A NASA iniciou em 3 de agosto a operação de uma nova antena de radiofrequência de 34 metros no complexo de Goldstone, situado nas proximidades de Barstow, na Califórnia. O equipamento recebeu o nome de Deep Space Station 23 e executou sua primeira atividade ao rastrear o Observatório de Raios-X Chandra.
A estrutura ampliou a capacidade da Deep Space Network em um período no qual mais de 40 espaçonaves dedicadas ao Sistema Solar e ao espaço interestelar dependem da rede terrestre de transmissão.
Equipamento reforça comunicação com sondas distantes
As missões do programa Artemis demandam faixas prioritárias de comunicação durante suas trajetórias ao redor da Lua. Essa exigência ocorreu no voo da Artemis 1 em 2022 e voltará a acontecer na viagem da Artemis 2 prevista para 2026. Essa preferência reduz o tempo de contato disponível para missões robóticas.
A base atua em viagens tripuladas e não tripuladas desde a década de 1960. O sistema viabilizou as transmissões da caminhada de Neil Armstrong na superfície lunar em 20 de julho de 1969, durante a missão Apollo 11.
Divisão global das instalações de rastreamento
Três complexos principais mantêm a cobertura contínua do sistema pelo planeta:
- Goldstone, na Califórnia, onde opera a nova estrutura de 34 metros.
- Madri, na Espanha, com grandes antenas dedicadas ao espaço profundo.
- Canberra, na Austrália, responsável pelas conexões no hemisfério sul.
O sistema opera continuamente.
O complexo captou os registros fotográficos enviados pelos veículos exploradores em Marte a partir dos anos 1990 e confirmou o ingresso pioneiro das sondas Voyager 1 e Voyager 2 no território interestelar na década de 2010.
Prioridade para astronautas restringe outras missões
Brad Arnold, gerente da Deep Space Network no Laboratório de Propulsão a Jato da NASA, afirmou em 2021 que a agência não conseguia instalar antenas com rapidez suficiente para suprir a demanda. O avanço das viagens espaciais atraiu operadores internacionais para a infraestrutura norte-americana. As operações com tripulações humanas recebem precedência sobre as máquinas em órbita.
A agência espacial projeta erguer uma base permanente próxima ao polo sul da Lua a partir da década de 2030, fase que exigirá uma rede lunar coordenada para integrar os módulos de superfície.
Gastos saltaram para 706 milhões de dólares
A unidade Deep Space Station 23 representa a quinta entrega das seis antenas previstas pelo Aperture Enhancement Project, iniciado em 2009. A sexta estrutura, nomeada Deep Space Station 33, entrará em serviço no sítio de Canberra até 2029.
O Escritório do Inspetor-Geral da NASA calculou o custo da iniciativa em 362,4 milhões de dólares no ano de 2015. A estimativa orçamentária subiu 68% no início do ano fiscal de 2023, atingindo a marca de 706 milhões de dólares. O cronograma de entrega das obras acumula um atraso de quase cinco anos em relação ao prazo estabelecido no projeto original.
