Congresso instala comissão para analisar crédito de motociclistas de aplicativos e profissionais com juros diferenciadosPor Luís Pereira
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O Congresso Nacional formalizou nesta segunda-feira (17) a instalação da comissão mista encarregada de examinar a Medida Provisória (MP) 1366/26. Este dispositivo legal estabelece uma nova modalidade de financiamento destinada a entregadores que utilizam plataformas digitais e outros motociclistas profissionais. A iniciativa visa aprimorar as condições de trabalho e a frota desses profissionais, oferecendo acesso facilitado a recursos financeiros.
A medida provisória representa um pilar fundamental do programa Move Brasil, uma abrangente política governamental que também estende linhas de crédito especiais para taxistas e motoristas de aplicativos. Para viabilizar as operações desse programa, outra MP, a 1362/26, já destinou um montante significativo de R$ 30 bilhões, sublinhando o compromisso com a modernização e o suporte à categoria de transporte individual e de entregas no país.
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Critérios e finalidade do financiamento
A linha de crédito foi cuidadosamente desenhada para atender a um perfil específico de trabalhadores. Motociclistas cadastrados em aplicativos de entrega ou transporte precisam comprovar um vínculo mínimo de seis meses com essas plataformas e ter realizado, pelo menos, uma centena de corridas ou entregas para serem elegíveis. Esta exigência busca garantir que o benefício chegue a profissionais ativos e estabelecidos no setor digital.
Além dos trabalhadores de plataformas, a medida se estende a motociclistas profissionais com vínculo empregatício formal, desde que possuam um mínimo de seis meses de atividade comprovada. Os recursos obtidos por meio desse financiamento podem ser aplicados na aquisição de diversos veículos, incluindo motocicletas, motonetas, ciclomotores flex e bicicletas elétricas. É um requisito que esses veículos sejam fabricados no Brasil ou que estejam associados a projetos de investimento produtivo nacional, incentivando a indústria local. Para veículos motorizados, há um limite de cilindrada estabelecido em 160.
Condições de pagamento e instituições operadoras
As condições financeiras do programa foram pensadas para serem acessíveis, com taxas de juros competitivas e prazos flexíveis. De acordo com informações do governo, as operações de crédito preveem juros anuais de 12,5% para homens e uma taxa ligeiramente menor, de 11,5% ao ano, para mulheres. Essa diferenciação busca promover a equidade e facilitar o acesso feminino ao financiamento.
Os beneficiários terão um prazo estendido de até 48 meses para efetuar o pagamento do financiamento. Adicionalmente, o programa oferece um período de carência de dois meses antes do início da cobrança das parcelas, proporcionando um fôlego inicial para os contemplados. A operacionalização dessa linha de crédito envolve grandes instituições financeiras e outros agentes do mercado:
- Banco do Brasil
- Caixa Econômica Federal
- Outros agentes financeiros habilitados
- Fintechs parceiras
É importante ressaltar que esses agentes financeiros assumem os riscos inerentes às operações de crédito, garantindo a solidez e a viabilidade do programa.
Próximos passos da análise legislativa
A comissão mista, agora instalada, desempenha um papel crucial na avaliação da Medida Provisória 1366/26. A senadora Leila Barros (PDT-DF) assumiu a presidência do colegiado, e a deputada Amanda Gentil (PP-MA) foi designada relatora. A expectativa é que ambas se reúnam em breve para definir a agenda de trabalho, que incluirá um cronograma detalhado de reuniões e audiências públicas.
Durante essas sessões, o tema será debatido em profundidade, com a participação de especialistas, representantes das categorias beneficiadas e outros interessados. Após a conclusão da análise e a emissão de um parecer pela comissão mista, a Medida Provisória seguirá para apreciação nos plenários da Câmara dos Deputados e, posteriormente, do Senado Federal, onde será votada. Esse processo legislativo é fundamental para a validação e a efetivação da nova linha de crédito, que tem o potencial de impactar positivamente a vida de milhares de trabalhadores autônomos e formais do setor de mobilidade e entregas.















