Igual aos humanos! T-Rex tinha sangue quente e caçava até no gelo, revela estudoPor Thiago Lemos
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Marcadores químicos preservados na arcada fóssil do Tiranossauro rex comprovaram, em 18 de setembro de 2026, que o predador carnívoro mantinha sangue quente com índice de temperatura corporal próximo ao verificado na biologia humana.
O esmalte dentário de três peças desenterradas em Montana registrou uma taxa térmica interna de 36,3 graus Celsius, apresentando variação de 2,5 graus Celsius para mais ou para menos. Em contrapartida, os seres humanos apresentam um nível médio de 37 graus Celsius.
Grandes mamíferos terrestres vivos como o elefante sustentam índice de 36 graus Celsius, enquanto o avestruz atinge aproximadamente 39 graus Celsius na escala metabólica.
A constatação desconstrói a visão antiga que retratava o animal como uma fera vagarosa e pesada. A regulação térmica interna garantia ao predador uma capacidade motora muito mais rápida na caça.
“Ele deixa de ser um réptil da maneira como as pessoas imaginam os répteis. Um animal a 36° Celsius não fica esperando o Sol aquecê-lo. Ele é termicamente independente do ambiente ao seu redor e, nesse aspecto, mais próximo de um elefante ou de uma avestruz do que de um crocodilo”, disse a geocientista da UCLA Aradhna Tripati, autora do estudo divulgado pela revista Science Advances.
O predador habitou o oeste da América do Norte durante o Período Cretáceo, há cerca de 66 milhões de anos, espalhando seus fósseis das províncias canadenses de Alberta e Saskatchewan até os territórios norte-americanos de Montana, Wyoming, Dakotas, Novo México e Texas.
Tripati afirmou que simulações meteorológicas demonstram que o carnívoro conseguia ocupar a maior extensão territorial do continente, “incluindo ambientes frios onde teria enfrentado temperaturas congelantes”. “Trata-se de um animal muito mais móvel e adaptável do que as pessoas imaginam”, completou a pesquisadora.
A endotermia representa a faculdade biológica de produzir e preservar calor interno por vias metabólicas. Essa condição concede vigor físico constante e sustentação contra oscilações de clima. Já os répteis de sangue frio dependem do calor de fontes externas como o Sol para ativar o organismo.
“A endotermia é comum em animais de grande porte e até mesmo em alguns peixes. No entanto, ela tem um custo”, disse Robert Eagle, geobiologista da UCLA e coautor do trabalho.
“Taxas metabólicas mais elevadas significam maior necessidade de alimento e, potencialmente, uma caça mais ativa para obtê-lo, exigindo que um T. rex endotérmico buscasse mais presas, embora garantisse energia para migrar e suportar áreas geladas”, explicou Eagle.
Mamíferos e pássaros integram o rol de criaturas endotérmicas. As linhagens carnívoras extintas pertenciam ao grupo dos terópodes, tronco que deu origem às aves voadoras modernas a partir de dinossauros com penas. Pequenas espécies voadoras atuais operam com cerca de 42 graus Celsius.
“Nossa estimativa de temperatura para o T. rex situa-se na extremidade inferior da faixa dos endotérmicos”, disse Tripati. O valor calculado posiciona o predador no piso térmico desse grupo.
Os dentes guiaram a pesquisa.
“O esmalte dentário se forma dentro do animal à temperatura do corpo; portanto, a composição química do esmalte funciona como um termômetro”, disse Tripati. A estrutura mineral gravou o registro do calor corporal no momento do crescimento.
O método científico denominado isótopos agrupados detecta o calor interno ao medir a concentração combinada de variedades específicas de carbono e oxigênio.
Os cientistas aplicaram uma perfuratriz rotativa com ponta de carboneto de tungstênio para retirar cerca de 5 miligramas de material dentário de cada peça. O volume coletado equivale a uma porção inferior a uma pitada de sal de cozinha.
O Museu de História Natural do Condado de Los Angeles cedeu três amostras oriundas do Condado de Carter, em Montana, sendo duas do espécime jovem Thomas e uma peça parcial de outro indivíduo da espécie.
O grupo testou paralelamente cinco dentes fósseis de crocodilídeos recolhidos na mesma camada geológica. A medição revelou 30,9 graus Celsius nesses répteis primitivos, padrão condizente com as espécies modernas e inferior ao nível constatado no dinossauro carnívoro.
“Acredita-se que muitos dinossauros, mas não necessariamente todos, fossem de sangue quente”, disse Eagle. “No entanto, mesmo entre os organismos de sangue quente, há dúvidas quanto ao grau. Eles podem ser de sangue quente como preguiças ou tamanduás, com endotermia de baixo nível; grandes mamíferos modernos; ou endotérmicos aviários, que normalmente apresentam taxas metabólicas mais elevadas do que os mamíferos”, concluiu o pesquisador.
“Em relação a outros dinossauros, eu teria cautela ao generalizar”, ponderou Tripati sobre estender a conclusão a outros grupos. “Trata-se de uma única espécie, e as evidências entre os dinossauros apontam para uma variedade de estratégias, em vez de uma resposta única.”







