Proposta legislativa avança na Câmara para instituir endereços digitais e integrar áreas remotas no BrasilPor Luís Pereira
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Um projeto de lei em tramitação na Câmara dos Deputados visa estabelecer um sistema inovador de endereçamento digital. A iniciativa, baseada em coordenadas de GPS, busca resolver a dificuldade de localização em residências, comunidades e repartições públicas situadas em regiões sem endereços convencionais ou de difícil acesso.
A ausência de um sistema de identificação territorial adequado tem sido um entrave significativo para milhões de brasileiros, comprometendo o acesso a serviços básicos. A proposta, que já está sob análise parlamentar, pretende instituir a Política Nacional de Cidadania Territorial Digital, focada em áreas rurais, remotas e de difícil acesso, com o intuito de promover maior inclusão social e geográfica.
Impacto social e econômico da medida
A carência de um endereço formal não é apenas uma questão burocrática; ela representa uma barreira substancial para a cidadania plena e o desenvolvimento socioeconômico de diversas populações. Essa lacuna dificulta o atendimento de emergências, como a chegada de ambulâncias e equipes de bombeiros, que muitas vezes perdem tempo precioso tentando localizar os solicitantes em áreas desprovidas de referências claras. Além disso, a impossibilidade de receber correspondências ou entregas impede que produtores rurais, por exemplo, participem ativamente do comércio eletrônico, limitando suas oportunidades de mercado e renda.
A digitalização do endereço pode, portanto, abrir portas para um fluxo de serviços e bens mais eficiente, impactando positivamente a qualidade de vida e a economia local. A inclusão digital e territorial é vista como um pilar fundamental para diminuir as disparidades regionais, permitindo que cidadãos em qualquer ponto do país possam usufruir dos mesmos direitos e facilidades que aqueles em centros urbanos.
Abrangência e prioridades da política
A futura Política Nacional de Cidadania Territorial Digital foi concebida com um escopo bem definido, priorizando as regiões do Brasil que mais sofrem com a invisibilidade territorial. A Amazônia Legal, uma vasta área com grande diversidade geográfica e populacional, figura como foco principal da iniciativa. Regiões de fronteira, que frequentemente enfrentam desafios logísticos e de segurança, também receberão atenção prioritária.
Os municípios de pequeno porte, que muitas vezes carecem de infraestrutura e serviços básicos, são igualmente contemplados. A proposta ainda destaca grupos sociais específicos que serão beneficiados de forma preferencial, como:
- Comunidades indígenas, com seus territórios ancestrais.
- Territórios quilombolas, buscando preservar suas identidades e acesso a direitos.
- Assentamentos rurais, promovendo a integração de famílias assentadas.
- Populações ribeirinhas, que vivem às margens de rios e dependem deles para subsistência e deslocamento.
Essa segmentação garante que os recursos e esforços sejam direcionados para onde a necessidade é mais premente, maximizando o impacto da política pública e contribuindo para uma distribuição mais equitativa de oportunidades e direitos em todo o território nacional.
Visão do autor e a integração digital
O deputado Duda Ramos, representante de Roraima pelo partido Podemos e proponente do projeto, enfatiza que a ausência de um endereço formal contribui diretamente para a exclusão social. Ele argumenta que a era da transformação digital oferece uma oportunidade única para corrigir distorções históricas na distribuição de infraestrutura e serviços no país.
“A transformação digital não pode reproduzir as assimetrias territoriais históricas do País. Ao contrário, deve funcionar como instrumento de integração”, declarou o parlamentar, ressaltando o potencial da tecnologia para unir o Brasil. A visão do deputado Duda Ramos é de que a tecnologia não deve apenas replicar os modelos existentes, mas sim atuar como uma ferramenta poderosa para a inclusão e a equidade, alcançando aqueles que foram historicamente marginalizados pela falta de infraestrutura básica. O endereçamento digital, nesse sentido, é visto como um passo fundamental para garantir que todos os cidadãos, independentemente de onde residam, possam ser plenamente reconhecidos e atendidos.
Próximos passos no Congresso
Para que a proposta se torne lei, ela deve passar por um extenso processo de avaliação e votação no Congresso Nacional. O Projeto de Lei 3288/26 será analisado em caráter conclusivo por uma série de comissões temáticas na Câmara dos Deputados, o que significa que, se aprovado por elas, não precisará ser votado em plenário, exceto se houver recurso de parlamentares. As comissões responsáveis por essa análise incluem as de Ciência, Tecnologia e Inovação; de Integração Nacional e Desenvolvimento Regional; de Direitos Humanos, Minorias e Igualdade Racial; da Amazônia e dos Povos Originários e Tradicionais; de Finanças e Tributação; e de Constituição e Justiça e de Cidadania.
Após a aprovação na Câmara, o texto ainda precisará ser submetido ao crivo do Senado Federal. Somente após a aprovação em ambas as casas legislativas e a sanção presidencial, a Política Nacional de Cidadania Territorial Digital poderá ser implementada em todo o território nacional, marcando um avanço significativo na inclusão de milhões de brasileiros e na modernização dos serviços públicos.







