O designer de jogos Cain, um dos criadores da aclamada série Fallout, destacou a importância de analisar o que não funcionou bem na indústria de games. Segundo ele, o “viés de sobrevivência” leva muitos desenvolvedores a imitar cegamente fórmulas de sucesso, sem perceber que podem estar replicando falhas que não contribuíram para o êxito dessas obras originais. Esse cenário, explica Cain, impede a inovação e mantém a indústria em um ciclo de repetição.
Cain observou que, enquanto os jogos de grande sucesso são meticulosamente dissecados, títulos que fracassaram ou desapareceram do mercado geralmente são ignorados. Ele argumenta que, a menos que façam parte de uma franquia já estabelecida, esses games esquecidos contêm valiosas informações sobre o que não se deve fazer, mas poucos se dedicam a aprender com esses erros.
O veterano da indústria reforçou a ideia, afirmando que “você pode aprender muito com jogos assim”, referindo-se aos inúmeros títulos que foram lançados sem grande repercussão e acabaram no esquecimento. Para Cain, a análise aprofundada das falhas, com a mesma dedicação dada aos triunfos, é uma lacuna significativa na formação dos profissionais de desenvolvimento de games.
Concluindo sua explanação em vídeo, Cain fez um apelo para que se recordem do “viés de sobrevivência”. Ele ponderou que as características elogiadas em games de sucesso podem não ser necessariamente as responsáveis por sua popularidade. Da mesma forma, é crucial examinar os jogos que não atingiram o sucesso esperado, pois neles residem as chaves para entender os motivos de seu insucesso.
A mensagem de Cain encontrou ressonância imediata nos comentários do vídeo, com muitos espectadores expressando total concordância. Um deles descreveu a prática de replicação cega como “o caminho lento para eventualmente fazer o mesmo jogo repetidamente”, enquanto outro observou a simplicidade do conceito: “Eles nunca analisam o que torna um jogo ruim”. Em um setor que busca constantemente a próxima grande novidade, aprofundar-se nas razões do fracasso pode ser tão, ou até mais, instrutivo do que dissecar os elementos dos acertos.
