Injeções no joelho têm limites e não regeneram cartilagemPor Carolina Costa
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A Organização Mundial da Saúde registrou 365 milhões de pessoas com artrose no joelho em 2019, dado que aponta a articulação como a mais atingida por desgastes e traumas no mundo. O quadro mobiliza pacientes em busca de intervenções diretas para amenizar a perda de mobilidade ao caminhar ou subir escadas.
O joelho suporta as maiores cargas do corpo humano e responde de maneiras diferentes a substâncias como ácido hialurônico, corticoide e derivados de medula óssea.
Metas clínicas dividem a conduta dos médicos
O tratamento médico para as articulações possui quatro frentes de atuação estabelecidas pela literatura técnica. Os procedimentos visam aliviar a dor, modificar a inflamação e o líquido sinovial, reparar a área lesada ou tentar regenerar o tecido original. Os resultados clínicos variam.
A indicação terapêutica exige separar o uso de corticoide e ácido hialurônico dos procedimentos com hidrogel ou células coletadas do próprio paciente. Cada substância possui grau de evidência próprio e não atua da mesma forma na cartilagem.
- Alívio dos sintomas de dor articular
- Modificação da inflamação, do líquido sinovial e dos sinais biológicos
- Reparação localizada da estrutura lesada
- Tentativa de regeneração de tecido próximo da cartilagem original
Ensaio clínico aponta impacto da perda de peso
Diretrizes médicas internacionais determinam que o controle do peso corporal, os exercícios estruturados e o autocuidado formam a base do tratamento no joelho. Cada quilo que um adulto com sobrepeso perde retira cerca de quatro quilos de carga sobre o membro inferior a cada passo dado. O ensaio clínico IDEA comprovou a eficácia dessa intervenção não farmacológica ao reunir voluntários com artrose ao longo de 18 meses de acompanhamento.
A pesquisa IDEA registrou que a dieta combinada com atividade física gerou perda média superior a 10% do peso corporal dos voluntários, superando medidas adotadas de forma isolada para ganho de função e alívio de incômodos.
Testes com corticoide indicam perda de cartilagem
A aplicação intra-articular de corticoide age no curto prazo contra a inflamação, mas não induz a recomposição do tecido cartilaginoso. Um ensaio clínico estruturado com 140 pacientes analisou a triancinolona trimestral durante dois anos e constatou que a substância não superou as injeções de solução salina no alívio da dor, além de provocar uma perda cartilaginosa maior no grupo avaliado.
O ácido hialurônico integra a composição natural do líquido sinovial para garantir viscosidade articular. Algumas fórmulas comerciais dessa substância conseguem diminuir dores passageiras. Nenhum produto com ácido hialurônico gera cartilagem nova. Rótulos comerciais com termos como gel alemão não representam uma categoria médica oficial e misturam formulações variadas de hidrogel.
Pesquisas avaliam limites do plasma e da medula óssea
Os compostos ortobiológicos reúnem materiais extraídos do organismo humano para atuar no ambiente articular, com destaque para o plasma rico em plaquetas, conhecido pela sigla PRP.
A composição do PRP depende do método laboratorial de extração e altera a quantidade de plaquetas e leucócitos presentes no material aplicado. O ensaio clínico RESTORE reuniu 288 participantes para verificar o efeito do plasma rico em plaquetas durante 12 meses. Esse estudo RESTORE concluiu que três aplicações de PRP não superaram as injeções controle de solução salina na contenção da dor e não evitaram a redução no volume da cartilagem.
Os procedimentos com aspirado de medula óssea, chamados de BMA, e sua versão concentrada BMAC, oferecem uma mistura celular sem capacidade de regenerar o joelho. Esses compostos contêm sangue, citocinas e frações mínimas de células progenitoras, sem equivalência com seringas isoladas de células-tronco.
Revisão científica analisa terapias celulares em pacientes
Uma revisão sistemática de 16 ensaios clínicos randomizados com 807 pacientes avaliou terapias celulares manipuladas em laboratório e constatou que essas técnicas produzem melhora quase nula nos índices de dor ou de capacidade física no período de três a seis meses de tratamento.
Os autores das investigações científicas analisadas declararam ausência de vínculo financeiro ou consultoria com fabricantes dos produtos avaliados. O monitoramento médico de longo prazo sobre eventos adversos decorrentes das terapias celulares permanece em aberto nos protocolos experimentais.







