Telescópio da NASA Neil Gehrels Swift cai na Terra sobre a Indonésia após quase 22 anos de missãoPor Carolina Costa
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O telescópio da NASA Neil Gehrels Swift reentrou na atmosfera da Terra e foi desintegrado às 9h39 de quarta-feira (04), sobre o norte da ilha de Sumatra, na Indonésia. O equipamento, com massa de aproximadamente 1.450 quilos e proporções comparáveis às de um micro-ônibus, cumpriu uma trajetória orbital que durou quase 22 anos desde o lançamento em novembro de 2004.
Cálculos balísticos divulgados pela agência espacial norte-americana antes do retorno indicavam que a maior parte da blindagem e dos instrumentos científicos se queimaria no atrito atmosférico a milhares de quilômetros por hora. Para eventuais destroços metálicos de maior densidade que pudessem tocar a superfície, a NASA avaliou o risco de atingir qualquer pessoa em apenas uma probabilidade em 2,1 mil.
Tentativa comercial de resgate evitou reentrada precoce sem sucesso
A queda descontrolada em águas do Oceano Índico ocorreu três meses após o insucesso de uma iniciativa privada que buscava prolongar a vida útil do equipamento em órbita baixa. Em setembro de 2025, a administração espacial concedeu um contrato avaliado em US$ 30 milhões, equivalente a cerca de R$ 165 milhões na conversão da época, para a companhia norte-americana Katalyst Space desenvolver um acoplamento robótico capaz de elevar a altitude do observatório.
O projeto de manobra mecânica enfrentou entraves e não alcançou o efeito desejado a tempo de reverter a perda de sustentação orbital causada pelo arrasto atmosférico constante. Sem propulsão própria suficiente para estabilização de longo prazo, os operadores registraram a última coleta de dados científicos do instrumental em 20 de outubro de 2026, iniciando a descida terminal monitorada pelas redes de rastreamento aeroespacial.
Legado científico multiplicou por dez a estimativa original de operação
Concebido no início dos anos 2000, o observatório Neil Gehrels Swift tinha planejamento original focado em uma campanha científica de apenas dois anos dedicada à astrofísica de altas energias. O mecanismo móvel permitia à espaçonave apontar espelhos e sensores em direção a explosões súbitas de raios gama em menos de sessenta segundos após o alerta primário.
Durante mais de duas décadas em funcionamento contínuo, a missão transformou a compreensão humana sobre cataclismos cósmicos:
- Catalogação e mapeamento de coordenadas de mais de duas mil explosões de raios gama no espaço profundo.
- Acompanhamento detalhado do surgimento e evolução de cerca de 1,4 mil supernovas em galáxias distantes.
- Varredura espectral contínua sobre a dinâmica de buracos negros estelares e supermassivos.
- Análise de trajetórias e composição volátil de corpos menores do Sistema Solar, incluindo asteroides e cometas.
Sensores e estações em solo rastrearam a trajetória final do artefato até a perda total de sinal telemétrico nos radares navais e espaciais.







