Pular para o conteúdo
Menu
Mix Vale

Cientistas da Stanford Medicine, nos Estados Unidos, identificaram que o cérebro se formou a partir da integração de dois sistemas nervosos distintos e não de uma única estrutura embrionária, conforme pesquisa divulgada no periódico Nature Neuroscience em setembro de 2026.

A estrutura frontal difere da traseira.

Duas linhagens celulares comandam a formação dos tecidos

Os pesquisadores descobriram duas populações de células progenitoras no desenvolvimento embrionário inicial que seguem trajetórias completamente separadas.

Um grupo celular gera o prosencéfalo e o mesencéfalo, enquanto o outro conjunto direciona a construção do rombencéfalo, estrutura ligada ao tronco cerebral.

“Demonstramos, pela primeira vez, que a parte frontal do cérebro se origina de uma célula progenitora totalmente diferente daquela da parte posterior”, afirmou Kyle Loh, professor de biologia do desenvolvimento na instituição americana.

O prosencéfalo atua na coordenação de raciocínio abstrato, consciência e linguagem.

Já o rombencéfalo responde pelos batimentos cardíacos, respiração, sono, deglutição e fome.

Diferenças genéticas e cultivo em ambiente laboratorial

Ao analisarem embriões de camundongos para investigar o processo de formação tecidual, os autores mapearam que as células destinadas ao prosencéfalo expressam o gene Otx2 com organização própria de cromatina, enquanto o grupo voltado ao rombencéfalo ativa o marcador Gbx2, viabilizando o cultivo inédito de neurônios motores funcionais do tronco cerebral a partir de células-tronco humanas pluripotentes.

Em testes laboratoriais, os neurônios gerados apresentaram atividade elétrica e sintetizaram proteínas típicas dos mecanismos de controle da face.

Esse mesmo padrão de separação celular apareceu em análises com galinhas e peixes-zebra.

A ocorrência em múltiplas espécies aponta que a união dos sistemas nervosos tem raízes de centenas de milhões de anos na evolução animal.

Unidade funcional do órgão permanece preservada

O neurologista Marco Aurélio Borges, do Instituto de Neurologia de Goiânia, explicou que a multiplicidade de origens não fraciona o órgão funcionalmente.

“Conceitualmente um órgão é constituído por diferentes tecidos que atuam de maneira coordenada para desempenhar determinadas funções, e a existência de componentes com origens embrionárias distintas não transforma necessariamente uma estrutura em vários órgãos”, disse o médico.

Borges lembrou que a própria pele integra componentes derivados de folhetos embrionários diferentes sem perder a condição de tecido único.

O que muda na investigação de doenças motoras?

A produção de neurônios motores em laboratório abre alternativas para investigar enfermidades degenerativas que afetam o tronco cerebral.

Entre os alvos dos novos testes clínicos estão a atrofia muscular espinhal e a esclerose lateral amiotrófica.

“Agora temos um modelo para entender melhor essas doenças devastadoras e trabalhar no desenvolvimento de terapias regenerativas para elas”, disse Rayyan Jokhai, coautor do trabalho.

O neurologista Bruno Iepsen, da Comissão Científica da Associação Brasileira de Alzheimer, afirmou que os tratamentos atuais não sofrem alterações imediatas.

Iepsen avaliou que o ganho prático se concentra na expansão do conhecimento biológico para futuros diagnósticos clínicos.

Divisão funcional observada no sistema nervoso

  • Controle vital: tronco cerebral gerencia respiração, sono, batimentos cardíacos e funções automáticas.
  • Controle complexo: prosencéfalo responde por pensamento abstrato, autoconsciência e linguagem.
  • Controle motor periférico: nervos da base controlam deglutição e músculos da garganta, face e língua.

Thiago Taya, neuroimunologista do Hospital Brasília Águas Claras, da Rede Américas, afirmou que a separação embrionária traz coerência direta com a divisão neurofuncional observada na clínica médica.

Segundo Taya, o cultivo de células de regiões complexas viabiliza a testagem de compostos químicos em tecidos antes inacessíveis.

As linhagens celulares cultivadas permanecem sob observação para a triagem de moléculas terapêuticas.

Carolina Costa é colaboradora da redação do Mix Vale, portal de notícias com cobertura de Brasil e mundo. Produz conteúdo nas editorias de economia e benefícios, com foco em informação de serviço para o leitor brasileiro. Escreve para o portal desde 2019. Formação: Administração

Notícias relacionadas

Mais lidas

  1. Destaques

    Polícia descarta investigar por homicídio namorado de jovem que caiu do 7º andar

  2. Destaques

    Júnior Bauru tem Porsche cercado na Lagoa e assaltante acaba baleado no Rio de Janeiro

  3. Destaques

    Detran-RJ emite Carteira de Identificação da Mãe Atípica sem custo

  4. Receita Federal

    Saiba como será o Split Payment: reforma tributária divide imposto na hora da compra e muda rotina de empresas no Brasil

  5. Economia

    Gasolina com 35% de etanol: testes do governo avaliam mistura e mecânicos alertam para riscos em carros no Brasil

  6. Brasil

    Fibras de pitanga e cambuci reduzem a viabilidade de células de câncer colorretal em laboratório, diz USP

  7. Destaques

    Bob Dylan se encontra com o Papa Leão XIV no Vaticano após mediação cultural

  8. Destaques

    Tornado no Aeroporto de Chapecó atinge 126 km/h, arranca teto de terminal e cancela voos em Santa Catarina

  9. Destaques

    Janaína Barbosa, ex-apresentadora do TV Fama, morre aos 48 anos em São Paulo

  10. Serasa

    Feirão Limpa Nome da Serasa oferece descontos de até 99% para quitar dívidas no Brasil até 6 de dezembro

Sua privacidade

O Mix Vale usa cookies para medir audiência e exibir anúncios que sustentam a redação. Você escolhe. Política de privacidade.