Fies 2026 oferece financiamento estudantil com condições especiais para ensino superior
O Fundo de Financiamento Estudantil (Fies) segue em 2026 como a principal alternativa para estudantes que desejam cursar o ensino superior em instituições privadas sem arcar com o valor integral das mensalidades. O programa do Ministério da Educação (MEC) permite financiar até 100% das parcelas, dependendo da renda familiar do candidato. As inscrições ocorrem duas vezes por ano, com processos seletivos baseados na nota do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). O salário mínimo vigente em 2026 é de R$ 1.621, valor que serve de base para o cálculo da renda per capita exigida no programa.
Para participar do Fies, o estudante precisa ter realizado qualquer edição do Enem a partir de 2010, com pontuação mínima de 450 pontos na média das provas e nota superior a zero na redação. O candidato não pode ter participado da edição do exame na condição de treineiro. A renda familiar bruta mensal per capita deve ser de até três salários mínimos, o que corresponde a R$ 4.863 em 2026. O curso escolhido precisa ter avaliação positiva no Sistema Nacional de Avaliação da Educação Superior (Sinaes) e ser oferecido por instituição participante do programa.

Como funciona o processo de inscrição e seleção
As inscrições para o Fies são realizadas exclusivamente pela internet, no Portal Único de Acesso ao Ensino Superior, gerenciado pelo MEC. O candidato deve informar o número de inscrição e a senha do Enem, além de dados pessoais e a opção de curso. É possível escolher até três opções de instituições e cursos, em ordem de preferência. A seleção é feita de forma automatizada, considerando a nota do Enem e o número de vagas disponibilizadas pelas faculdades. Quem obtiver a melhor classificação dentro das vagas ofertadas é pré-selecionado.
Após a pré-seleção, o estudante tem cinco dias corridos para complementar as informações no sistema e validar os dados junto à Comissão Permanente de Supervisão e Acompanhamento (CPSA) da instituição de ensino escolhida. Nessa etapa, é necessário apresentar documentos que comprovem renda familiar, identidade, CPF e conclusão do ensino médio. A instituição verifica a autenticidade das informações e valida a inscrição. Em seguida, o candidato deve contratar o financiamento em um agente financeiro do Fies, atualmente a Caixa Econômica Federal ou o Banco do Brasil, em prazo de até dez dias após a validação pela CPSA.
Modalidades de financiamento disponíveis no programa
O Fies opera em duas modalidades principais desde 2018. A primeira, conhecida como Fies modalidade juro zero, é destinada a estudantes com renda familiar per capita de até um salário mínimo, ou seja, R$ 1.621 em 2026. Nessa opção, não há cobrança de juros durante todo o período do financiamento, tornando o programa mais acessível para famílias de menor renda. A segunda modalidade, voltada para quem tem renda per capita entre um e três salários mínimos (de R$ 1.621 até R$ 4.863), possui taxa de juros variável, definida conforme a renda do grupo familiar e vinculada à Taxa Referencial (TR) mais 4,5% ao ano.
- Financiamento de até 100% do valor da mensalidade
- Prazo de carência após a conclusão do curso
- Período de amortização proporcional ao tempo de utilização do financiamento
- Possibilidade de quitação antecipada sem multas
- Contratos digitais com assinatura eletrônica
A definição da porcentagem de financiamento concedida leva em conta a capacidade de pagamento do estudante e de sua família. Estudantes com renda per capita mais baixa tendem a obter financiamento integral, enquanto aqueles com renda mais próxima ao teto podem ter percentuais menores, exigindo pagamento parcial das mensalidades durante o curso.
Período de utilização e início do pagamento
Durante o período de utilização do Fies, que corresponde ao tempo em que o estudante está matriculado e cursando a graduação, não há cobrança do valor principal do financiamento. O aluno paga apenas uma quantia trimestral simbólica, equivalente a R$ 50 por trimestre na modalidade juro zero. Na modalidade com juros, o pagamento trimestral é calculado com base nos juros incidentes sobre o saldo devedor. Essa fase se estende até a conclusão do curso, incluindo eventuais períodos de trancamento de matrícula, desde que devidamente justificados e aprovados pelo agente financeiro.
Após a formatura, o estudante entra no período de carência, que dura 18 meses. Nessa etapa, ainda não há cobrança das parcelas principais da dívida, mas o pagamento trimestral continua sendo realizado nos mesmos moldes da fase de utilização. O objetivo é permitir que o recém-formado tenha tempo para se inserir no mercado de trabalho e organizar suas finanças antes de começar a amortizar o saldo devedor de forma efetiva.
Forma de amortização e prazo de pagamento
Quando termina o período de carência, inicia-se a fase de amortização, momento em que o estudante passa a pagar as parcelas mensais do financiamento. O prazo máximo para quitar a dívida é de três vezes o período de duração do curso acrescido de 12 meses. Por exemplo, se o curso teve duração de quatro anos, o prazo de amortização pode se estender por até 13 anos (três vezes quatro, mais um ano adicional). As parcelas são calculadas de forma a distribuir o saldo devedor ao longo desse prazo, com valores que variam conforme a modalidade de financiamento e os juros aplicados.
O valor das parcelas é atualizado anualmente pela TR mais os juros contratuais, no caso da modalidade com juros, ou apenas pela TR na modalidade juro zero. O estudante pode optar por quitar antecipadamente o saldo devedor, total ou parcialmente, sem incidência de multas ou taxas adicionais. Essa flexibilidade permite que quem consegue estabilidade financeira após a formatura reduza o tempo de comprometimento com a dívida. O Fies também oferece a possibilidade de renegociação em casos de inadimplência, com condições específicas que variam conforme a política vigente do programa e do agente financeiro.
As parcelas vencidas são atualizadas com encargos moratórios e podem gerar inscrição do devedor em cadastros de proteção ao crédito. Para evitar problemas, o programa recomenda que o estudante mantenha seus dados cadastrais atualizados junto ao banco e à instituição de ensino. O acompanhamento do contrato pode ser feito pelo aplicativo do Fies ou pelos canais digitais dos agentes financeiros, onde constam informações sobre saldo devedor, histórico de pagamentos e próximos vencimentos. O programa também prevê suspensão temporária do pagamento em situações excepcionais, como desemprego, mediante comprovação e análise do banco.
Luís Henrique Costa é jornalista formado pela FMU, editor-chefe e fundador do Mix Vale, portal de notícias em atividade desde 2011. Responde pela direção editorial do veículo, que cobre Brasil e mundo em economia, benefícios sociais, esportes, tecnologia, ciência e entretenimento. Atua na área há mais de 15 anos e lidera uma equipe de cerca de 15 colaboradores.







