Governo Lula estuda cortes de juros para famílias de menor renda no Minha Casa, Minha VidaPor Jeronimo Santos
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O governo federal estuda a possibilidade de diminuir as taxas de juros para financiamentos de imóveis destinados a famílias da Faixa 3 do programa Minha Casa, Minha Vida, que abrangem rendas mensais entre R$ 5 mil e R$ 9 mil. A proposta em análise por técnicos envolve a segmentação dessa faixa em dois grupos, permitindo a aplicação de juros mais baixos para beneficiar, em especial, as famílias com menor poder aquisitivo dentro desse espectro. Atualmente, os valores praticados são de 8,16% ao mês, acrescidos da Taxa Referencial (TR), ou de 7,66% para os trabalhadores que são cotistas do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS).
A implementação das novas taxas está condicionada à finalização de estudos que avaliam os impactos da medida nas finanças do Conselho Curador do FGTS, que é a principal fonte de recursos para o programa habitacional. Os rendimentos obtidos com os juros dos financiamentos são cruciais para a receita do Fundo, complementados por aplicações em títulos do Tesouro Nacional, destacando a complexidade de equilibrar o benefício social com a sustentabilidade financeira do programa.
Análise de alternativas para habitação popular
Essa avaliação governamental serve como uma alternativa às sugestões apresentadas pelo setor da construção civil, que propôs elevar o limite de renda para as famílias de classe média incluídas na Faixa 4 (rendas de até R$ 13 mil) e aumentar o teto do valor dos imóveis para R$ 600 mil. O setor defende, ainda, que o limite do valor do imóvel seja ampliado para R$ 1,2 milhão, o que representaria uma expansão significativa do alcance do programa para faixas de renda mais elevadas.
As taxas de juros aplicadas aos financiamentos da Faixa 4 do Minha Casa, Minha Vida são de 10% ao ano, o que já é um patamar inferior aos juros praticados em modalidades fora do programa, como as do Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE). Nesse sistema, as taxas anuais variam geralmente entre 10,5% e 12%, além da Taxa Referencial (TR), evidenciando a vantagem do programa habitacional para as famílias que se enquadram em suas condições.
A inclusão da classe média no Minha Casa, Minha Vida, pela Faixa 4, teve início por determinação do presidente Lula e entrou em operação efetivamente em abril deste ano. Entretanto, técnicos analisam que o FGTS deve prioritariamente focar na habitação popular e que uma eventual priorização da classe média neste momento poderia levar à escassez de recursos para as faixas de renda mais baixas, comprometendo o objetivo social primário do Fundo.







