Fóssil de pena em fezes revela segredo da extinção de avesPor Maria
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Pesquisadores do Museu Field de História Natural, em Chicago, identificaram uma pena de ave preservada em fezes fossilizadas de dinossauro recolhidas na Formação Hell Creek, em Montana. O estudo sobre o fóssil saiu na revista Current Biology em setembro de 2026.
Achado em Montana preservou estrutura tridimensional rara
O fóssil recolhido em 2016 pertencia a um predador carnívoro de grande porte, como o Tyrannosaurus rex ou o Nanotyrannus. A rocha continha a estrutura da pena protegida contra o esmagamento secular ao lado de restos ósseos e escamas de peixe. A paleontóloga Jingmai O’Connor, do Museu Field de História Natural, conduziu a triagem inicial do espécime após o envio ao laboratório.
“Quando encontraram esse espécime, sabiam que era importante”, disse Jingmai O’Connor ao avaliar o material fragmentado.
Exames laboratoriais detalharam anatomia e dieta do animal
Com o auxílio de microtomografia computadorizada para a geração de imagens tridimensionais em raios-X, os cientistas constataram que a haste da pena apresenta um formato tubular quadrado com interior espumoso e barbas de queratina semelhantes às de aves atuais. A análise revelou dados inéditos.
O exame minucioso indicou que a ave consumia peixes e utilizava as patas para locomoção na água. Ossos da coxa encontrados junto aos dejetos reforçam o modelo de vida aquático da espécie extinta. Esse padrão alimentar aproxima o animal extinto de aves contemporâneas como mergulhões e papagaios-do-mar.
- Penas com menor capacidade de retenção térmica corporal.
- Dentes pontiagudos voltados para segurar peixes vivos.
- Membros inferiores adaptados ao impulso dentro da água.

Quais fatores explicam a sobrevivência das espécies?
O biólogo evolucionista Scott V. Edwards, da Universidade Harvard, analisou o achado e observou o registro fóssil compartilhado entre diferentes animais. “Há uma interação entre três espécies nesse único e minúsculo pedaço de fezes”, disse o pesquisador de Harvard sobre a cadeia alimentar preservada na rocha.
A equipe científica avaliou que a perda de calor corporal prejudicou a sobrevivência do grupo após a queda do asteroide no fim do período Cretáceo. O choque cósmico provocou o resfriamento brusco das temperaturas terrestres na época. A plumagem da espécie não oferecia isolamento térmico suficiente para enfrentar o frio prolongado. Espécies sem cobertura corporal eficiente sucumbiram às novas condições térmicas do planeta.
Falta de penas térmicas reduziu chances contra frio extremo
A paleontóloga Jingmai O’Connor afirmou que uma reunião ampla de fatores definiu a permanência ou o desaparecimento de linhagens antigas. O isolamento térmico insuficiente funcionou apenas como uma das variáveis que atuaram contra a espécie na Formação Hell Creek. As investigações anatômicas prosseguem nos laboratórios norte-americanos para rastrear a evolução dos grupos sobreviventes.
A filogeneticista Emily Jane McTavish, da Universidade da Califórnia em Merced, avaliou o papel do acaso nas extinções em massa do Cretáceo. “Em um evento de extinção em massa, até espécies muito bem adaptadas ao ambiente são eliminadas, junto com características excepcionais e uma diversidade evolutiva que poderiam ter tido grande sucesso no futuro, simplesmente por falta de sorte”, disse Emily Jane McTavish.
O fóssil segue guardado para novos estudos comparativos no Museu Field de História Natural.







