China pode endurecer restrições de terras raras e impactar data centers em novembroPor Janderson Luiz
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As restrições impostas pela China à exportação de minerais de terras raras, vitais para a indústria de tecnologia global, estão prestes a ser reavaliadas em novembro de 2026. Uma decisão por parte de Pequim sobre o futuro destas medidas poderá ter consequências significativas para os centros de dados e o setor de eletrônicos em todo o mundo. Os dados mais recentes, divulgados em 28 de agosto de 2026, já mostram uma queda acentuada nas remessas de materiais essenciais.
Importância crucial das terras raras para a tecnologia atual
Minerais como o ítrio e o érbio são fundamentais para a fabricação de componentes tecnológicos avançados. O ítrio é amplamente utilizado em luzes e telas de LED brancos, filtros de micro-ondas, lasers de estado sólido e capacitores cerâmicos, presentes em quase todos os equipamentos eletrônicos. Já o érbio desempenha um papel indispensável nos circuitos amplificadores, responsáveis por fortalecer os sinais ópticos em conexões de fibra óptica. Esses elementos, embora não tão conhecidos, são a espinha dorsal da infraestrutura digital moderna, garantindo o funcionamento de tudo, desde smartphones a grandes redes de comunicação.
Domínio chinês na cadeia de fornecimento global
A China mantém uma posição de quase monopólio no fornecimento global de terras raras, especialmente para os minerais críticos utilizados em equipamentos de TI. Segundo a Agência Internacional de Energia (IEA), em 2024, o país foi responsável por aproximadamente 60% da produção mundial de mineração de minerais para ímãs. Seu controle é ainda mais pronunciado nas etapas de separação e refino, respondendo por cerca de 91% da produção global. No caso específico do ítrio e do érbio, a China é praticamente a única fonte. O país extrai 90% do ítrio mundial e processa todo o minério em óxido de ítrio e óxido de érbio utilizáveis industrialmente.
Histórico de tensões e imposição de restrições
As restrições de exportação de minerais de terras raras pela China tiveram início em abril de 2025. Essa medida foi uma resposta às tarifas comerciais impostas pela administração Trump, marcando um ponto de intensificação nas tensões comerciais entre os Estados Unidos e a China. Mais tarde, no mesmo ano, o governo chinês aumentou as restrições, exigindo que as empresas obtivessem uma licença especial para exportar quaisquer mercadorias contendo terras raras de origem chinesa.
Essa escalada de controle, que incluiu novos elementos como o érbio, foi temporariamente suspensa em novembro de 2025, após 12 meses de negociações comerciais entre as duas potências. O prazo para a reavaliação dessa suspensão está se esgotando agora em novembro de 2026. Pequim deve decidir se as medidas mais rigorosas serão reaplicadas ou estendidas a outros minerais que controla, em um contexto de relações ainda delicadas com Washington.
Esforços globais para reduzir a dependência
Diante do domínio chinês, os Estados Unidos têm buscado ativamente maneiras de diversificar suas fontes e reduzir a dependência. Várias iniciativas foram lançadas para fortalecer a cadeia de suprimentos de minerais críticos:
- O Departamento de Defesa dos EUA anunciou um investimento de US$ 750 milhões. O objetivo é assegurar o fornecimento de elementos de terras raras para ímãs, com foco em uma unidade de produção localizada no centro do Brasil.
- O Departamento de Energia dos EUA destinou US$ 500 milhões para sete projetos específicos. Esses projetos visam expandir o processamento de minerais e materiais críticos, além de promover a fabricação de baterias e a reciclagem.
- Em fevereiro de 2026, os EUA assinaram acordos com representantes de 54 países durante a Reunião Ministerial de Minerais Críticos. Esses acordos reforçam o compromisso com a construção de cadeias de suprimentos seguras e resilientes para esses materiais estratégicos.
- O presidente Trump lançou o Projeto Vault em fevereiro de 2026, uma iniciativa de segurança da cadeia de suprimentos. O projeto estabelece um estoque de Reserva Estratégica de Minerais Críticos dos Estados Unidos, com um financiamento de até US$ 10 bilhões do Banco de Exportação e Importação dos EUA.
Quais os desafios e a expectativa para novembro de 2026
Apesar dos esforços americanos para diversificar as fontes, muitas dessas iniciativas levarão tempo para produzir resultados concretos. A iminente decisão da China em novembro de 2026, portanto, será um teste crucial para a resiliência das cadeias de suprimentos globais. As relações entre Washington e Pequim permanecem tensas, afetadas por questões comerciais e outros fatores geopolíticos.
A decisão de Pequim pode resultar em uma postura ainda mais rígida, potencialmente levando a interrupções no fornecimento, aumento de custos e atrasos na produção de equipamentos eletrônicos. A expectativa é grande para a cúpula entre o presidente Trump e o presidente Xi Jinping, marcada para o próximo mês. O encontro poderá influenciar diretamente o futuro das políticas chinesas e o cenário global de terras raras. A comunidade tecnológica aguarda ansiosamente a definição para entender o impacto de curto e médio prazo na disponibilidade e no custo de componentes essenciais.







