Estudo aponta redução de até 30% no volume total de MercúrioPor Maria
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Cientistas do Centro Aeroespacial Alemão comprovaram que Mercúrio perdeu volume de forma mais intensa do que a ciência calculava, segundo análise divulgada no dia 10 no periódico Geophysical Research Letters. O astro sofre um processo de resfriamento e contração interna contínua há 4,5 bilhões de anos.
Essa retração física gera elevações e dobras na crosta denominadas estruturas de encurtamento. O relevo escondeu as falhas. Camadas espessas de detritos e impactos sucessivos de meteoritos cobriram diversas fendas geológicas que comprovam a diminuição do corpo celeste.
A proximidade direta com o Sol inviabiliza a observação do astro por telescópios na Terra devido ao excesso de luminosidade e complica o trajeto de espaçonaves. Os pesquisadores dependem exclusivamente de medições transmitidas por satélites orbitais porque nenhum equipamento conseguiu perfurar o solo local até o momento.
A sonda Messenger partiu da Terra em agosto de 2004, alcançou a órbita de Mercúrio em março de 2011 e acumulou dados cruciais durante quatro anos de atividade. O robô executou 4.105 voltas ao redor do planeta antes de esgotar seus tanques de combustível e colidir deliberadamente contra o solo rochoso em 2015. Esse material registrou o relevo em alta definição.

Uma equipe coordenada pelo pesquisador Gaku Nishiyama, do Instituto de Pesquisa Espacial do Centro Aeroespacial Alemão, combinou mapas tridimensionais gerados por altimetria a laser com fotos capturadas em posições variadas para identificar deformações de terreno que antes permaneciam invisíveis aos olhos dos astrônomos. O cruzamento cartográfico detalhou a distribuição geográfica de escarpas vinculadas ao encolhimento térmico.
Os cientistas avaliaram a rugosidade provocada pelo choque de bólidos espaciais que espalharam fragmentos por toda a superfície. Esse acúmulo de fragmentos rochosos camuflou depressões e elevações tectônicas essenciais para o cálculo planetário. O grupo calcula que o encolhimento real de Mercúrio superou as marcas anteriores em uma margem entre 10% e 30%.
Os responsáveis pelo levantamento afirmaram que a redução pode atingir patamares ainda mais expressivos diante de lacunas nas medições topográficas existentes.
Processo de resfriamento geológico molda a superfície do planeta
A transformação física começou há 4,5 bilhões de anos durante a agregação violenta de rochas e asteroides que consolidaram os mundos rochosos do Sistema Solar. Os impactos violentos dessa fase inicial concentraram uma quantidade extrema de calor no núcleo planetário.
Mercúrio dissipa essa energia acumulada de maneira contínua desde a sua formação geológica. As temperaturas na superfície variam entre -184 ºC e 427 ºC devido à ausência completa de uma atmosfera reguladora. O calor escapa diretamente para o espaço.
Essa perda constante de temperatura contrai a crosta e produz fraturas visíveis que marcam o diâmetro atual de 4.879 quilômetros. O planeta possui um terço da dimensão da Terra e apresenta dimensões inferiores às luas Titã, de Saturno, e Ganimedes, de Júpiter.







