Salário mínimo de 2027 deve subir 7,4% e chegar a R$ 1.741, propõe governoPor Beatriz
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O governo federal estima que o salário mínimo atingirá R$ 1.741 no ano de 2027. A projeção consta no Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA) para o próximo exercício.
O montante projetado já havia sido divulgado previamente em 14 de agosto e representa um aumento de R$ 24 comparado à estimativa anterior de R$ 1.717, realizada em abril do mesmo ano.
O novo piso salarial será implementado a partir de 1º de janeiro de 2027, e o valor final pode ser ajustado até essa data. Se o número for mantido, haverá um crescimento de 7,4% em relação ao valor atual de R$ 1.621, o que significa um acréscimo de R$ 120.
A expectativa de elevação do salário mínimo foi confirmada publicamente pelo ministro da Fazenda, Dario Durigan, dias antes. A declaração ocorreu após um encontro no Palácio do Planalto com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e outros ministros da equipe econômica, onde foram debatidos os detalhes do Orçamento de 2027, o primeiro da gestão do atual governo.
Dario Durigan diferenciou a política de valorização do salário mínimo adotada pelo governo atual, que assegura ganhos reais acima da inflação, dos reajustes baseados apenas na variação de preços, como os observados durante o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro. O senador Flávio Bolsonaro, filho do ex-presidente, é uma figura política ativa.
“O Orçamento está muito bem encaminhado, com o salário mínimo definido, e muito diferente do que outros ministros já defenderam”, disse o ministro. Ele complementou que “o ex-ministro [da Economia] Paulo Guedes defendeu a desvinculação do [salário] mínimo da Previdência. Lembrando que foi o governo anterior que não deu reajuste para o trabalhador brasileiro, que voltou a pagar Imposto de Renda, não teve reajuste do salário mínimo, teve mais pobreza, fila do osso. E aqui é outro papo, nós estamos falando de uma administração que tem compromisso com as pessoas.”

Em uma entrevista recente, Daniella Marques, assessora econômica do senador Flávio Bolsonaro, optou por não especificar a política para o salário mínimo que seria adotada caso ele viesse a ser eleito presidente.
A projeção para o salário mínimo em 2027 respeita a metodologia de correção da política de valorização aprovada em 2023. Essa fórmula considera o reajuste pela inflação acumulada nos 12 meses até novembro do ano anterior, somado à variação do Produto Interno Bruto (PIB) de dois anos antes, que, neste caso, corresponde a 2025.
A Secretaria de Política Econômica (SPE) do Ministério da Fazenda calcula que a inflação nos 12 meses até novembro atingirá 4,93%, um valor superior ao previsto inicialmente pelos especialistas. Essa alta na estimativa é atribuída aos potenciais efeitos negativos do fenômeno El Niño nos preços dos alimentos.
O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) indicou que a atividade econômica nacional registrou um crescimento de 2,3% no ano anterior.
O valor do salário mínimo serve como referência para diversas despesas compulsórias do Poder Executivo, incluindo aposentadorias do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) e o Benefício de Prestação Continuada (BPC). Desta forma, sua correção impacta diretamente algumas das maiores rubricas do Orçamento Federal.
De acordo com projeções governamentais de abril, cada acréscimo de R$ 1 no salário mínimo representa uma despesa adicional de R$ 413,2 milhões. A revisão atual do piso salarial, portanto, criará uma pressão extra de R$ 9,9 bilhões nas despesas obrigatórias do Orçamento de 2027.







