Argentina revela nova espécie de dinossauro gigante de pescoço longo de 20 metros
Uma equipe internacional de paleontólogos, liderada por pesquisadores da Universidade Ludwig-Maximilians de Munique, identificou um novo gênero e espécie de dinossauro saurópode macronário na Argentina, a partir de fósseis encontrados em uma propriedade rural isolada. Este saurópode recém-descoberto habitou o supercontinente Gondwana, na região sul, há aproximadamente 157 milhões de anos, durante a fase final do período Jurássico.
Nomeado Bicharracosaurus dionidei, o dinossauro media cerca de 20 metros de comprimento.
Entendendo os gigantes saurópodes e sua evolução
A principal autora do estudo, Alexandra Reutter, doutoranda na Universidade Ludwig-Maximilians de Munique, e seus colegas explicaram que “os saurópodes constituem uma das mais importantes linhagens de dinossauros, sendo um dos grupos de vertebrados herbívoros mais relevantes do período Mesozoico”. Eles acrescentaram que “esses dinossauros apareceram no final do Triássico e persistiram até o término do período Cretáceo”.
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Conforme a pesquisa, “o grupo possuía grande diversidade taxonômica e englobava os maiores animais terrestres que já existiram”. Os pesquisadores ainda detalharam que, “dentro do grupo Sauropoda, diversos clados de ramificação inicial, que prosperaram no Jurássico, foram gradualmente substituídos pelos Neosauropoda derivados no final daquele período”. Reutter e sua equipe observaram que “os Neosauropoda se dividiram cedo em sua evolução em dois grandes clados, os Diplodocoidea e os Macronaria, e, embora esta subdivisão seja aceita desde os anos 1990, ainda há debate sobre a classificação de muitos táxons, especialmente os do Jurássico, nesses subclados ou nos Neosauropoda em geral”.

Como a descoberta do fóssil foi realizada na Argentina
Os fragmentos fossilizados do Bicharracosaurus dionidei, que abrangiam partes da coluna vertebral, costelas e quadril, foram apresentados aos paleontólogos pelo agricultor Dionide Mesa em março de 2001. O local da escavação está situado na Formação Cañadón Calcáreo, que se encontra na porção centro-norte da província de Chubut, na Argentina.
Por um longo período, pesquisadores utilizaram predominantemente fósseis encontrados na América do Norte, Europa e outras regiões do hemisfério norte para traçar a evolução dos Neosauropoda. A Formação Cañadón Calcáreo, onde os achados foram feitos, e a Formação Tendaguru, na Tanzânia, são exemplos raros de depósitos em Gondwana daquele período que guardam múltiplos esqueletos de saurópodes.
O professor Oliver Rauhut, paleontólogo sênior da Bayerische Staatssammlung für Paläontologie und Geologie e da Ludwig-Maximilians-Universität München, explicou que “por um longo tempo, existia apenas um único sítio relevante nos continentes do sul, localizado na Tanzânia”. O professor Rauhut acrescentou que “o sítio fossilífero na província argentina de Chubut, de onde veio o Bicharracosaurus dionidei, oferece material comparativo essencial, possibilitando a complementação e reavaliação contínua da nossa compreensão sobre a história evolutiva desses animais, especialmente no hemisfério sul”.
Classificação e parentesco revelam surpresas no Jurássico
Os fósseis do Bicharracosaurus dionidei indicam que ele era membro do grupo Macronaria, que englobava herbívoros gigantes e posteriormente deu origem a dinossauros como o Brachiosaurus. Contudo, a estrutura anatômica do novo dinossauro apresenta semelhanças notáveis com os Diplodocidae, uma vertente distinta de saurópodes que inclui o famoso Diplodocus.
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Com o intuito de estabelecer a posição do animal na árvore evolutiva dos dinossauros, os cientistas analisaram suas relações através de dois conjuntos diferentes de dados filogenéticos. A maior parte das análises situou o Bicharracosaurus dionidei no clado Macronaria, e algumas investigações apontaram afinidades com os Brachiosauridae, linhagem que abrange tanto o Brachiosaurus quanto o Giraffatitan africano.
Reutter afirmou que “nossas análises filogenéticas do esqueleto mostram que o Bicharracosaurus dionidei era parente dos Brachiosauridae, o que o estabeleceria como o primeiro Brachiosauridae do período Jurássico encontrado na América do Sul”. A equipe divulgou o artigo de pesquisa online na revista PeerJ.

















