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Uma nova tecnologia que visa dificultar o comércio ilegal de peças automotivas chega ao mercado de veículos de passeio, após mais de duas décadas de uso em frotas comerciais. O sistema, popularmente conhecido como “vacina contra roubo”, marca cerca de 100 componentes dos veículos, tornando-os menos atraentes para desmanches. A novidade foi apresentada ao público em 14 de agosto de 2026.

A proposta é oferecer uma camada extra de proteção, identificando permanentemente peças mecânicas, estruturais e de acabamento, indo além da antiga prática de gravação da placa nos vidros dos carros, comum nos anos 1990 e início dos anos 2000. Essa evolução busca combater a demanda por componentes roubados, que alimentam o mercado clandestino.

Como o sistema de identificação de peças funciona

Diferentemente da marcação simples nos vidros, a nova tecnologia abrange uma vasta gama de componentes. Cada peça marcada recebe a identificação da própria placa do automóvel. Nas partes metálicas, como motor, câmbio, escapamento, catalisador, suspensão, cárter e compressor do ar-condicionado, a gravação é feita por um equipamento pneumático similar aos usados pelas montadoras para o chassi.

Já em componentes da carroceria, plásticos, faróis e lanternas, a identificação é realizada por laser na parte interna das peças, garantindo que a estética externa do veículo seja preservada. Esse método minucioso busca cobrir os itens mais visados pelo mercado ilegal de desmanche.

A tecnologia não impede o roubo, mas dificulta o desmanche

É fundamental entender que a “vacina” não tem a função de impedir o roubo ou furto do veículo, como um rastreador ou bloqueador. Seu principal objetivo é aumentar a rastreabilidade das peças. Ao identificar cada componente com a placa do veículo, é possível consultar sua origem por meio de aplicativos oficiais de consulta veicular, verificando se o automóvel tem registro de roubo ou furto.

Solon Pereira, um dos fundadores da Vacina Contra Roubo, explicou que a proposta é atuar de forma preventiva. “Isso permite identificar rapidamente a origem de uma peça encontrada isoladamente durante fiscalizações, investigações ou operações policiais”, afirmou. O sistema aumenta o risco para quem pretende desmontar ou comercializar ilegalmente as peças, desestimulando a escolha daquele veículo para ações criminosas.

A origem da tecnologia e seus resultados comprovados

Embora seja uma novidade para carros de passeio, essa tecnologia é empregada comercialmente desde 2001 em veículos comerciais, como caminhões, vans e máquinas. A adaptação para automóveis surgiu da demanda dos próprios clientes, que já conheciam a eficácia do sistema em frotas.

Dados divulgados pela empresa indicam que mais de 40 mil veículos comerciais já receberam o sistema de identificação permanente. Nesse universo, foram registrados 63 roubos, dos quais 45 resultaram na recuperação do veículo. Segundo a companhia, apenas 18 veículos identificados não foram recuperados. Pereira disse que esses indicadores demonstraram a consolidação da tecnologia no segmento comercial e justificaram o investimento no desenvolvimento de um produto específico para o mercado de automóveis particulares, trabalho que levou cerca de cinco anos.

Processo de aplicação e custos do serviço no Brasil

O procedimento de marcação é realizado mediante agendamento em uma unidade credenciada e leva aproximadamente quatro horas. Inicialmente, o veículo é posicionado em um elevador para a identificação das peças na parte inferior, seguindo-se a gravação dos componentes da carroceria e acabamento.

A empresa informa que são realizadas cerca de 100 marcações em itens como capô, portas, para-lamas, para-choques, porta-malas, faróis, lanternas, módulo eletrônico, alternador, tanque de combustível e turbocompressor, entre outros. Ao final, o veículo recebe adesivos refletivos que indicam a identificação de seus componentes. Atualmente, o serviço está disponível para diversas categorias, incluindo carros de passeio, SUVs, picapes, motocicletas, caminhões, máquinas agrícolas e de construção, além de veículos híbridos e elétricos — nestes, são identificados também componentes do conjunto de baterias.

    Os preços da aplicação variam conforme o tipo de veículo:

  • Hatches e sedãs: R$ 1.190
  • Híbridos e elétricos: R$ 1.360
  • SUVs: R$ 1.460
  • Modelos com tração 4×4: R$ 1.790

O atendimento ocorre em unidades credenciadas nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Espírito Santo, Pernambuco e Alagoas. A expectativa da empresa é expandir a operação para outras capitais brasileiras por meio de franquias ao longo do próximo ano.

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