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A Fundação Nacional de Artes (Funarte) expressou profundo pesar e reverência nesta terça-feira, 18 de agosto de 2026, pela partida de Glória Menezes, aos 92 anos. Considerada uma das maiores e mais influentes atrizes do Brasil, sua morte marca o fim de uma era na teledramaturgia nacional, deixando um vazio no cenário artístico brasileiro.

Com uma carreira que se estendeu por mais de seis décadas, Glória Menezes deixou uma marca indelével no teatro, cinema e, especialmente, na televisão. Sua versatilidade, presença de palco e a capacidade de dar vida a personagens complexos a estabeleceram como um nome fundamental, pioneira na construção da identidade artística da televisão brasileira desde seus primórdios e uma inspiração para gerações de profissionais.

Funarte reverencia Glória Menezes: legado significativo para a cultura brasileira
Funarte reverencia Glória Menezes: legado significativo para a cultura brasileira Crédito: Funarte reverencia Glória Menezes: legado significativo para a cultura brasileira

Uma trajetória pioneira na televisão brasileira

Nascida em Pelotas, Rio Grande do Sul, em 1934, Glória Menezes demonstrou seu talento artístico desde cedo, mergulhando na formação cênica nos anos 1950. Esse período marcou o início de uma jornada brilhante que a levaria aos palcos e, rapidamente, aos estúdios de televisão. Seus primeiros passos na telinha foram nos teleteatros da antiga TV Tupi, um formato que exigia grande domínio e expressividade dos atores, pavimentando o caminho para uma carreira de sucesso e reconhecimento.

A atriz alcançou a consagração na televisão com sua primeira novela, “Um Lugar ao Sol”, exibida pela TV Excelsior em 1959. Desde então, Glória Menezes destacou-se por sua capacidade ímpar de interpretar personagens diversos, transitando com maestria por diferentes gêneros e linguagens artísticas. Sua habilidade em encarnar desde mocinhas românticas a vilãs complexas e figuras cômicas a tornou um ícone de versatilidade, admirada tanto pelo público quanto pela crítica especializada.

O brilho no cinema e a consagração na Globo

Apesar de sua forte ligação com a televisão, Glória Menezes também deixou sua marca indelével no cinema nacional, participando de produções que se tornaram clássicos. Um de seus papéis mais memoráveis foi como Rosa no aclamado filme “O Pagador de Promessas”, de 1962, dirigido por Anselmo Duarte. A obra não apenas conquistou a prestigiosa Palma de Ouro no Festival de Cannes, um feito inédito para o Brasil na época, mas também recebeu uma indicação ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro, solidificando a presença da atriz em uma das produções mais importantes da história do cinema brasileiro e projetando seu talento internacionalmente.

Em 1967, Glória Menezes iniciou uma fase de grande sucesso ao estrear na Rede Globo com a novela “Sangue e Areia”, interpretando a marcante personagem Doña Sol. Esta foi apenas a primeira de uma longa e produtiva parceria com a emissora, onde participou de mais de 40 produções teledramatúrgicas ao longo de sua extensa carreira. Sua presença cativante e a profundidade de suas atuações garantiram que muitos de seus personagens se tornassem inesquecíveis para o público brasileiro, que a acompanhou por décadas.

Entre seus trabalhos mais notáveis e emblemáticos na televisão, que permanecem vivos na memória coletiva, destacam-se:

  • Lara, em “Irmãos Coragem” (1970), um marco da teledramaturgia nacional que redefiniu o gênero.
  • A protagonista da divertida comédia “Brega & Chique” (1987), que conquistou o país com seu carisma.
  • Laurinha Figueroa, a vilã carismática e inesquecível de “Rainha da Sucata” (1990), que marcou época.
  • Stelinha, em “Totalmente Demais” (2015), um de seus últimos e aclamados trabalhos na telinha, mostrando sua vitalidade artística até o fim.

A parceria inesquecível com Tarcísio Meira

A vida profissional de Glória Menezes foi intrinsecamente ligada à de Tarcísio Meira, seu companheiro de vida e de arte por quase seis décadas. Casados, eles formaram um dos casais mais icônicos e admirados do Brasil, tanto na esfera pessoal quanto nos palcos e estúdios de gravação. A união de seus talentos resultou em uma das parcerias mais marcantes da dramaturgia brasileira, caracterizada por uma química inegável e performances que inspiraram gerações de artistas e espectadores.

Juntos, eles protagonizaram diversas produções que entraram para a história da televisão e do cinema, consolidando-se como um dos pares mais requisitados e respeitados do país. A sinergia entre Glória e Tarcísio era evidente em cada cena, transformando suas atuações conjuntas em verdadeiros espetáculos. Entre os muitos trabalhos que compartilharam, pontuam-se as novelas “Sangue e Areia” (1967), “Rosa Rebelde” (1969), “Irmãos Coragem” (1970), “Espelho Mágico” (1977), “Guerra dos Sexos” (1983), “Páginas da Vida” (2006) e “A Favorita” (2008). Além disso, estrelaram o especial “Tarcísio & Glória” (1988) e a aclamada peça de teatro “Tudo Bem no Ano Que Vem” (1976), dirigida por Flávio Rangel, demonstrando sua versatilidade para além da telinha.

Legado duradouro para as artes nacionais

Com uma carreira notável pela longevidade, pela diversidade de personagens interpretados e por uma dedicação inabalável às artes cênicas, Glória Menezes deixa um legado imensurável para a cultura brasileira. Sua obra transcende o entretenimento, servindo como uma rica fonte de inspiração e estudo para inúmeras gerações de artistas que buscam no teatro, no cinema e na televisão caminhos para a criação e a expressão. A atriz demonstrou, ao longo de sua trajetória, a potência da arte como ferramenta de reflexão social e entretenimento de alta qualidade.

A Fundação Nacional de Artes, ao prestar sua homenagem, reforça a importância da atriz para o patrimônio cultural do país. Glória Menezes não apenas construiu uma carreira vitoriosa repleta de sucessos e prêmios, mas também ajudou a moldar a história da televisão e das artes no Brasil, com uma obra que permanece viva na memória coletiva e no acervo artístico nacional. A Funarte expressa sua profunda solidariedade a familiares, amigos, colegas de profissão e admiradores neste momento de luto, celebrando a vida e a contribuição de uma verdadeira diva da arte brasileira.

Luís Henrique Costa é jornalista formado pela FMU, editor-chefe e fundador do Mix Vale, portal de notícias em atividade desde 2011. Responde pela direção editorial do veículo, que cobre Brasil e mundo em economia, benefícios sociais, esportes, tecnologia, ciência e entretenimento. Atua na área há mais de 15 anos e lidera uma equipe de cerca de 15 colaboradores.

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