Em guerra comercial com o Canadá, Trump quer mudar nome do Lago Ontário para “Lago América”

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Trump Foto: Trump - Nicole Glass Photography / Shutterstock.com

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, determinou em 27 de agosto de 2026, por meio de uma ordem executiva, que o Lago Ontário passasse a ser oficialmente conhecido como Lago América. A decisão foi anunciada em um momento de acentuada tensão diplomática e tarifária com o Canadá.

Este importante corpo d’água, parte dos cinco Grandes Lagos da América do Norte, abrange aproximadamente 18,9 mil quilômetros quadrados. Suas margens dividem a província canadense de Ontário e o estado norte-americano de Nova York.

A relação entre Estados Unidos e Canadá tem enfrentado um novo período de atrito após Washington anunciar um aumento nas tarifas sobre certos produtos canadenses. Em 25 de agosto de 2026, Trump já havia sinalizado a possibilidade de alterar o nome do lago, e horas depois, divulgou uma imagem onde o nome “Ontário” aparecia riscado e substituído por “Lago América”.

A cerimônia de assinatura ocorreu no Salão Oval da Casa Branca, com a presença de jornalistas. Na ocasião, o presidente norte-americano sugeriu que futuras mudanças poderiam incluir a renomeação de oceanos.

“Ao pensarmos nisso, já temos um golfo e agora um lago. Precisamos apenas de um oceano”, disse Trump, rememorando a alteração do nome do Golfo do México para Golfo da América no ano anterior. Ele complementou que “talvez seja necessário modificar os nomes do Atlântico e/ou do Pacífico”.

A Casa Branca comunicou à imprensa que o Departamento de Interior dos Estados Unidos será responsável por implementar a mudança.

Entretanto, não houve confirmação por parte da Casa Branca se a alteração dos nomes dos lagos será estendida a materiais didáticos e publicações científicas.

Escalada na guerra comercial entre Estados Unidos e Canadá

A alteração do nome do lago acontece em meio a uma conturbada guerra comercial entre as duas nações, que se intensificou após o fracasso nas negociações entre Washington e Ottawa. Diante do impasse, os Estados Unidos impuseram novas tarifas sobre produtos canadenses avaliados em bilhões de dólares, ao que o primeiro-ministro Mark Carney indicou que o Canadá responderá com sobretaxas próprias.

Em 24 de agosto de 2026, Trump também expressou a intenção de elevar para 50% as tarifas aplicadas a veículos e peças automotivas importados do Canadá a partir do ano seguinte. Esta medida teria um impacto particularmente significativo sobre a província de Ontário, uma região crucial para a produção de aço e automóveis no país.

Além disso, o presidente norte-americano e o primeiro-ministro de Ontário, Doug Ford, têm trocado acusações e ameaças. Ford chegou a mencionar a interrupção das exportações canadenses de energia elétrica como uma possível resposta aos Estados Unidos.

Questão do idioma francês entra em pauta nas disputas comerciais

Um novo ponto de divergência surgiu envolvendo a língua francesa. Carney alegou que os Estados Unidos tentaram incluir no acordo comercial cláusulas que poderiam minar as proteções ao francês, um dos idiomas oficiais do Canadá. Trump, contudo, negou a acusação em uma publicação feita em 25 de agosto de 2026.

“Jamais interferiria no direito dos canadenses de falar francês! Na verdade, nunca sequer pensei em fazer algo tão descabido”, escreveu Trump, acusando Carney de fabricar a alegação para angariar apoio político em Quebec e acrescentando: “Eu amo os franco-canadenses!”.

De acordo com Mark Wiseman, embaixador do Canadá nos Estados Unidos, a discórdia girava em torno de serviços digitais, plataformas de streaming americanas e as regulamentações sobre a cota de conteúdo em francês.

Momentos de tensão e negociações frustradas marcam o cenário

Esta mais recente escalada nas tensões ocorre poucos dias depois de ambos os países terem sinalizado a proximidade de um acordo.

Em 18 de agosto de 2026, Trump havia suspendido temporariamente, por três dias, a aplicação das tarifas de 50%, mencionando que Estados Unidos e Canadá haviam alcançado um entendimento preliminar. Mark Carney, o primeiro-ministro canadense, confirmou a existência de “progressos substanciais” nas conversações.

Contudo, as negociações foram interrompidas na noite de 21 de agosto de 2026. As tarifas americanas entraram em vigor à 0h01 de 22 de agosto de 2026, no fuso horário de Washington, afetando cerca de US$ 20 bilhões (equivalente a R$ 102 bilhões) em produtos canadenses.

Em resposta, Carney anunciou que o Canadá aplicará tarifas “dólar por dólar” sobre produtos americanos. “Os detalhes dessas novas medidas tarifárias, que entrarão em vigor na semana seguinte ao Dia do Trabalho, serão divulgados nos próximos dias”, informou o premiê em coletiva.

Ambas as nações se acusam mutuamente pela falha das negociações.

A mudança anterior do Golfo do México para Golfo da América

No início de 2025, em meio a conflitos com o México, Trump também já havia renomeado o Golfo do México para Golfo da América, uma designação utilizada pelo governo norte-americano.

Até o momento, essa medida teve um impacto mais político interno nos Estados Unidos do que prático. Na época, a presidente do México, Claudia Scheinbaum, minimizou o decreto em coletiva de imprensa, afirmando:

“Vale apenas para o território continental deles. Para nós e para o resto do mundo, continua sendo o Golfo do México.”

Beatriz Lima é colaboradora da redação do Mix Vale, portal de notícias com cobertura de Brasil e mundo. Produz conteúdo nas editorias de economia e benefícios, com foco em informação de serviço para o leitor brasileiro. Escreve para o portal desde 2024.

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