INSS tem recorde de benefícios aprovados e negados em busca de zerar filaPor Maria
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O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tem intensificado a concessão de aposentadorias, auxílios e pensões pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), alcançando volumes recordes neste ano eleitoral de 2026. A ação visa acelerar a análise de processos pendentes na autarquia.
Entre os meses de fevereiro e julho, a média mensal de novas entradas na folha de pagamento da Previdência foi de 769,9 mil pessoas, um patamar inédito na história. Somente em março, foram aceitos 885,6 mil pedidos, o número mais alto já registrado em um único mês.
O aumento nas concessões de benefícios é impulsionado por uma campanha governamental para eliminar os pedidos de análise que estavam aguardando. A fila de auxílios, que em fevereiro superava 3 milhões de solicitações, diminuiu para 1,5 milhão em julho. Uma nova redução significativa é esperada para agosto, com dados precisos a serem divulgados no fim de setembro.
Em paralelo à intensificação na análise de documentações, houve também um crescimento no número de benefícios negados. Uma média de 812,6 mil pedidos foi rejeitada por mês no período de fevereiro a julho, também representando um recorde histórico para o órgão.
Em 13 de abril de 2026, o então presidente do INSS, Gilberto Waller, foi exonerado do cargo por não conseguir reduzir a fila de forma substancial. Para assumir a missão, foi nomeada a funcionária de carreira Ana Cristina Viana Silveira.
A mudança na liderança apresentou resultados positivos, com Silveira obtendo sucesso na redução da fila. O presidente Lula tem agendado um evento para 3 de setembro de 2026, às 15h, onde anunciará que não existem mais segurados aguardando auxílios por um período superior a 45 dias, prazo considerado aceitável pelo governo.

Crescimento acelerado nos custos previdenciários
Em julho, 42,3 milhões de pessoas recebiam algum benefício do INSS. Este número representa um aumento considerável em relação aos 35,6 milhões de beneficiários registrados antes da pandemia.
O governo prevê que os desembolsos com os pagamentos de benefícios atinjam a marca de R$ 1,1 trilhão em 2026. Caso essa projeção se concretize, será o maior aumento anual desde 2016, com uma alta de 12,6%.
No fim de 2025, o benefício médio pago pelo INSS era de R$ 1.781,71, um crescimento em comparação aos R$ 1.665,09 registrados no fim de 2024. Este aumento de 7% no período superou a inflação de 4,3% no mesmo intervalo.
Historicamente, em 18 dos 25 anos compreendidos entre 2001 e 2025, o valor médio dos benefícios da Previdência teve um reajuste superior ao índice de preços ao consumidor.
As informações apresentadas nesta reportagem foram extraídas da edição de julho do boletim estatístico da Previdência Social.
Declarações presidenciais sobre a fila do INSS
Diversas promessas e posicionamentos foram expressos pelo presidente e por seu ex-ministro da Previdência, que deixou o cargo em maio após investigações sobre um esquema de fraudes em aposentadorias:
- 16 de setembro de 2022 (Lula, como candidato): Ele afirmou que era possível zerar a fila e que, se eleito, isso seria feito, contando com o mundo digitalizado e a disposição dos profissionais.
- 1º de dezembro de 2022 (Lula, antes da posse): O presidente declarou que haveria muito trabalho pela frente para diminuir a fila do INSS e que o governo tinha um compromisso com a população brasileira.
- 1º de janeiro de 2023 (Lula, em discurso no Congresso): Garantiu que o governo acabaria, mais uma vez, com a fila “vergonhosa” do INSS, a qual classificou como outra injustiça.
- 24 de abril de 2023 (Carlos Lupi): Ele explicou que a questão era complexa, com diversos tipos de problemas e atendimentos. Informou que, de 1,8 milhão de benefícios na fila, 1 milhão aguardavam perícia e que 3.500 médicos estavam em atividade.
- 11 de julho de 2023 (Lula, seis meses após assumir): Questionou a ausência de explicações para o tamanho da fila, sugerindo que se fosse por falta de dinheiro, isso deveria ser dito, ou se fosse por falta de funcionários, mais deveriam ser contratados, ou por falta de competência, trocas deveriam ser realizadas.
- 18 de outubro de 2023 (Carlos Lupi): Expressou a esperança de alcançar um novo patamar no ano seguinte para aprimorar o serviço de concessão de benefícios do INSS.
- 3 de janeiro de 2024 (Carlos Lupi): Descreveu o desafio de reduzir a fila, que havia chegado a mais de 1,8 milhão, enquanto lidava com o fluxo diário e mensal de novos pedidos. Ele assegurou que o prazo médio de concessão alcançaria os 45 dias em dezembro, mesmo que a fila não zerasse.
Em julho de 2024, servidores do INSS deflagraram uma greve, reivindicando reajustes salariais e melhores condições de trabalho. As operações foram parcialmente paralisadas até novembro do mesmo ano, quando um acordo foi selado com o Ministério da Gestão e da Inovação.
Os desdobramentos políticos e econômicos para o país
A intensificação dos esforços do governo Lula para zerar a fila do INSS, a todo custo, pode ser vista como uma estratégia política em ano eleitoral. Embora o problema pudesse ter sido abordado de forma mais consistente no início do mandato, a resolução emergencial acontece às vésperas de uma nova eleição.
Essa entrada recorde de novos beneficiários, contudo, gera uma pressão adicional sobre as finanças públicas, especialmente em uma área tão sensível como a seguridade social. Os custos previstos são significativos e representam um desafio fiscal.
Diante desse panorama, a necessidade de uma reforma da Previdência torna-se cada vez mais premente. O próximo presidente da República terá de lidar com a complexidade de um sistema previdenciário que se encontra sob intensa pressão financeira e política.







