Semavy tem publicidade proibida pela Anvisa após anúncios no Aeroporto de Congonhas
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária determinou a suspensão imediata de todas as peças de propaganda e publicidade direcionadas ao público leigo do medicamento Semavy, caneta injetável à base de semaglutida produzida pela Cosmed Indústria de Cosméticos e Medicamentos S.A., empresa pertencente ao Grupo Hypera Pharma. A medida foi motivada pela veiculação de anúncios em painéis eletrônicos no Aeroporto de Congonhas, em São Paulo, além de divulgações no site oficial do produto, vídeos promocionais e perfis em redes sociais.
Formalizada por meio da Resolução-RE nº 3.750, assinada na quarta-feira (23) e publicada no Diário Oficial da União nesta sexta-feira (25 de setembro de 2026), a determinação barra exclusivamente a promoção comercial voltada ao consumidor comum, mantendo inalteradas a produção, a distribuição e a comercialização do fármaco em todo o território nacional.
Legislação federal veta divulgação ao público de remédios com tarja vermelha
A fiscalização sanitária interveio com base nas diretrizes do artigo 58 da Lei nº 6.360/1976, legislação federal que rege a vigilância sobre medicamentos e veda expressamente campanhas publicitárias ao público geral para produtos de venda sob prescrição médica, identificados por tarja vermelha ou tarja preta. Pela norma vigente, qualquer ação promocional desses compostos deve ser obrigatoriamente restrita a veículos técnicos distribuídos apenas a profissionais habilitados a prescrever ou dispensar o tratamento, como médicos, farmacêuticos e dentistas.
Segundo a agência reguladora, remédios da classe dos análogos do receptor GLP-1 requerem extremo rigor na comunicação para conter a automedicação e desvios terapêuticos. Em comunicado oficial emitido após a publicação da medida cautelar, a autoridade sanitária ressaltou o enquadramento da apresentação: “A Semavy é um produto de tarja vermelha e está sujeita à retenção de receita médica em duas vias, assim como todos os medicamentos do tipo GLP-1.”
Distribuição comercial, preços e regras para compra nas farmácias
A caneta Semavy teve seu registro sanitário concedido pela Anvisa em 29 de julho de 2026, com indicação formal em bula para o tratamento de pacientes adultos com diabetes mellitus tipo 2 insuficientemente controlado. O início das vendas em farmácias físicas credenciadas no Brasil ocorreu em 1 de setembro de 2026, com a distribuição coordenada pela Mantecorp, braço farmacêutico da Hypera Pharma. O produto chegou aos pontos de venda como opção sintética concorrente após o fim do período de proteção de patente do Ozempic, remédio de referência global desenvolvido pela farmacêutica dinamarquesa Novo Nordisk, cuja vigência expirou no país no primeiro semestre de 2026.
Leia também: Anvisa registra duas canetas injetáveis de semaglutida para tratamento de diabetes tipo 2 em adultos
Os critérios de acesso ao produto no balcão e as características econômicas praticadas no mercado brasileiro incluem parâmetros definidos pelos órgãos reguladores:
- Exigência de prescrição médica retida na farmácia em duas vias no momento da aquisição;
- Preço aproximado fixado em R$ 333 por caneta injetável na dosagem de 1 mg em redes conveniadas;
- Desconto de até 67% no valor final em comparação ao medicamento biológico de referência;
- Indicação aprovada na bula restrita ao controle glicêmico de adultos com diabetes tipo 2;
- Acesso condicionado ao atendimento em farmácias credenciadas, sem possibilidade de compra sem receita.
Fabricante confirma adequação das campanhas e diálogo com autoridade sanitária
Procurada a respeito da determinação publicada no Diário Oficial da União, a Hypera Pharma afirmou que já adotou providências nas peças de divulgação da linha. A companhia destacou que “mantém diálogo permanente e transparente com a Anvisa e adotou as medidas necessárias em relação às comunicações da linha Semavy.”
Em nota complementar enviada à reportagem, o grupo informou que continuará colaborando com o órgão governamental para que todas as mensagens institucionais atendam aos critérios legais estabelecidos no país: “A Companhia reforça seu compromisso com o cumprimento rigoroso da legislação sanitária e com a promoção do uso adequado e responsável de medicamentos. A Hypera seguirá prestando todos os esclarecimentos solicitados pela autoridade sanitária e adequando suas iniciativas de comunicação às determinações aplicáveis.”
Continue lendo: Anvisa estabelece padrão para genéricos de semaglutida nacional e abre caminho para redução de custos
Regulamentação e controle da classe de medicamentos GLP-1 no país
A comercialização de fármacos da classe GLP-1 passou recentemente por endurecimento normativo por parte da Anvisa, que tornou mandatória a retenção de receita médica em duas vias com o propósito de restringir o uso indiscriminado off-label, prática em que o medicamento é adquirido por conta própria para fins estéticos de redução de peso corporal sem acompanhamento médico especializado.
A decisão cautelar publicada nesta sexta-feira (25) permanece em vigor enquanto tramitam as avaliações administrativas sobre as peças publicitárias contestadas em aeroportos e mídias eletrônicas, período no qual a fabricante deve manter suspensa qualquer campanha voltada a consumidores não habilitados na área de saúde.

