A França confirmou que um ataque cibernético massivo nos sistemas da Direção-Geral das Finanças Públicas (DGFiP) resultou na extração de dados sensíveis de 678 mil contas, abrangendo pessoas físicas e empresas. A intrusão, que ocorreu no final de junho, foi tornada pública em 14 de agosto de 2026, gerando preocupação sobre a segurança das informações governamentais.
Reuniões de crise e primeiras ações do governo francês
Para lidar com a crise, o gabinete do primeiro-ministro anunciou uma reunião de crise interministerial, marcada para 17 de agosto de 2026. O encontro terá como objetivo principal a avaliação do plano de comunicação aos afetados e a definição de medidas adicionais de proteção. As notificações individuais aos contribuintes impactados terão início no mesmo dia, especificando quais informações podem ter sido acessadas e as orientações de segurança necessárias.
Investigação criminal e auditoria técnica sobre a invasão
A Procuradoria de Paris abriu uma investigação criminal para apurar os detalhes da invasão aos sistemas da DGFiP. A unidade de cibercrime da polícia francesa lidera o caso, buscando determinar como a intrusão foi realizada, identificar eventuais responsáveis e verificar a participação de organizações criminosas. Caso comprovado, esse tipo de crime pode resultar em pena mínima de cinco anos.
Paralelamente, o Ministério da Economia instituiu uma auditoria técnica. A Agência Nacional de Cibersegurança e Ciberdefesa (ANSSI) está à frente do trabalho, cujas conclusões serão encaminhadas às comissões de Finanças da Assembleia Nacional e do Senado, garantindo transparência e cobrança de responsabilidades.
Dados sigilosos expostos e os riscos para os contribuintes
Os acessos ilegítimos permitiram a consulta e a extração de uma série de dados fiscais cruciais. Entre as informações comprometidas, estão:
- Renda tributável de referência
- Quociente familiar
- Alíquota de retenção na fonte
Além dos dados fiscais, informações cadastrais como endereços e detalhes de imóveis, incluindo áreas, também foram acessados. No caso das empresas, os invasores tiveram acesso a razão social e identificadores administrativos como SIREN. A exposição dessas informações pode gerar riscos significativos para os contribuintes, como tentativas de phishing mais sofisticadas, golpes de engenharia social e até mesmo roubo de identidade, exigindo atenção redobrada dos afetados.
Detalhes da intrusão e o alerta sobre a cibersegurança
O ministro David Amiel, por meio de uma mensagem em rede social, comentou a crescente proliferação de ataques a serviços públicos. Ele alertou que, com o avanço da inteligência artificial, a ameaça cibernética tende a se intensificar. Entre as ações já em andamento para fortalecer a segurança, o ministro citou a implementação de autenticação de dois fatores para servidores com acesso a arquivos confidenciais, sistemas de detecção precoce de vazamentos e a revisão de protocolos de acesso a dados.
A diretora-geral da DGFiP, Amélie Verdier, explicou que o autor da intrusão utilizou a identidade de um agente público. Inicialmente, a administração acreditava que não havia extração de dados. A confirmação do roubo só veio após o suposto hacker se vangloriar da ação em 12 de agosto de 2026. Amélie Verdier garantiu, no entanto, que não houve acesso a elementos que permitissem entrar nas contas pessoais dos contribuintes nem a declarações completas de imposto de renda.
Novas estimativas de vítimas e informações não confirmadas
Um portal especializado que acompanha incidentes cibernéticos na França, o French Breaches, estimou um total de 678.437 pessoas afetadas, sendo 392.867 particulares e 285.570 profissionais. O French Breaches indicou ainda que o arquivo contendo os dados estaria à venda por vários milhares de euros.
O French Breaches também mencionou uma segunda possível falha de segurança na DGFiP, que poderia afetar cerca de 2 milhões de proprietários de imóveis. Essa nova vulnerabilidade exporia dados cadastrais como identificadores fundiários e parcelas, mas a informação não foi confirmada oficialmente pelas autoridades francesas até o momento.
