A Agência Espacial Americana (NASA) e a Katalyst Space anunciaram em 19 de agosto de 2026 que a espaçonave comercial LINK não conseguirá capturar nem impulsionar um satélite da agência para uma órbita mais elevada, contrariando o plano inicial de estender sua vida útil. A falha se deve a um problema persistente no controle de atitude do equipamento. No entanto, a missão ainda realizará operações de encontro e proximidade com o Observatório Neil Gehrels Swift da NASA, um passo crucial para demonstrar as capacidades de manutenção de satélites que os Estados Unidos precisarão para futuras explorações espaciais.
O administrador da NASA, Jared Isaacman, disse que a agência precisa ter a capacidade de agir rapidamente e assumir riscos calculados, especialmente quando o potencial retorno é significativo. Ele afirmou que, apesar de não ser o desfecho esperado, a tentativa da missão continua válida. Isaacman destacou que a equipe agiu com agilidade para oferecer ao Swift uma chance de continuar suas pesquisas científicas, ao mesmo tempo em que aprimora as tecnologias de manutenção de satélites necessárias para o futuro dos Estados Unidos. Ele reforçou que todo o aprendizado com as operações de encontro do LINK será aplicado em futuras missões.
NASA and Katalyst Space have determined that Katalyst’s LINK spacecraft will not capture or boost our Swift observatory to a higher altitude to extend its science mission, due to an ongoing attitude control issue with the spacecraft. However, LINK will still attempt to conduct… pic.twitter.com/STMFzVdODX
— NASA Universe (@NASAUniverse) August 19, 2026
Atualmente, a NASA e a Katalyst estão trabalhando intensamente para definir os próximos passos do encontro no espaço. O objetivo é coletar o máximo de dados possível para servir de base para futuras operações de manutenção de satélites.
Shawn Domagal-Goldman, diretor da Divisão de Astrofísica da NASA em Washington, disse que a missão foi concebida com um alto risco e alto retorno. Ele explicou que se tratava de uma tentativa inédita, desenvolvida em tempo recorde e impulsionada pela intensificação da atividade solar. Embora a expectativa fosse obter mais dados científicos do Swift, Domagal-Goldman afirmou que os aprendizados decorrentes da missão seriam valiosos de qualquer forma, e que muitas conquistas já foram alcançadas.
A NASA prevê que, sem qualquer intervenção, o observatório Swift deve reentrar na atmosfera terrestre ainda este ano. Como parte do planejamento para o fim da vida útil do Swift, a agência busca ativamente novas alternativas para reagir com rapidez a eventos cósmicos, utilizando as missões existentes para suprir a lacuna enquanto isso.
Domagal-Goldman acrescentou que a fase de construção, testes e operação desta missão já fortaleceu a cadeia de valor da indústria espacial americana, introduzindo novas capacidades de manutenção no espaço. Ele reafirmou o compromisso da NASA em apoiar seus parceiros comerciais em tarefas complexas, expandindo os limites do possível. O diretor elogiou a equipe por atingir a plataforma de lançamento em tempo recorde, em um ano de recordes para lançamentos de astrofísica da NASA, e pela dedicação à resolução de problemas e às futuras demonstrações de capacidade da missão.
Lançado em 2004, o Observatório Swift foi projetado para uma missão inicial de dois anos, focada no estudo de explosões de raios gama e outros fenômenos cósmicos. Após 21 anos de operações científicas, sua órbita baixa da Terra começou a se degradar rapidamente, em grande parte devido ao aumento da atividade solar. A NASA viu nesta situação uma oportunidade para impulsionar a tecnologia americana de manutenção de espaçonaves, contratando a Katalyst em setembro de 2025 para uma missão robótica de reparo ao Swift em menos de um ano.
A espaçonave LINK foi lançada em 3 de julho a bordo de um foguete Pegasus XL da Northrop Grumman, a partir do Atol de Kwajalein, no Oceano Pacífico Sul. As equipes estabeleceram comunicação com a LINK e realizaram verificações em órbita nas semanas seguintes, até que a espaçonave apresentou os problemas de controle de atitude.
