Planeta Mercúrio encolheu até 30% mais do que o estimadoPor Janderson Luiz
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Mercúrio registrou uma contração entre 10% e 30% maior do que as projeções científicas apontavam até agora, segundo análise veiculada na publicação acadêmica Geophysical Research Letters. A investigação detalha o comportamento do menor planeta integrante do Sistema Solar.
O astro perdeu volume.
Avaliação amplia dados sobre diminuição da crosta
Ao cruzar os registros de rugosidade do terreno com mapas geológicos das escarpas, cristas e colinas, a equipe científica descobriu que o encolhimento de Mercúrio superou entre 10% e 30% as estimativas anteriores calculadas para a retração global do astro. O grupo responsável pelo trabalho operou sob liderança de Gaku Nishiyama, vinculado ao Centro Aeroespacial Alemão. Os cálculos demonstram que a diminuição da estrutura física ultrapassou as margens aceitas pela comunidade astronômica.
- Retração calculada: índice entre 10% e 30% acima das estimativas prévias
- Período de monitoramento orbital da missão: de 2011 até 2015
- Início da retração física do astro: cerca de 4,5 bilhões de anos atrás
Gaku Nishiyama e os pesquisadores do Centro Aeroespacial Alemão utilizaram levantamentos espaciais detalhados para quantificar as deformações na superfície sólida.
Resfriamento do núcleo iniciou processo há bilhões de anos
O recuo de matéria no planeta começou após sua formação inicial, estimada em 4,5 bilhões de anos no passado geológico. Conforme o núcleo perdeu calor acumulado, a carcaça rochosa rachou e ergueu barreiras em várias latitudes.
Esse resfriamento térmico permanente comprimiu o subsolo e empurrou as camadas exteriores para cima em diferentes pontos da crosta.
Detritos de impactos esconderam escarpas e colinas
Rochas e montes gerados pela pressão tectônica permaneceram encobertos pela poeira expelida em choques cósmicos. Fragmentos atirados na formação de crateras antigas camuflaram depressões e rugosidades ao longo de milênios. Essa camada contínua de entulho e cascalho impediu que medições anteriores identificassem as dobras originais.
Falhas antes ignoradas por astrônomos ganharam nitidez através do cruzamento entre índices de rugosidade e elevações reais. O mapeamento indicou escarpas e cristas em áreas antes consideradas planas pelos modelos vigentes.
Instrumentos da sonda MESSENGER forneceram medições tridimensionais
A sonda MESSENGER reuniu as imagens de relevo e as leituras a laser durante o período em que esteve na órbita mercuriana, de 2011 a 2015.
O equipamento espacial completou varreduras topográficas capazes de remontar a arquitetura acidentada do planeta em três dimensões. As medições efetuadas pelos feixes de laser da espaçonave alimentaram o modelo do Centro Aeroespacial Alemão com cotas altimétricas de todo o globo.







