Buscas por cem peregrinos continuam após avalanche no Nepal e Tibete em rota do KailashPor Janderson Luiz
4 min de leitura
![]() |
Uma avalanche atingiu áreas do Nepal e do Tibete em 24 de agosto de 2026, causando o desaparecimento de centenas de estrangeiros, a maioria de nacionalidade indiana. Muitos deles estavam em uma peregrinação religiosa ao Monte Kailash, considerado sagrado por diversas religiões, o que intensifica as preocupações com a segurança na região montanhosa.
Detalhes da avalanche e das buscas
O incidente deixou 577 pessoas não localizadas, e grande parte delas era composta por indianos envolvidos na jornada espiritual. A rota de peregrinação é popular entre seguidores do hinduísmo, budismo, jainismo e da religião bon, todos atraídos pela importância mística do Monte Kailash.
Siga o Mix Vale no Google e veja nossas notícias primeiro
Uma das principais passagens para o Kailash, que cruza a fronteira entre Nepal e China no posto de Rasuwagadhi, foi severamente afetada pelo deslizamento de terra. O iogue indiano Sadhguru relatou ao “New York Times” que 77 integrantes de grupos organizados por sua fundação estavam no centro de imigração da fronteira no momento da inundação, e o contato com eles foi perdido. Imagens de drone mostraram a devastação em Trishuli, no Nepal, enquanto equipes de resgate enfrentam condições desafiadoras para localizar os desaparecidos.
A atração da “montanha proibida”
Localizado no Tibete, a cerca de 100 quilômetros da divisa entre China e Nepal, o Monte Kailash eleva-se a 6.638 metros. Notavelmente, nunca houve um registro de escalada bem-sucedida ao seu topo, apesar de tentativas nas décadas de 1920 e 1930. Atualmente, a China proíbe qualquer ascensão em respeito ao profundo significado religioso do local, uma característica que lhe rendeu o apelido de “montanha proibida”.
O Monte Kailash e suas conexões espirituais
O Kailash é um ponto de convergência de crenças e um símbolo de devoção para múltiplas tradições religiosas. Cada fé atribui ao monte um significado particular, reforçando sua aura de mistério e sacralidade:
- Hinduísmo: A montanha é considerada a morada do deus Shiva, de sua esposa Parvati e de seus filhos, como Ganesha. É também associada à nascente espiritual do rio Ganges e, por algumas tradições, ao Monte Meru, que representa o centro do universo.
- Budismo Tibetano: Para os budistas, o Kailash é a manifestação física do Monte Meru e um local de meditação para mestres antigos, como Milarepa, do século XI.
- Jainismo: Esta religião indiana centra suas crenças na não violência, e para seus seguidores, o Monte Kailash é o local onde o primeiro de seus 24 “salvadores” alcançou a libertação do ciclo de mortes e reencarnações.
- Religião Bon: Os praticantes do culto bon, tradicional do Tibete, acreditam que o topo do monte é o lar de 360 deuses.
Além do pico, o lago Manasarovar, situado a aproximadamente 35 quilômetros do Monte Kailash, também possui conotações sagradas e faz parte das peregrinações.
Perigos da rota e o cenário atual
A jornada de peregrinação do Nepal para o Tibete expõe os viajantes a condições climáticas extremas e terrenos instáveis, como foi trágicamente demonstrado pela recente avalanche. A travessia, que prossegue pela região de Gyirong após o cruzamento da fronteira, exige grande preparo e resiliência dos devotos.
As autoridades locais continuam os esforços de busca e salvamento em meio a grandes dificuldades, principalmente devido à interrupção das comunicações em muitas das áreas afetadas. Ainda não existem informações precisas sobre o número exato de vítimas ou a condição dos grupos de peregrinos que estavam na área no momento do desastre.















