal. Naquele mês, a inflação foi de 0,88%, seguida por reduções em abril (0,67%), maio (0,58%), junho (0,16%) e agora em julho (0,07%). Essa trajetória descendente contrasta com o cenário de julho de 2025, quando a variação mensal do IPCA havia sido de 0,26%.
Alimentação e bebidas puxam deflação
O grupo Alimentação e Bebidas foi o principal motor da queda inflacionária em julho, registrando um recuo de 0,67% no mês e contribuindo com -0,14 ponto percentual para o resultado geral. Essa retração foi fortemente influenciada pela alimentação consumida no domicílio, que teve queda de 1,14%.
Diversos produtos básicos apresentaram reduções expressivas de preço, aliviando o orçamento das famílias. Entre os itens com maior impacto negativo, destacam-se:
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- Tomate: -29,09%
- Batata-inglesa: -19,59%
- Cenoura: -14,41%
- Café moído: -2,45%
Apesar da tendência de queda generalizada na alimentação doméstica, alguns produtos registraram alta, como o leite longa vida (2,47%) e as frutas (1,20%). Em contrapartida, a alimentação fora do domicílio mostrou uma aceleração, passando de 0,15% em junho para 0,55% em julho, com elevações notáveis no lanche (de 0,13% para 0,76%) e na refeição (de 0,15% para 0,42%).
Variações em outros setores: energia em alta, combustíveis em baixa
O grupo Habitação acelerou de 0,63% em junho para 0,99% em julho, impulsionado principalmente pela energia elétrica residencial, que saltou de 1,53% para 3,09%. Esse aumento teve o maior impacto individual no mês (0,13 p.p.) e reflete reajustes tarifários em diversas capitais, como São Paulo (8,85%), Porto Alegre (14,89%) e Curitiba (19,55%). A bandeira tarifária amarela permaneceu em vigor em julho, adicionando R$ 1,885 a cada 100 kWh consumidos.
Ainda em Habitação, as taxas de água e esgoto subiram 0,40%, com reajustes em Salvador (3,57%), Porto Alegre (5,77%), Brasília (3,97%) e Rio Branco (6,00%). O gás encanado, por sua vez, registrou uma leve redução de 0,04% devido a cortes nas tarifas no Rio de Janeiro. No grupo Transportes, a variação foi de 0,05%, resultado da alta de 11,67% nas passagens aéreas, compensada pela queda de 1,44% nos combustíveis, incluindo etanol (-2,26%), gasolina (-1,37%), óleo diesel (-1,22%) e gás veicular (-0,08%).
O segmento de Saúde e Cuidados Pessoais apresentou variação de 0,40%, com destaque para artigos de higiene pessoal (0,64%), como perfumes (1,04%), e planos de saúde (0,42%), que refletiram reajustes autorizados pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS).
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Cenário regional e o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC)
Regionalmente, Rio Branco registrou a maior variação do IPCA em julho, com 0,32%, influenciada pelo aumento nas passagens aéreas (12,27%) e energia elétrica residencial (2,66%). Em contraste, Belém apresentou a menor variação, com deflação de -0,45%, impulsionada pela queda nos preços da gasolina (-3,42%) e do açaí (-14,24%).
O Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), que mede a inflação para famílias com renda de um a cinco salários mínimos, variou -0,01% em julho, desacelerando em relação aos 0,14% de junho. O INPC acumulou alta de 3,50% no ano e de 4,10% nos últimos 12 meses, também abaixo dos 4,33% registrados nos 12 meses anteriores. Os produtos alimentícios no INPC recuaram de -0,29% em junho para -0,74% em julho, enquanto os não alimentícios passaram de 0,28% para 0,23% no mesmo período.
Entre os índices regionais do INPC, São Paulo teve a maior variação (0,28%), com influência da energia elétrica residencial (7,60%) e conserto de automóvel (2,61%). Belém, novamente, registrou a menor variação (-0,49%), devido à queda da gasolina (-3,42%) e do açaí (-14,24%). O IPCA e o INPC são calculados pelo IBGE e abrangem as principais regiões metropolitanas e municípios do país, fornecendo um panorama abrangente da variação de preços para diferentes faixas de renda.