Ciência

Fóssil de T. rex revela calor corporal similar ao de elefante

Esqueleto de tiranossauro rex
Esqueleto de tiranossauro rex - Miss Ostrich/shutterstock.com

O predador T. rex superou a antiga visão científica que o descrevia como um réptil lento dependente do sol para se aquecer ao longo do século passado. Pesquisas registradas em 21 de setembro de 2026 elucidaram se o animal usava sangue quente para sustentar seus movimentos rápidos observados na cultura popular.

Geoquímicos da University of California, Los Angeles, coordenados por Randon J. Flores e Robert A. Eagle, determinaram a temperatura corporal do T. rex ao analisarem a composição química de dentes fósseis, registrando uma marca de aproximadamente 36 graus Celsius comparável à de elefantes modernos.

Paleontólogos debateram a fisiologia do T. rex durante décadas com base em microestruturas ósseas e taxas de crescimento documentadas em fósseis. Certos estudos indicaram que linhagens geravam calor corpóreo próprio, enquanto outras pesquisas defendiam estratégias biológicas distintas entre os grupos extintos.

Tentativas anteriores dependiam de isótopos de oxigênio do T. rex, mas essa proporção variava conforme a água consumida pelo organismo fossilizado.

Randon J. Flores e Robert A. Eagle aplicaram a termometria de isótopos agrupados nos minerais de carbonato do esmalte dentário. A formação interna das ligações entre carbono 13 e oxigênio 18 ocorre de acordo com o calor biológico real do espécime. O método mede o aquecimento corporal sem sofrer interferências da água acumulada no esqueleto.

O material analisado reuniu três dentes fornecidos pelo Natural History Museum of Los Angeles County, todos provenientes da Hell Creek Formation, em Montana. Duas peças pertenciam a um jovem adulto de três toneladas, acompanhadas por cinco dentes de crocodilianos contemporâneos usados como parâmetro comparativo.

A checagem inicial comprovou que o esmalte dentário preservado em Montana permaneceu quimicamente inalterado durante 66 milhões de anos sob o solo.

A espectroscopia de infravermelho constatou que o esmalte fóssil do T. rex apresentava teores de carbonato idênticos aos de aligátores atuais, enquanto dentina e esmalte exibiram marcas isotópicas divergentes. O carbono também revelou o perfil alimentar esperado para carnívoros predadores.

Após descartarem alterações geológicas no material fóssil, os cientistas mediram a temperatura corporal do T. rex.

Os dentes do jovem T. rex indicaram 37,3 e 35,9 graus Celsius, enquanto o exemplar avulso registrou 34,7 graus. A média térmica final atingiu 36,3 graus com variação de 2,5 graus, índice comparável ao de elefantes africanos e asiáticos de 36 graus. O número aproxima-se dos índices medidos em emas e avestruzes, mas permanece abaixo dos 41 graus registrados em aves voadoras.

Os dentes dos crocodilianos de referência registraram média de 30,9 graus Celsius, compatível com répteis modernos que alternam entre margens de rios e a água. Essa discrepância térmica repete a separação fisiológica existente hoje entre crocodilos e mamíferos de grande porte.

A análise em mexilhões fósseis de água doce da Hell Creek Formation apontou que a temperatura aquática média de verão alcançava 26 graus Celsius.

O modelo climático do final do período Cretáceo utilizou uma grade de 60 quilômetros sob duas hipóteses meteorológicas distintas. Mesmo na projeção mais quente, os meses de verão atingiam pico de 33 graus, contra uma média anual de 21 graus.

O T. rex mantinha o organismo consistentemente mais aquecido do que o ambiente físico circundante.

Animais pesados retêm calor lentamente por gigantotermia inercial sem necessariamente gerarem sua própria energia metabólica. O jovem T. rex ultrapassou as projeções térmicas para répteis de sangue frio, sustentando a hipótese de endotermia homeotérmica defendida pelos pesquisadores.

Os pesquisadores cruzaram dados térmicos de 465 espécies vivas de aves e mamíferos adaptadas a variações entre 13 graus negativos e 43,6 graus positivos. A faixa de 34,7 a 37,3 graus associou-se a índices de chuva da época e ao desenho costeiro do Western Interior Seaway. O resultado teórico indicou que o carnívoro possuía capacidade para habitar quase toda a extensão territorial.

Fósseis encontrados no Alasca e indícios na região de Trans-Pecos, no Texas, coincidem com os limites de tolerância previstos pelo cálculo. Os locais de descoberta refletem onde ocorreu preservação fóssil adequada, e não uma fronteira intransponível para a circulação da espécie.

A combinação de umidade e calor não ultrapassou o patamar letal para organismos endotérmicos em nenhuma das simulações regionais. Essa resistência a climas frios sustenta a hipótese de dispersão da linhagem desde a Ásia até a América do Norte através da Bering Land Bridge. A capacidade fisiológica permitiu deslocamentos por diferentes latitudes terrestres.

O predador T. rex guarda mistérios.

A equipe extraiu amostras restritas do esmalte para evitar danos estruturais aos três dentes, o que pode representar uma única estação de crescimento biológico. Embora duas áreas distintas do jovem indivíduo tenham apresentado resultados consistentes, os autores admitem que a amostragem reduzida não descarta totalmente variações sazonais.

O grupo planeja utilizar a termometria de isótopos agrupados para mapear o surgimento histórico dessa flexibilidade fisiológica em outras linhagens fósseis de dinossauros.

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